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E como era gostosa essa brincadeira. Uma caneca velha, raspas de sabonetes ou sabão em barra, depois sabão em pó, dissolvidos na água, um canudinho do talo das folhas de mamonas, e estava feita a festa. Mais tarde os canudos de mamonas foram substituídos pelos de plásticos, destes para refrigerantes e sucos. Surgiram até brinquedos industriais, para fazer bolinhas de sabão! Mas nada que pudesse substituir o gostinho de sabão que ficava no canudinho de mamona.

Jamais consegui embora na minha infantil tentativa buscasse, contar as cores das bolinhas que fazia, e eram sensacionais as tardes de domingo com a turma reunida num campeonato de bolinhas de sabão. Eram diversos quesitos pelos quais se brigava simultaneamente, como a maior bola, a mais colorida, que voava mais alto ou mais longe, quantas se conseguia emendar em uma só “canudada”, ou ainda a que mais tempo demorava para explodir. Soltar a bola e depois conseguir apoiá-la no canudo sem explodir e carregá-la por um bom tempo, era então coisa de craque!

Não seria sincero se não dissesse que em muitas daquelas bolas coloridas, se foram também alguns sonhos de infância. E de jovem também quando brincava de bolinha de sabão com os irmãozinhos da namorada. Os olhos brilhando atrás de um sorriso apaixonado no rosto da namorada era um sonho real demais para cada bolinha explodida. Mas... Fazer o que?

O chato é que mais tarde, muitos querendo se fazer de engraçadinhos e artistas especiais molhavam o canudinho na água com sabão, enchiam a boca com a fumaça de seus cigarros, e sopravam bolinhas cinzas, sem colorido, e que quando explodiam, deixavam o cheiro da fumaça no ar.

Mas confesso também a vocês que a pouco enquanto escrevia esta crônica, me deu uma vontade de fazer bolinhas de sabão. E fiz!

Uma caneca de alumínio, sabão em pó dissolvido na água, e um canudo improvisado no casco vazio de uma caneca esferográfica. Gente! No cair da tarde e começo da noite, elas ficaram ainda mais bonitas! Não sei se errei na dose e a espuma ficou muito grossa, mas o certo é que algumas saíram voando de minha janela e foram para tão longe que nem sequer as vi estourar.

Mas de qualquer maneira me fizeram lembrar aquela menina de pele clara e olhos negros, do meu tempo de moleque, que roubando umas gotas do perfume de rosas de sua mãe, nos deixou ainda mais embalados pela saudade do perfume de suas bolinhas de sabão!

E eu, sentado na calçada de canudo e canequinha, e bolinhas de sabão!

Plin!

Esta coluna está em mais de setenta jornais impressos e eletrônicos do Brasil e Exterior. Antonio Jorge Rettenmaier, é membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.

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