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No último domingo (02), o Procurador e Coordenador da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol, ministrou a Conferência de Abertura do XXXI Congresso Brasileiro de Cirurgia, que teve como tema “Corrupção. Qual a solução?”, realizado em Curitiba/PR. Na solenidade, também estiveram presentes muitos médicos e professores de Medicina, como Dr. Luiz Carlos Von Bahten, Coordenador Geral do Congresso e o Dr. Eládio Feitosa, presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Dentre todos os esquemas de corrupção no país, Deltan ressaltou o que pode ser feito com a verba desviada para os setores de saúde e segurança, que são os mais atingidos na sociedade atual.

“A estimativa dos desvios, à título de corrupção no Brasil hoje, é de 200 bilhões de reais por ano. Com esse valor, seria possível construir 400 novos hospitais por ano ou, alternativamente, se verificarmos que um médico plantonista de 12 horas, custa cerca de 1.200,00 reais aos cofres públicos, poderíamos ter, aproximadamente, 200 milhões de médicos de plantão. Isso significa que teríamos um médico trabalhando para cada brasileiro.

O foco é buscar reduzir esses desvios, para que a nossa sociedade possa ser melhor atendida e ter um tratamento melhor por parte do Estado. Poderíamos também, afastar algumas pessoas que vão chegar aos hospitais por incidentes decorrentes da segurança pública, pois com esse montante desviado, pode-se investir cinco vezes mais em tudo o que é repassado hoje nas esferas Federal, Estadual e Municipal em relação a segurança pública.”, disse.

Deltan Dallagnol, lançou uma campanha para coletar 1,5 milhão de assinaturas em todo o país, em apoio a sua proposta que contém 10 conjuntos de medidas básicas para combater a corrupção.

“O primeiro objetivo é fazer com que a corrupção não aconteça. Prevenir. O segundo é alcançar uma punição e a recuperação dos valores desviados de modo adequado e, o terceiro conjunto de medidas, é dar um basta na impunidade, como por exemplo, sobre a prescrição de crimes. Nós propomos que, como em vários outros países pelo mundo, só haja esse cancelamento do caso penal, quando o Estado não se mobiliza para a punição do réu e não, pelo tempo de duração do processo. No Brasil, isso favorece as táticas protelatórias. O advogado, hoje, tem dois jeitos de ganhar: ou ele ganha no mérito, comprovando que o réu é inocente. E aí, nós queremos que ele realmente ganhe. Ou, simplesmente protelando o caso, fazendo com que ele atrase, oferecendo inúmeras petições e recursos que fazem com que o caso se prolongue na justiça ocasionando sua prescrição.”, explicou Deltan.

Acredita-se que se a sociedade se mobilizar e lutar por mudanças, o Congresso Nacional encampará essas medidas e as aprovará.

“Isso não só pela representatividade que o Congresso tem para com a sociedade, mas também em razão da nossa experiência pretérita. Outros casos que a sociedade encampou, outras medidas de modo coletivo, como a Ficha Limpa, por exemplo, foram aprovadas pelos parlamentares em Brasília, com a força da povo”, concluiu.

As fichas para qualquer pessoa que queira participar dessa campanha, estão disponíveis no Congresso Brasileiro de Cirurgia, durante todos os dias de evento.

Nannah Ribas/Asimp

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