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Eleição virtual nas universidades exige criatividade para chegar ao eleitor

A eleição virtual para reitor que está sendo realizada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) pode ser vista como um laboratório para outros pleitos que irão acontecer neste ano, tanto nas universidades quanto nas eleições gerais. Com a suspensão das aulas eo impedimento de haver aglomerações, os candidatos precisam pensar em novas estratégias para substituir os encontros face a face, tão importante em campanhas políticas.

Esse tipo de campanha exige profissionais especializados em comunicação on-line, tanto para produzir materiais para sites e redes sociais quanto para planejar a melhor estratégia de chegar aos eleitores. No caso da UTFPR, que tem sedes espalhadas em 13 cidades de diferentes regiões do Paraná , isso se torna ainda mais complicado.

Na campanha de Marcos Schiefler à reitoria, os santinhos foram substituídos por posts em redes sociais e em grupos de aplicativos de mensagens e os encontros nos campi por reuniões no Google Meet. O contato direto com eleitor é feito via Facebook e plano de gestão, que antes era entregue impresso agora é enviado por e-mail e discutido via videoconferência. Os apertos de mão e declarações de apoio viraram “likes” e compartilhamentos. “É uma situação inusitada que buscamos enfrentar com disposição e serenidade. Uma eleição virtual tem vantagens e desvantagens, mas acredito que é um caminho sem volta”, afirma o candidato.

De acordo com a professora Áurea Niada, doutora em Administração (Marketing) pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), a comunicação nas Redes Sociais precisa ser muito bem estruturada para comunicar o conteúdo e transmitir a mensagem de forma leve e descontraída. Os candidatos precisam ser muito mais diretos, claros e coesos em suas falas e posicionamentos pois eles não competem diretamente um com o outro, mas sim pela atenção do público. Levará vantagem aquele que tem um conteúdo mais relevante, com propostas e valores bem definidas e com uma postura muito mais próxima do seu público”.

Calcanhar de Aquiles

Alguns problemas já se vislumbram na eleição que a universidade tecnológica está realizando. Um deles é o acesso dos eleitores às tecnologias necessárias para acompanhar a campanha e as discussões, bem como o acesso de pessoas com deficiência à campanha. Sem infraestrutura adequada como redes de internet e equipamentos disponíveis e adaptados, a campanha pode sofrer distorções e excluir grande parteda comunidade acadêmica.

Em pesquisa realizada pela reitoria da UTFPR em maio, com o objetivo de ofertar atividades didáticas não presenciais, 42% dos estudantesdisseram não ter condições de acessar aulas à distância e 31% apontaram dificuldade de acesso a equipamentos para o acompanhamento das atividades remotas. Esse tipo de situação interfere também nas condições de realização das campanhas eleitorais, uma vez que o tempo e a forma de acesso à internet são limitados.

Além disso é necessário conseguir acessar os próprios votantes, uma vez que esse público está diluído na internet e fica difícil aglutiná-lo. A Reitoria da UTFPR não liberou acesso aos e-mails institucionais de acadêmicos e servidores, alegando que isso desviaria a sua finalidade, o que faz com que cada candidato tenha que buscar individualmente os mais de 32 mil eleitores.

A pesquisadora Áurea Niada alerta que também é importante uma auditoria rigorosa e transparente para contabilização dos votos. “Em eleições virtuais não se pode descartar a possibilidade de manipulação em diferentes etapas do processo de votação e a vigiliância das autoridades competentes deve ser redograda”, afirmou.

Pontos positivos

Na análise do professor Schiefler, que disputa a eleição com o atual reitor, as campanhas virtuais geram oportunidade para otimizar a maneira como a universidade se comunica com a comunidade acadêmica e possibilitam a redução da emissão de poluentes e lixo. “A eleição virtual tem aspectos positivos significativos, mas devemos lembrar que ela deve ser feita de modo equilibrado com igualdade de condições entre aqueles que disputam o pleito”, afirma. Um dos fatores de equilíbiro, segundo Schiefler, a instituição atuar fortemente para divulgar o pleito para estudantes, professores e técnicos administrativos e fornecer acesso pleno aos votantes. Ele afirma que a reitoria da UTFPR tem se empenhado pouco nessas duas ações.

Na eleição para reitor da UTFPR a campanha tem duração de 25 dias, o que é considerando um espaço de tempo curto para quem não está diretamente envolvido na administração da universidade. Para se tornar reitor o candidato precisará, nesse prazo, convencer os eleitores que estudam nas 13 cidades onde há campus da instituição, mas que não necessariamente estão nessas cidades neste período de pandemia. A eleição ocorre no dia 30 de junho de 2020.

UTFPR realiza debate entre candidatos a reitor

O primeiro debate da primeira eleição virtual da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) será realizado hoje, dia 19, às 19 horas, e será presencial. O debate entre os candidatos será realizado no miniauditório do campus Curitiba apenas com os candidatos, que podem levar apenas dois acompanhantes, e as equipes de filmagem, sendo vedada a participação de público no local. As perguntas dos representantes da comunidade acadêmica devem ser enviadas previamente e serão sorteadas na hora do debate em um dos blocos pelo mediador. O debate será transmitido pelos canais da própria universidade na internet.

Este debate também servirá como um laboratório para outros pleitos que irão acontecer neste ano, tanto em outras universidades federais quanto nas eleições municipais, que também sofrerão os efeitos da pandemia do novo coronavírus. Com a suspensão das aulas eo impedimento de haver aglomerações, os candidatos precisam apostar nos meios virtuais para acessar os eleitores.

Para participar os membros da comunidade acadêmica podem enviar perguntas previamente para o emailperguntasdebatereitor2020@utfpr.edu.br, observando a seguinte estrutura:

1) Assunto do Email: Perguntas para debate de candidatos a reitores da UTFPR - 2020

2) Segmento do (a) perguntante: Discente, docente, TA, ou entidade (neste caso informar qual)

3) Câmpus do (a) perguntante:

4) Tema geral: Por exemplo, ensino, inclusão, R.U, pesquisa, saúde mental, autonomia universitária, etc.

5) Descrição da Pergunta: Elabora a questão da forma mais direta e objetiva possível, pois será lida pelo mediador da forma como colocada:

Camilo Catto/Asimp

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