A Copel identificou, ao longo de 2025, a injeção de 25,4 megawatt-hora (MWh) de energia elétrica gerada de forma irregular na rede de distribuição do Paraná. Segundo a concessionária, o volume seria suficiente para abastecer uma cidade de pequeno porte, com cerca de 7 mil habitantes, durante um dia inteiro.
A energia teve origem em sistemas de geração distribuída, principalmente usinas solares instaladas em propriedades residenciais e rurais, que passaram por ampliações sem comunicação ou autorização prévia da distribuidora. A prática, conhecida como geração à revelia, é considerada irregular pelas normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
De acordo com a companhia, esse tipo de geração representa uma carga não prevista para a rede elétrica, podendo provocar oscilações de tensão, interrupções no fornecimento e danos à infraestrutura do sistema.
Somente nos primeiros seis meses de 2026, as ações de fiscalização da Copel impediram a entrada de outros 12 MWh de energia não declarada na rede de distribuição.
Paraná lidera expansão da geração distribuída
O crescimento da energia solar no Paraná tem sido expressivo nos últimos anos. Atualmente, o Estado conta com cerca de 300 mil unidades de geração distribuída, responsáveis por uma potência instalada de aproximadamente 4,5 gigawatts (GW).
Os números mostram uma expansão acelerada. Em 2020, a potência instalada conectada à rede da Copel era de 333,4 megawatts (MW). No fim de 2025, esse volume alcançou 4,5 GW, representando um crescimento superior a 1.200% em cinco anos.
O número de consumidores beneficiados pela geração distribuída também aumentou significativamente. Em dezembro de 2020 eram cerca de 55 mil. Em junho deste ano, o total chegou a 677 mil usuários, o equivalente a 13% da base de clientes da distribuidora no Paraná.
Fiscalização busca evitar prejuízos ao sistema
A Copel afirma que parte das irregularidades ocorre quando proprietários ampliam a capacidade dos sistemas fotovoltaicos sem atualizar os projetos junto à concessionária. Além de descumprir a regulamentação, a prática pode gerar vantagens indevidas no sistema de compensação de energia.
Pela legislação vigente, consumidores enquadrados em determinadas modalidades de geração distribuída têm direito a benefícios relacionados à compensação da energia excedente injetada na rede. Quando a ampliação ocorre sem autorização, a distribuidora entende que há descumprimento das regras e pode aplicar penalidades.
Entre as medidas previstas estão a perda de benefícios tarifários, o refaturamento da energia injetada irregularmente e a reclassificação da unidade consumidora.
Riscos para consumidores e para a rede elétrica
Além dos aspectos regulatórios, a concessionária alerta para os riscos técnicos da instalação ou ampliação irregular de sistemas de geração solar.
Equipamentos conectados sem análise prévia podem provocar sobretensão, curtos-circuitos, sobrecarga da rede e até a queima de transformadores e outros componentes do sistema elétrico.
Segundo a empresa, os impactos são percebidos principalmente em regiões rurais, onde oscilações e interrupções de energia podem gerar prejuízos para propriedades agrícolas, indústrias e residências.
A distribuidora orienta que qualquer projeto de geração distribuída, seja para instalação ou ampliação, passe por análise e homologação antes da conexão à rede elétrica, conforme as exigências da Aneel.
Com informação da Assessoria