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Cultura 12/12/2018  08h34

Um picadeiro a céu aberto

De 12 a 16 de dezembro, Festival de Circo leva espetáculos e oficinas a diversas regiões de Londrina. 14ª edição é uma homenagem a Artur Cacciolari, jovem artista falecido na Itália

Durante cinco dias, a cidade será colorida pela presença de palhaços, malabaristas, contorcionistas, acrobatas, mágicos e outro circenses do Brasil e do Uruguai. O 14° Festival de Circo de Londrina acontece de 12 a 16 de dezembro com uma vasta programação integralmente gratuita e de classificação indicativa livre, com entradas limitadas e sujeitas à capacidade de lotação dos espaços. As atividades artísticas e didáticas estão divididas ao longo de todo o dia e ocupam diferentes espaços no Centro, Região Norte, Leste e Distrito de Irerê. Ao todo, são 16 apresentações, 14 oficinas e uma palestra, que passam por diferentes linguagens do circo – da mágica ao clown, do trapézio ao malabarismo. Informações sobre a programação podem ser obtidas no Facebook “Festival de Circo de Londrina”.

Com coordenação de Sérgio Oliveira, o Festival faz, nesta edição, uma homenagem ao jovem artista Artur Cacciolari, que começou a formação em Londrina e, com um talento incomum, projetou-se internacionalmente. Artur, que trabalhava na trupe Sonics como acrobata aéreo, faleceu na Itália em razão de um acidente em maio deste ano. Sua foto estampa o cartaz do Festival e uma exposição com seus figurinos preferidos ficará no saguão da Escola de Circo durante todo o período do evento. O Festival é realizado pela ALC - Associação Londrinense de Circo e conta com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina por meio do Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura. O apoio é do Cirque du Monde (Social Circus Program of Cirque du Soleil).

O diferencial desta edição são os pontos de realização de espetáculos e oficinas espalhados por toda a cidade. “A gente sempre procura abranger o máximo de lugares em Londrina, para democratizar o acesso a esta arte. Nosso foco este ano foi a Zona Norte, o Centro e várias escolas onde há pessoas e alunos que têm alguma relação com o circo - de iniciação ou que são praticantes - e que podem aproveitar principalmente as oficinas. A Escola de Circo já realiza um trabalho há quase 20 anos na Zona Norte”, explica o coordenador Sérgio Oliveira. Além da Escola, que será o principal e maior palco, as atrações ocupam também o Calçadão, a Concha Acústica, a Secretaria Municipal de Cultura, a Escola Municipal Hélvio Esteves (Norte), o Centro Marista Irmãos Acácio (Norte), a Escola Municipal Miguel Bespalhok (Leste) e a Escola Municipal Aracy Soares dos Santos (Distrito de Irerê).

Programação

Hoje (12), apresenta-se na Concha Acústica, às 18 horas, uma das principais atrações deste ano: “Quixote”, do Circo Mínimo (São Paulo-SP). O grupo emprega novas técnicas do circo contemporâneo, que se caracteriza, sobretudo, pela íntima relação com a dramaturgia e o teatro. O roteiro está apoiado em dois pilares fundamentais: de um lado, a estrutura dos palhaços clássicos, com suas rotinas cômicas inseridas no contexto dos personagens, e, de outro, a fidelidade a textos originais de Cervantes. A obra traz um Quixote insano que precisa de um Sancho para manter-se conectado ao mundo real, ao concreto. Já para Sancho é imprescindível a janela para o onírico, oferecida por seu Quixote. Um dos integrantes do grupo, Rodrigo Matheus, também ministra uma palestra sobre “Direção cênica para espetáculos de circo” na quinta-feira (13), às 16 horas, na Secretaria Municipal de Cultura.

No dia da abertura ainda, às 11 horas, o Calçadão transforma-se em picadeiro para a primeira apresentação internacional - “La risa remedio infalible”, do Palhaço Chispa, de Montevidéu (Uruguai), especializado em números de rua e em interação com o público em contextos urbanos. Na Escola de Circo, às 20h30, entra em cena, no dia 12, “No Rolê da Capoeira”, do Circo da Alegria, numeroso grupo de Toledo (PR) que trabalha as relações das acrobacias com a dança.  A trupe integra a Rede Circo do Mundo Brasil (Regional Sul), projeto ligado ao Cirque du Soleil que tem o objetivo de expandir a linguagem circense como instrumento de transformação social.

Integram também esta Rede o Circo da Fronteira, de Foz do Iguaçu (PR), que apresenta o espetáculo “Maestro e a Luz da Lua” em duas sessões: dia 13, às 15 horas, na Escola Municipal Profa. Aracy Soares dos Santos (Distrito de Irerê) e, às 11 horas do dia 14, no Calçadão (entre as ruas Prof. João Cândido e Av. São Paulo). A caracterítica da montagem é a presença de uma divertida banda formada por guitarra e percussões. Jovem grupo originado de um projeto social em Mogi Mirim (SP), a Trupe KaCirco é uma das promessas nacionais que já circulou por países como Paraguai, Argentina e Uruguai. Eles trazem a Londrina, no dia 13 de dezembro, às 10 horas, o “Universo Circense”, apresentação na mesma Escola do Distrito de Irerê.

A Escola de Circo de Londrina é uma das referências em formação social da Regional Sul da Rede Circo do Mundo Brasil e não poderia estar ausente da programação. Eles apresentam uma homenagem a Artur Cacciolari, espetáculo de finalização de ano da instituição sediada na Região Norte, no dia 15 (sábado), às 20h30, na própria Escola. Com o nome “Cacciolari – O Rei do Show”, a obra traz um mestre de cerimônias que conta um pouco da história do jovem artista, utiliza expressões que ele costumava falar e costura vários números que ele praticava ou gostava. Utilizam em cena uma pirâmide aérea que foi construída pelas mãos do próprio Artur. “O Artur chegou na Escola com dez anos de idade e começou fazendo curso livre, porque nem estava na idade mínima para a técnica circense avançada. O seu desenvolvimento foi muito rápido e era um artista completo: construía equipamentos, desenhava figurinos, passava pelos mais diversos tipos de habilidades”, lembra Sérgio Oliveira.

Na noite do dia 13, às 20h30, o Festival recebe na Escola de Circo o primeiro espetáculo de magia de todas estas edições. Trata-se do “Show de mágica e humor”, do Mágico Arcanjo (Maringá-PR). É uma coletânea de números clássicos que nunca deixam de surpreender o público, como os truques de adivinhação. A mágica estará presente também, entre inúmeras outras atrações da técnica tradicional, em um show de variedades muito divertido da trupe Fundacam, de Campo Mourão. Fruto da Escola Municipal de Circo da cidade paranaense, eles apresentam “Pra Coisa Acontecê, Vamos de Varieté” no dia 14, às 15 horas, na Escola Municipal Hélvio Esteves. Mais tarde, às 20h30, na Escola de Circo, a coordenação do Festival organiza um “Cabaré Varieté” com uma coletânea de pequenos números de artistas locais, nacionais e internacionais que participam do evento este ano.

Pela primeira vez no Festival, o famoso Reverendo Fidalgo, de Curitiba (PR), invade o Calçadão às 11 horas do dia 15, sábado. O palhaço usa a técnica italiana do bufão e incorpora um engraçado pastor que faz uma pregação nada ortodoxa. A programação chega ao fim no domingo, 16, com duas atrações de peso, uma local e outra internacional. Às 16 horas, a Troupe Aerocircus, companhia anfitrião do evento, estaciona o seu ônibus-palco no Jardim Primavera, Região Norte (Rua Vantuil Frisselli) para mostrar “Aerocircus na Rua”. A trupe montará no bairro uma estrutura itinerante e aérea para a realização de acrobacias, malabarismos e pirâmide humana. A canja internacional fica por conta da acrobática Virginia Caputi (Montevidéu, Uruguai), que apresenta no Canto da MARL, às 20 horas, “Um océano una historia de amor, locura y humor”. O espetáculo traz toda a experiência desta artista veterana contornada por uma bela moldura visual. Viru, como é conhecida, pratica trapézios, acrobacias e teatro físico no El Picadero, importante grupo ligado ao Circo Social.

Também estão na programação outros grupos londrinenses como a Família do Circo (co-originada no Chile), que se apresenta na Escola Municipal Miguel Bespalhok às 10 horas do dia 12; o Centro Londrinense de Arte Circense – CLAC, cujo espetáculo “Palhaçaria” está agendado também para a mesma data e local, mas às 15 horas; o Coletivo Quimera (do Centro Educacional Irmãos Acácio), que encenam “Estátuas vivas” às 18 horas do dia 13 na Concha Acústica, e o Zirkus, que integra o “Cabaret Varieté” do dia 14.

Oficinas

Os praticantes do circo ou iniciantes podem participar da extensa programação que o Festival oferece nas mais variadas vertentes desta arte. Os cursos estão divididos nos períodos da manhã (das 9 às 11 horas) e da tarde (das 14 às 16 horas) nos dias 12, 13 e 14 de dezembro. Dentre as técnicas oferecidas estão “Cordas e malabares”, “Acrobacias de solo”, “Passes com diabolô”, “Palhaço”, “Força capilar” (com Alisson Almeida, do Rio de Janeiro-RJ), “Trapézio fixo”, “Portagens” (base da pirâmide humana) e “Roda Cyr” (giros em grande arco metálico). Inscrições podem ser feitas na hora, presencialmente, ou pelo e-mail festival@circolondrina.org.

Escola de Circo de Londrina (Av. Saul Elkind, 790, Cj. Maria Cecília); Concha Acústica (Rua Piauí, 130, Centro); Centro Educacional Marista Irmão Acácio (Rua Abílio Justiniano de Queirós, 350, Cj. João Paz); Escola Municipal Miguel Bespalhok (Rua Apucarana, 22, Antares); Escola Municipal Prof. Aracy Soares dos Santos (Rua Olívio Busse, 22, Distrito de Irerê); Escola Municipal Hélvio Esteves (Rua João Panchoni, 45, Jardim Planalto); Canto do MARL (Av. Duque de Caxias, 3.241, Centro); Calçadão (Entre as ruas Prof. João Cândido e Av. São Paulo); Secretaria Municipal de Cultura (Rua Maestro Egídio Camargo do Amaral, 110, Centro).

Renato Forin Jr./Asimp

Alisson Almeida (Rio de Janeiro-RJ) ministra oficina de Força Capilar - Foto: Divulgação

No rolê da capoeira, do Circo da Alegria - Toledo-PR - Foto: Daniel Vendramini/Divulgação

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