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Educando na Fé 16/04/2009  08h01

Vencer o sofrimento do corpo e da Alma

O conforto espiritual no Apocalipse

Geralmente, fundam-se instituições tendo em vista aqueles que necessitam de bens materiais, destituídos daquilo que os olhos penosamente testemunham. Todavia, o padecimento das gentes vai muito além do que se comprova na triste visão da pobreza humana. A dor não se encontra apenas nos barracos, nos mocambos, nos charcos, nos dias e madrugadas em que a LBV, ininterruptamente, levanta os mendicantes com a Ronda da Caridade (socorrendo o povo há quase cinquenta anos). As angústias também estão, e ferozes, nas mansões, nos apartamentos de luxo, nos palácios, onde o Amor nem sempre habita. E não há maior sofrimento do que a ausência dele.

Clamando por tranquilidade d’alma

Lá, nos ambientes requintados, há igualmente mães que choram a incompreensão dos filhos e filhos que sofrem o abandono dos pais; casais que não se compreendem; enfermos cercados de atenções médicas, mas sem a sustentação dos corações que mais amam. (...) Todos enfrentamos problemas. Todos! Se o drama não é estritamente pessoal, padece-se por alguém muito querido. Um mundo de paradoxos, de contrastes impensáveis. Em última análise, somos simples seres falíveis, clamando por tranquilidade d’alma; instintivamente anelando a concórdia, aliada ao conhecimento da Verdade, de preferência a Divina. Jesus, o Grande Amigo que não abandona amigo no meio do caminho, possui capacidade para iluminar o íntimo das criaturas. Ensinava Alziro Zarur (1914-1979): “Nenhum sofrimento é vão, nenhuma lágrima se perde. A vida humana é apenas uma preparação para a Verdadeira Vida. Não há um pranto sequer que Deus não veja. E quem não chora a sua lágrima secreta? O Pai Celestial guarda-as para toda a Eternidade”. As dos pobres e as dos ricos, pois o que importa, numa sociedade realmente solidária, é o Ser Humano!

No Evangelho, segundo Mateus, 11:28, e consoante João, 15:5 e 14:18, o Cristo generosamente nos convida: “Vinde a mim todos vós, que estais exaustos e oprimidos, e vos darei lenitivo. Eu sou a árvore, vós sois os ramos. Nada podereis fazer sem mim. Não vos deixarei órfãos”.

O conforto espiritual no Apocalipse

E essa consolação nos fortalece neste momento em que a violência campeia livre pelo mundo.

Algumas pessoas não sabem, mas o Apocalipse (não o confundir com previsões de fim de ano nem com Nostradamus) do mesmo modo oferece alento aos que o analisam sem ideias preconcebidas, as quais não soam bem ao pensamento libertário da era em que vivemos. Ele anuncia, para os que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir, o mais glorioso acontecimento de todos os tempos da História — a Volta de Jesus. Por que não?! Victor Hugo (1802-1885) costumava lembrar que quem hoje afirma que algo é impossível tacitamente se coloca do lado dos que vão perder. No Livro da Revelação, 2:10 e 22:12, o Divino Senhor conforta: “Não temas as coisas que tens de sofrer. (...) Sê fiel até à morte, e Eu te darei a coroa da Vida. (...) Comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”.

É indispensável, portanto, orar e vigiar, mormente nas ocasiões de crise, qualquer que seja o local ou o instante. A dor não aguarda oportunidade para bater à porta do coração. E a prece não é somente útil nos transes dramáticos da vida, mas essencial na hora de buscar as soluções para os desafios de ordem filosófica, política, econômica, científica, religiosa, artística, esportiva etc.

Orar = meditar

Orar e meditar assemelham-se. Ser humilde perante a Verdade é conduta imprescindível. Assim pensava o ilustre professor e missionário metodista Eli Stanley Jones (1884-1973), que permaneceu largo período de sua vida na Índia e visitou várias vezes nosso país: “A humildade é a essência da Criação Divina. A primeira providência para o encontro com Deus é liquidar com o orgulho. Quando a pretensão termina, o poder tem início”.

Convém igualmente recordar esta advertência de Confúcio (551-479 a.C.): “Pague a Bondade com a Bondade, mas o mal com a Justiça”.

É oportuno, porém, destacar que o mestre de Mêncio não falava de revanche, mas de Justiça.

A Oração Ecumênica de Jesus

A vocês, prezados leitores, pois, dedicamos a admirável rogativa que Jesus nos legou, como um convite à reflexão nos momentos de angústia. Nunca é demais elevar o pensamento e o coração ao Altíssimo. A Prece que o Cristo ensinou, clara, concisa e prática, é perfeita para todos os instantes da vida, na alegria ou na tristeza, mormente agora, num mundo em que tudo acontece com velocidade espantosa. Qualquer um pode rezar o Pai-Nosso. Ele não se limita a crença alguma. Trata-se de uma oração universal, consoante o abrangente Espírito do Cristo. Qualquer pessoa, até mesmo ateia (por que não?!), pode proferir suas palavras sem sentir-se constrangida. É o filho que se dirige ao Pai, ou é o Ser Humano a dialogar com a sua elevada condição de criatura vivente. É a Prece Ecumênica por excelência:

“Pai Nosso (ou diria o Irmão Ateu, ó minha consciência que paira na altitude do meu ideal!), que estais no Céu (e em toda parte ao mesmo tempo), santificado seja o Vosso Nome. Venha a nós o Vosso Reino (de Justiça e de Verdade). Seja feita a Vossa Vontade (de preferência à nossa vontade, enquanto não aprendamos a tê-la corretamente) assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia dai-nos hoje (além daquele que sustenta o corpo, necessitamos do transubstancial, a comida que não perece, o alimento para que o Espírito não esmoreça). Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoarmos aos nossos devedores. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, porque Vosso é o Reino, e o Poder e a Glória para sempre. Amém!”.

Que a Paz de Deus esteja agora e sempre com todos nós.

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@uol.com.brwww.boavontade.com

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