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Fala Sério! 24/04/2009  09h04

Deixa eu contar suas costelas, benhê!

Putz! Putz! E mais trezentos mil Putz!

O negócio é o seguinte: O Boca me ligou na sexta-feira a noite, para reclamar de uma situação que eu teria criado. Mas poxa Boca, eu não tenho culpa, cara!

Segundo ele, quando ainda de férias na praia com a família toda, sentiu que sempre que chegava da rua, a mulher velha se chegava, ficava alisando suas costas, seu peito, esfregando os dedos com força em suas costelas. E ele estava gostando, mas como tinha muita gente na casa, o remédio era ficar frio ou tomar banho de mar. Na volta do veraneio, retomou seus passeios, o bate papo com a turma da esquina, a cervejinha de sempre. Ao voltar prá casa, a mulher velha de novo nas suas costelas . Não deu prá aguentar. Só os dois em casa, festa feita, me disse ele! O gozado contou ainda, é que quando não saía ela não vinha pro seu lado! Sentiu então que o negócio era dar uma voltinha no final de tarde, que parece que a velha se assanhava com sua chegada.

Quando quis saber dele em que eu tinha culpa nisso, ele não perdoou: “Estas coisas que você anda escrevendo na sua coluna, poxa!” E eu mais do que depressa queria saber dele de que se estava gostando da animação toda da mulher velha, porque a bronca comigo? Mesmo em meio ao evento, fiquei preocupado, porque senti na voz do meu amigo, não um tom de irritação, mas de frustração, quase depressão.

“Aí que tu entra com tuas escritas, meu! Lembra daquela que tu fala de que a mulher se enrosca na gente porque está procurando o resto de nossas costelas, já que ela é uma delas?” Lembrava sim, era de poucas semanas atrás.

“Pois é, cara! Esta semana quando a Maroca (este o nome da mulher do Boca) veio de novo me esfregando as costelas e me assanhei todo, levei o maior tranco, meu! Ela me olhou e disse: “Deixe de ser safado, velho assanhado! Tá achando que nos temos dezoito anos, é? Eu não agüento mais tantos dias seguidos assim não!”

“Me invoquei, disse ele, e queria saber qual era a dela então de ficar me esfregando as costelas todo o dia que voltava da rua.”

“É que eu li no tal do fala sério que a gente é uma costela do nosso homem! Daí que esfregando as suas, fico contando prá ver se não falta mais nenhuma! Se faltar é porque você já deu uma outra costela prá alguma outra mulher também!”

“Tá vendo que tu fez comigo, cara? Quis saber o Boca.

Putz! Putz! E mais trezentos mil Putz!

Dizer o que, para consolar meu amigo? No fundo, no fundo, senti que não deixava de ter um pouco de culpa na estória toda, mas também não tenho nada a ver, se a Dona Maroca entendeu as coisas meio atravessadas, ora bolas!

Só que agora me ocorreu que, neste exato momento sua mulher pode estar contando suas costelas, meu amigo!

Cuidado! E olhe aqui, ó! A culpa não será minha, principalmente se ela cismar de que está faltando uma, certo?

Um abraço! Até semana que vem!

Antonio Jorge Rettenmaier, Escritor, Colunista e Palestrante, membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.

Esta coluna é publicada em 52 jornais impressos e eletrônicos de 14 estados do Brasil e um dos EUA.

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