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Onde anda você, onde andam seus olhos que a gente não vê... É... O poeta sabia de saudade... E nós também sabemos, embora na maioria das vezes nem estejamos aí para ela, até que se nos aperta a garganta e nos deixe os olhos marejados.

Temos a mania de ligar logo o sentimento da saudade ao fim de um amor ou romance, porque assim sempre o foi, esquecendo-nos, por exemplo, da saudade de nossos tempos de criança, dos tempos em que ainda respeito e carinho pelo próximo tinham seu valor, ou até mesmo de quando ainda caráter e ética eram elementos primordiais no ser humano.

Cuba Libre, Hi-Fi, Samba, picadinho de queijo, de linguiça, também deixam saudades. Disse deixam e não deixaram, porque na nossa memória ainda estão tão vivos que até podemos sentir o gosto na boca... Hum...

Há também a saudade dos bailinhos de fim de semana, a brincadeiras dançantes, o escurinho do cinema, paqueras na praça ou no quiosque do centro, tanta coisa, que poderia se passar o resto do dia ou da semana, ou... Ou quem sabe até do mês para lembrar-se de tudo. E tudo trazendo saudades.

Mas para falar de saudade, não é nada fácil. Como é difícil assumir e dizer, “eu tenho saudades, sim!”. Sempre fica aquele medo do que os outros irão pensar de nós, mas quando finalmente criamos coragem e o dizemos, “Poxa... Que alívio! Tirei um peso de meus ombros!”  

Como é difícil para as pessoas assumirem que a saudade tem um gostinho especial sim, e como tem! Tudo bem! Mas e o que os outros irão dizer se eu confessar? “Mas é trouxa!” “Mas é bobo!” “Que coisa mais careta!”

Mas agora, quero confessar uma coisa! Posso?

Ando numa saudade de mim que só eu sei. De mim... Assim, ó! De cada momento da vida que não vivi, de cada sonho que não realizei, de cada gole que tomei, de cada paixão que morreu, de cada palavra que não disse por medo ou que não ouvi por covardia de quem deveria dizer.

E posso dizer de uma vez por todas, que sentir saudades da saudade, é a saudade mais saudade que existe! E por isso, como é gostoso sentir o gostinho das saudades... Da saudade!

Hei! Cadê as suas saudades hein?

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante, membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes. Esta coluna está em mais de setenta jornais impressos e eletrônicos no Brasil e Exterior.

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