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Só falta tentar me convencer de que já é muito tarde para realizar seus sonhos. Não vai adiantar nada porque eu sei tanto quanto você que seu tempo está apenas começando.

Nada do que disser será levado em conta e muito menos usado em seu favor no tribunal. Talvez o único problema seja que você está de camisa de mangas compridas e com preguiça para arregaçá-las, mas se quiser uma ajuda eu posso pegar uma tesoura e cortá-las. Ficará uma camisa customizada como dizem por aí, e lhe deixará com os braços livres. Ou quem sabe o problema esteja nas mãos que lhe parecem ter dedos demais ou atrapalhados ou na cabeça que não consegue pensar direito. Talvez se pegasse em um fio desencapado seus dedos respondessem ao choque ou se levasse uma tapa na cabeça seus neurônios agitassem esse cérebro descansado. Se me disser que seus pés não querem se mover posso arrumar alguém calçando salto e bem fininho para pisar naquele dedão com unha encravada pela preguiça. Agora se disser que seu corpo todo não responde, então a única solução quem sabe sejam uns bons safanões. Alguns bons tombos às vezes nos fazem aprender a rolar e levantar sem sequer sair com arranhões.

Tá esperando o que? Que os outros passem na sua frente com largos sorrisos e rebolados de felicidade? Se bem pensado verá que isto já deve estar acontecendo, e você nem está notando. Claro! Tem medo até de pisar em uma poça de água na rua porque poderá levá-lo a um precipício sem fim, ou até mesmo ao outro lado do mundo e você não sabe falar japonês.  Já imaginou o terror que seria tropeçar em uma pedra solta na calçada? Torcer o tornozelo ao descer do meio-fio para atravessar a rua? Ou o pior, ser atropelado por um patinete na faixa de segurança. Imagine! Você tem toda razão! Sabe que pensando assim, não vale mesmo à pena arriscar porque senão, até mesmo um chiclete jogado na calçada pode prender seus passos, não?

Fique aí mesmo onde está, porque a felicidade realmente é muito difícil. Realizar sonhos requer imaginar e criar alguns pesadelos para atrapalhar, e principalmente acreditar naqueles que gostam de lhe ver ou gostariam de colocar do jeito que está.

Não me peça para massagear suas pernas porque tiveram que andar um pouco mais e nem suas costas curvadas de tanto andar olhando para o chão. Achou alguma nota de mil, achou? Não, não é?

Agora, se me der licença, tenho mais o que fazer, porque eu continuo correndo atrás dos meus sonhos. E olha que aos poucos estão se tornando reais, viu? 

E então? Tá esperando o que? Vai ficar aí parecendo relógio sem corda?

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante, membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes. Esta coluna está em mais de oitenta jornais impressos e eletrônicos no Brasil e Exterior. Obrigado à todos que têm enviado emails(ajrs010@gmail.com) e pudemos responder com o maior carinho.

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