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Foi o segundo encontro para discutir o tema organizado pela Câmara de Londrina durante a pandemia

A Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Câmara Municipal de Londrina realizou, ontem (27), reunião extraordinária remota para discutir a retomada das aulas nas escolas públicas e privadas da cidade. O encontro foi solicitado por representantes de entidades ligadas ao setor de ensino na cidade. Esta foi a segunda reunião sobre o tema realizada pela comissão durante a pandemia de covid-19. Participaram vereadores e representantes das secretarias municipais de Educação e de Saúde, de sindicatos e de associações.

O presidente da comissão, vereador Amauri Cardoso (PSDB), defendeu que a Prefeitura de Londrina tome medidas para minimizar as dificuldades financeiras enfrentadas pelas instituições de ensino particulares e para garantir o emprego dos trabalhadores. Segundo ele, o município tem autorização legal para contratar escolas particulares para receber alunos de forma gratuita, mediante vouchers. “A comissão propôs ao prefeito que contratasse escolas particulares, pagando, porque temos uma lei que autoriza a compra de vouchers nas escolas particulares, mas até agora isso não foi implementado. É o momento de encontrar estratégias”, argumentou.

O vereador Eduardo Tominaga (DEM), vice-presidente da comissão, defendeu um debate técnico e destacou que o prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), anunciou a prorrogação da suspensão das aulas na cidade até o dia 31 de agosto. “O prefeito tomou a decisão ontem falando que [as aulas] só voltam a partir de 1º de agosto. Essa data já foi mudada tantas vezes. A gente precisa enxergar de fato em que nível que a gente precisa chegar para que as escolas voltem à suas atividades”, afirmou.

Nas escolas municipais, o mês de agosto será destinado ao planejamento da volta às atividades, ainda sem data definida. A gerente de formação continuada da Secretaria Municipal de Educação de Londrina, Viviane Barbosa Perez, afirmou que está em elaboração um plano de mobilidade para o retorno às aulas presenciais nas escolas públicas do município. O documento, segundo ela, terá orientações e diretrizes para que cada instituição possa construir os próprios planos de trabalho de retomada. “As escolas têm as suas diferenças, com características, condições e padrão estrutural diferentes. Estamos construindo diretrizes importantes para o momento do retorno”, explicou.

Em relação às escolas privadas, o vereador Amauri Cardoso questionou se não haveria a possibilidade de elas retornarem as atividades a partir do dia 15 de agosto. A diretora-geral da Secretaria Municipal de Saúde, Rosilene Machado, se comprometeu a repassar a sugestão para o secretário de Saúde e para o grupo de trabalho existente na pasta. Antes, durante a apresentação, Machado argumentou que a covid-19 está em um ritmo de crescimento em Londrina e que, neste momento, não seria prudente flexibilizar a atuação das escolas. “Ampliar um pouco mais não é o que estamos recomendando. Fazemos a análise todos os dias. Sabemos das dificuldades financeiras que estão acontecendo. Tentamos alinhar, mas tem que ter um pouco de segurança. Neste momento a perspectiva é de não retornar em agosto, que será um mês de muita preparação, para poder retornar ainda neste ano, mas não temos uma previsão de um mês [específico]”, argumentou.

O presidente do Sindicato dos Profissionais das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná (Sinpro), André Cunha, afirmou que, desde o início da pandemia, em março, mais de 9 mil profissionais do setor tiveram os salários reduzidos ou suspensos. Cunha mostrou-se favorável à volta às aulas. “Achamos que é a hora de discutir a possibilidade de retorno com segurança para garantir postos de trabalho. Não adianta não voltar e quando voltar não ter escola”, defendeu.

O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Norte do Paraná (Sinepe/NPR) informou que, desde abril, tem elaborado protocolos para o retorno às atividades. De acordo com o diretor do sindicato, Alderi Ferraresi, Londrina tem 140 escolas particulares de educação infantil e fundamental I, com 15 mil alunos. Ele argumentou que a volta às aulas será apenas para atender aos pais que não têm condições de trabalhar e cuidar dos filhos concomitantemente. “O porcentual de adesão não é tão significativo. Não é a maioria. Estamos pesquisando este assunto agora, mas tenho certeza de que os que querem voltar, o querem por extrema necessidade do pai e da mãe, quanto ao trabalho, ou da criança e do adolescente, que depois de quatro meses está num estado de saúde mental abalado e precisa estar na escola”, justificou.

A presidente da Associação das Escolas Particulares e Profissionalizantes de Londrina, Naiani Matchula, afirmou que, com as escolas fechadas e com a volta das atividades no comércio de rua e dos shoppings, há pais que deixam os filhos com cuidadores e babás, que atuam em casa. “Sabemos que estes ‘espaços babás’ estão existindo. As crianças estão se aglomerando e a escola, que tem todo o suporte pedagógico e sanitário para receber as crianças, não pode funcionar”, afirmou.

Também participou da reunião o representante das escolas livres de idiomas, Ely Torresin de Oliveira, que reforçou a necessidade da volta das atividades presenciais em paralelo com as virtuais. “Nosso pleito é que a gente tenha a possibilidade de conversar com o pai e avaliar se quer trazer de volta agora ou quer esperar. [...] Não faz sentido uma escola de idiomas que tem 120 alunos ficar presa a uma deliberação baseada nos números do município, que são gigantescos comparados com os nossos”, argumentou.

A representante do transporte escolar legalizado de Londrina, Vania Martins, afirmou que estuda protocolos de atendimento às crianças numa possível volta às aulas, e relatou dificuldades econômicas enfrentadas por profissionais que, inclusive, tiveram de vender seus veículos para sobreviver. “Muitos já estão abandonando o ramo. Vai ter uma demanda para o ano que vem e não sabemos como vai ficar”, afirmou.

O vereador Ailton Nantes (PP), presidente da Câmara de Londrina, ressaltou as dificuldades vividas por profissionais ligados às escolas particulares e ao transporte escolar. “A situação não está fácil. Precisamos tomar uma direção e indicar alguma ajuda daquilo que está ao alcance da Câmara para auxiliarmos o Executivo a encontrar uma saída para que as transportadoras possam voltar, bem como as escolas particulares que não aguentam mais e precisam de uma solução imediata”, argumentou.

O vereador Madureira (PTB) defendeu a retomada das atividades presenciais com as precauções devidas. “Essa paralisação está na hora de ser revista. Devem ser olhados com carinho os protocolos de atendimento porque [a suspensão das atividades] afeta diretamente a família das crianças e dos profissionais. Tenho certeza de que, com um protocolo muito bem elaborado, isso será possível”, defendeu.

Marcela Campos/Ascom/CML

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