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Essa foi a primeira explicação que ouvi quando perguntei como é que poderia aprender a escrever. Fui lá, e fiz um monte de amontoados de letras e levei para que lessem o que havia escrito. É claro que ninguém conseguiu, mas por outro lado me veio a segunda lição, de que deveria juntar as letras certas para formar cada palavra correta. Poxa! Mas que gente complicada os adultos! Só dois anos mais tarde no primeiro ano na escola, é que fui entender direito que tentaram me explicar de maneira rápida, mas sem exemplos, como é que se formavam as palavras. O gozado é que o que no começo parecia um bicho de sete cabeças tinha muitas mais, um alfabeto inteiro que logo foi dominado e decapitado. A mesma coisa foi querer saber por que um mais um eram dois e não três, e dois mais dois eram quatro e não vinte e dois. Só não gostava quando vinham com o tal do “se você tem quatro maçãs e tira uma, quantas ficam?”. Nem respeitavam meu pouco tamanho e já queriam levar vantagem! Gostava mesmo da hora de multiplicar! Aí sim era bom. Muito bom!

E sabem que até hoje de vez em quando é preciso perguntar às pessoas, como é que se formam as palavras? Elas até que sabem, mas estão simplesmente interessadas em fazer um amontoado de letras e não em formar palavras, e por isso na maioria das vezes, ficam sem dizer nada. É que lhes falta a coragem para colocar as letras certas na ordem correta. Na maioria das vezes as colocam na ordem correta, mas as letras formam palavras que poderiam ficar sem aparecer. Raiva, ódio, ciúme, por exemplo, tem a ordem certa, mas as letras erradas. E formam palavras corretas, mas de existência pouco desejadas. Ou não?

Para alguns, a vida ensina a somar, multiplicar, o que é bom. Para outros só aprendem a dividir e diminuir.

Outros tantos descobrem como colocar as letras certas para formar as palavras corretas, mas não são poucos os que usam as letras corretas para ensinar, as palavras erradas.

E você? Como gosta de juntar as letras,  menino?

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante, membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes. Esta coluna está em mais de oitenta jornais impressos e eletrônicos no Brasil e Exterior.

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