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O presidente eleito afirmou que pretende levar educação a todos os municípios brasileiros por meio do Ensino a Distância. As ideias de Jair Bolsonaro geraram polêmicas a respeito da eficácia da modalidade, assim como das consequências para o aprendizado. Nas redes sociais, muitas afirmações infundadas, que acabam por confundir ainda mais a opinião pública. Mas, afinal, o que é verdade e o que é mentira do que se tem falado? O diretor da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed) e pró-reitor da Universidade Positivo, Carlos Longo, esclarece alguns pontos. 

Profissionais formados em cursos EAD são menos valorizados porque ainda há preconceito no mercado.
Mito. Os profissionais formados em EAD são tão capazes de se destacar no mercado quanto os que optam pelos cursos presenciais. Além disso, o perfil do profissional que opta pelo EAD é muito valorizado e procurado pelas empresas, já que a modalidade exige que os estudantes tenham maior autonomia, capacidade de organização e comprometimento com prazos. O diploma de cursos EAD e presenciais não possuem distinção, assim como a remuneração do profissional no mercado.

Todos os cursos de EAD são bons.
Mito. Assim como nem todos os presenciais são recomendados, há muitos cursos na modalidade a distância sem qualidade no mercado. É preciso, primeiramente, se certificar da idoneidade da instituição.

EAD não funciona para cursos práticos.
Verdade. Cursos práticos exigem o uso de laboratórios e aulas demonstrativas. Nesse caso, a melhor opção são os cursos semipresenciais, ou híbridos, que, como o próprio nome já diz, reúne o melhor do EAD (flexibilidade, praticidade, tecnologia aplicada à educação, economia) ao melhor do presencial (aulas práticas e infraestrutura disponível). Na Universidade Positivo, por exemplo, cursos como Engenharia e Educação Física disponibilizam laboratórios e instalações apropriadas para disciplinas específicas e aprendizado das habilidades práticas nos cursos semipresenciais, que devem ser dominantes nos próximos 5 anos.

Cursos a distância são mais flexíveis.
Verdade. Em um curso a distância, o tempo e espaço são sempre flexíveis. O aluno define os horários e pode estudar em qualquer lugar, desde que tenha um computador e acesso à internet banda larga. Essa é uma vantagem muito importante, tanto para quem tem dificuldade de locomoção ou mora em localidades onde não existem Instituições de Ensino Superior, quanto para quem trabalha ou possui compromissos que impossibilitam frequentar um curso presencial.

Os valores dos cursos a distância são mais acessíveis.
Verdade. Os cursos de EAD têm suas mensalidades bem mais acessíveis que os mesmos cursos na modalidade presencial. Principalmente pela escalabilidade e o baixo uso de instalações. Outra vantagem é que o material didático é disponibilizado gratuitamente nas plataformas online. Isso sem falar que o estudante também economiza em transporte e alimentação.

Não existe interação social em EAD.
Mito. Estudos mostram que a interação e troca social dos alunos na modalidade EAD é maior que nos cursos presenciais - principalmente os cursos presenciais noturnos, no qual o aluno chega na hora do curso e sai correndo para poder descansar para o trabalho no dia seguinte. Alunos de cursos EAD de qualidade têm à disposição várias ferramentas online para interação, como e-mails, fóruns, chats, além de trabalho em grupo e interação presencial nos polos.

A qualidade do ensino na modalidade EAD é menor.
Mito. Os cursos EAD, na média, têm avaliação do MEC, via exame ENADE, igual ou maior que os mesmos cursos na modalidade presencial. O que deve-se levar em conta na hora de escolher é a qualificação do quadro de professores, credibilidade e desempenho da instituição nas avaliações do MEC.

O curso EAD é mais fácil.
Mito. Se o curso é bem planejado, rico em material didático básico e complementar, não há como estudar menos. O aluno dessa modalidade de ensino tem a possibilidade de programar-se para estudar, de acordo com o seu tempo e a sua disponibilidade, mas isso não significa que exija uma dedicação menor do aluno. Pelo contrário, para os estudantes, além da dificuldade natural do curso, o EAD demanda disciplina, gestão do tempo e responsabilidade com os colegas de grupo para a entrega de trabalhos. Além disso, é possível acompanhar todas as atividades dos estudantes por meio dos ambientes virtuais de aprendizagem, que registram todos os cliques dos alunos. Ou seja, os cursos na modalidade a distância exigem mais dos estudantes que os presenciais.

As provas são feitas pela internet.
Mito. As avaliações geralmente são realizadas no polo de apoio presencial e são aplicadas da mesma forma dos cursos presenciais, com vigilância de professores e restrições de acesso ao material. Porém, existem testes, trabalhos e exercícios avaliativos que podem ser feitos através da internet, assim como muitos cursos presenciais. De qualquer forma, a legislação brasileira obriga que a avaliação presencial tenha um peso maior que as avaliações via internet.

É preciso ter acesso à boa tecnologia ou computador muito bom para aproveitar o curso.
Mito. Depende da proposta metodológica do curso. Mas, de forma geral, as Instituições de Ensino Superior (IES) na modalidade a distância oferecem modelos nos quais os computadores e internet padrão de mercado são suficientes para acesso. Essas informações são dadas nos sites das IES - e é importante verificar antes de efetuar a matrícula.

O ensino a distância ameaça o emprego do professor.
Mito. O professor é essencial para verificar o aprendizado a distância do aluno. O computador não vai substituí-lo. O professor de EAD consegue até acompanhar melhor o desempenho dos alunos. Isso é feito por meio de atividades próprias dos cursos a distância, como fóruns de discussão, testes online e atividades extras, que são em quantidade maior que nos cursos presenciais. O que deve acontecer com o crescimento do EAD - e o que muitos professores temem - é a menor necessidade de docentes por número de alunos. Por outro lado, o Brasil deverá triplicar o número de alunos nos próximos 20 anos, o que irá, na prática, aumentar a necessidade de professores qualificados no uso da Tecnologia da Informação e Comunicação.

O EAD é para alunos que não têm tempo e querem tirar um diploma sem muito trabalho.
Mito. O EAD é para estudantes que precisam de flexibilidade de tempo e espaço. Porém, pode requerer muito mais trabalho do que em uma sala de aula presencial. Para assimilar o conhecimento, é preciso se programar, ter disciplina, assumir o compromisso de estudar com autonomia, gerenciando seus horários. Para se formar com êxito em uma graduação a distância de instituição conceituada, o aluno terá que estudar e se organizar bem mais que um estudante no curso presencial.

Curso presencial tem mais professores disponíveis para tirar dúvidas do que em um curso a distância.
Mito. O professor virtual é de muito mais fácil acesso pelo estudante do que o presencial. Dado que o aluno pode se conectar a qualquer hora no ambiente virtual de aprendizagem e o professor, de uma forma geral, responde em até 48 horas. No presencial, eventualmente quando o estudante tem alguma dúvida, tem que esperar a próxima aula para consultar o professor.

Curso a distância se resume a vídeo-aula.
Mito. Os cursos a distância têm um percurso de aprendizagem que envolve material de leitura; vídeo aula; fórum de discussão; games e atividades síncronas e assíncronas, dependendo do curso.

Carlos Longo é diretor da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed) e pró-reitor da Universidade Positivo

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