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Educando na Fé 09/03/2012  08h01

Mulheres Cidadãs

O futuro do mundo depende essencialmente da magnanimidade de suas mulheres. Temos extraordinários exemplos delas em todos os países, desde as mais destacadas às mais simples, a começar pela mais singela das mães. Aqui exalto, por oportuno, a grandeza da doceira de Goiás, no vasto interior do Brasil, e exímia poetisa*¹ Cora Coralina (1889-1985). Tendo apenas instrução primária, ela publicou seu primeiro livro aos 75 anos de idade. A escritora tem seu rosto retratado no painel A Evolução da Humanidade, no Salão Nobre do Templo da Boa Vontade, situado em Brasília/DF, Brasil. Disse a saudosa Cora:— Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
É o talento do povo bem instruído e espiritualizado que transforma miséria em riqueza! A fortuna de um país situa-se, antes de tudo, no coração solidário e na consciência esclarecida de sua gente. É neles que se encontra a capacidade criadora. É assim em todas as nações. 
Há muito levantara-se Benjamin Franklin (1706-1790) para dizer:— A verdadeira sabedoria consiste em promover o bem-estar da Humanidade.
As pinturas acima são de algumas que compõem o painel A Evolução da Humanidade, instalado no Salão Nobre do Templo da Boa Vontade. Uma homenagem a diversas personalidades, incluindo mulheres que entraram para a História por sua atuação marcante em favor do progresso espiritual e humano. Aqui estão representadas (1) Maria Santíssima, Mãe de Jesus, o Cristo Ecumênico; (2) Eleanor Roosevelt, diplomata e ativista política norte-americana; (3) Marie Curie, física polonesa, Prêmio Nobel de Física (1903) e de Química (1911); (4) Joana d’Arc, santa e heroína francesa; (5) Florence Nightingale, enfermeira britânica, é considerada a fundadora da enfermagem moderna; (6) Fernanda Montenegro, premiada atriz brasileira; e (7) Madre Teresa de Calcutá, missionária católica nascida na cidade de Skopje, Macedônia.

Há muito que aprender com o próximo
Conforme afirmei, em 1981, ao jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Parisi Rappoccio e reproduzi emGlobalização do Amor Fraterno*², nunca como agora se fez tão indispensável unir os esforços na luta contra a fome e pela conservação da vida no planeta. É imperioso aproveitar o empenho de todos, ambientalistas ou não, como também de trabalhadores, empresários, economistas, o pessoal da mídia, sindicalistas, políticos, militares, advogados, cientistas, religiosos, céticos, ateus, filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas, esportistas, professores, médicos, estudantes (ou não, bem que desejamos que todos passem pelos bancos escolares), donas de casa, chefes de família, barbeiros, manicures, taxistas, varredores de rua e demais segmentos da sociedade. 
A primeira mulher a ir ao espaço (1963), a cosmonauta russa Valentina Tereshkova, resumiu numa frase que muito tem a ver com a gravidade do que estamos enfrentando ante o problema do aquecimento global: — Uma vez que você já esteve no espaço, poderá apreciar quão pequena e frágil a Terra é. 
O assunto tornou-se dramático, e suas perspectivas, trágicas. Pelos mesmos motivos, urge o fortalecimento de um ecumenismo que supere barreiras, aplaque ódios, promova a troca de experiências que instigue a criatividade global, corroborando o valor da cooperação sócio-humanitária das parcerias, como, por exemplo, nas cooperativas populares em que as mulheres têm forte desempenho, destacado o fato de que são frontalmente contra o desperdício. Há muito que aprender uns com os outros. O roteiro diverso comprovadamente é o da violência, da brutalidade, das guerras, que invadiram lares por todo o orbe. Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, enfatizava que as batalhas pelo Bem exigem denodo. Simone de Beauvoir (1908-1986), escritora, filósofa e feminista francesa, acertou ao afirmar:— Todo êxito envolve um sacrifício. 
Resumindo: cada vez que suplantarmos arrogância e preconceito, existirá sempre o que absorver de justo e bom dos componentes desta ampla “Arca de Noé”, que é o mundo globalizado de hoje. Daí preconizarmos a união de todos pelo bem de todos, porquanto compartilhamos uma única morada, a Terra. Os abusos de seus habitantes vêm exigindo providência imperativa: ou integra ou desintegra (...), razão por que devemos trabalhar estrategicamente em parcerias que promovam prosperidade efetiva para as massas populares.
Data Histórica: Presidenta Dilma Rousseff abre sessão da ONU
Em 21 de setembro de 2011, a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, fez o discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, tornando-se, assim, a primeira mulher a iniciar o evento. Tradicionalmente, é do Brasil a tarefa de abrir o encontro. Em seu pronunciamento, expôs as preocupações do país em torno do equilíbrio econômico internacional, do desenvolvimento social, dos direitos humanos e da questão do meio ambiente, destacando o papel feminino na construção de um mundo mais justo. 
“Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o debate geral. É a voz da democracia e da igualdade... Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste planeta, que, como eu, nasceram mulher (...). Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino.
“(...) Sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer a seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho do lar cria as gerações futuras. Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da luta política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje. Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade”, declarou a presidenta Dilma, emocionada.
Tributo a Wangari Maathai
Como os debates desta 56a sessão da Comissão do Status da Mulher têm por principal tema “O empoderamento da mulher rural e seu papel na redução da pobreza e da fome, no desenvolvimento e nos desafios atuais”, nada melhor que transcrever aqui a justa homenagem que prestamos na edição de março de 2009 da revista BOA VONTADE Mulher, ainda em vida, à grande ativista Wangari Maathai (1940-2011), símbolo de paz, democracia e defesa do meio ambiente: 
A árvore tornou-se no Quênia um sinônimo da luta pela democracia, pela Paz e pela preservação da cultura africana. Isso graças ao trabalho de Wangari Maathai, eleita “Mulher do Ano” em 1983. Nascida no distrito queniano de Nyeri, no dia 1º de abril de 1940, transformou em realidade o que parecia utopia para o seu povo: melhorar a qualidade de vida. Passando a infância em contato direto com a Natureza, ao longo do tempo percebeu a destruição da biodiversidade e a diminuição da capacidade das florestas de conservar água, por causa da má utilização dos recursos e da invasão de áreas verdes por plantações comerciais, dificultando, desse modo, a sobrevivência em seu país.
Formada em Ciências Biológicas pela Mount St. Scholastica College, no Kansas, e mestre pela Universidade de Pittsburgh (EUA), Wangari foi a primeira mulher do centro-leste da África a buscar doutoramento. Em 1971, obteve o diploma de Ph.D. pela Universidade de Nairóbi, onde lecionou Anatomia Veterinária e, em 1976, foi chefe do departamento dessa matéria — cargo nunca antes ocupado por uma mulher.
Ainda em 1976, começou a atuar fortemente no Conselho Nacional de Mulheres do Quênia. A partir desse trabalho, iniciou em 1977 o Green Belt Movement (Movimento Cinturão Verde). As mulheres responsáveis por suprir as necessidades básicas de suas famílias eram as primeiras a perceber os estragos ambientais, pois enfrentavam imensas dificuldades em cumprir suas funções sociais por causa da escassez de alimentos. Ao notar isso, a “Mulher do Mundo”, de 1989, não se intimidou diante do desafio. Em 2004, tornou-se a primeira africana a receber o Prêmio Nobel da Paz, por sua contribuição ao desenvolvimento sustentável, democracia e Paz.
Em quase 30 anos de atividades, Wangari Maathai e o Green Belt Movement não apenas ajudaram as mulheres de seu povo a plantar 30 milhões de árvores — que proporcionaram combustível, alimentos, abrigo, emprego e melhoria do solo e das bacias hidrográficas, reduzindo, assim, a pobreza, resolvendo problemas ambientais e atendendo às carências fundamentais das famílias —, mas também se mostraram aptos a transformar o pensamento de inferioridade arraigado na população, levantando a autoestima dos compatriotas.
O Green Belt Movement zela pela herança cultural africana, por isso busca manter as tradições, respeita a biodiversidade de cada local e colabora para preservar as sementes nativas e plantas medicinais.
Em 2002, membros desse movimento, organizações da sociedade civil e o povo queniano foram capazes de instituir uma transição pacífica para um governo democrático. Nesse mesmo ano, a professora Wangari foi eleita para o Parlamento com esmagadores 98% dos votos. Em seguida, nomeada ministra-assistente do Meio Ambiente, Recursos Naturais e Vida Selvagem, do 9o Parlamento do Quênia, cargo que exerceu até 2007. À militância pacífica pela recuperação das florestas, ela aliou a luta para pôr fim à dívida externa dos países pobres.
Ao Espírito Eterno desta notável ativista, onde quer que esteja, pois os mortos não morrem, as melhores vibrações de Paz da LBV.
*¹ Cora Coralina (1889-1985) — Pseudônimo adotado por Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Nasceu na cidade de Goiás/GO (conhecida também como Goiás Velho), Brasil. Com apenas os estudos primários, começou na adolescência a escrever seus primeiros textos, publicando-os nos jornais locais. Mulher simples que, por mais de vinte anos, trabalhou como doceira e abraçou o ofício de poetisa. Como escritora, recebeu diversos prêmios e, em 1983, foi agraciada com o título de doutora honoris causa pela Universidade Federal de Goiás.
*² Globalização do Amor Fraterno — Publicação dirigida pela Legião da Boa Vontade aos chefes de Estado, alto comissariado, setor privado e sociedade civil de mais de 100 países, reunidos pela ONU no High-Level Segment 2007, do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc), no qual a LBV possui statusconsultivo geral. O evento se deu no Palais des Nations, escritório central da organização, em Genebra (Suíça), de 2 a 5 de julho daquele ano. 

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

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