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Que dela farei uma linda casa, diria alguém....

Se fosse um morador da favela, tentaria melhorar a imagem do barraco, mas se fosse um abastado, pensaria em portas esculpidas, assoalho envernizado por debaixo dos tapetes, escondessem esses o que escondessem.

O religioso faria uma nova capela ou um belo púlpito para pregar, e o folgado uma grande cama para se espreguiçar.

O guloso faria uma bela mesa para nela se fartar e o aventureiro um belo barco para navegar.

Seriam tantas e tão diversas as opções e propostas de quem recebesse uma árvore, que duvidamos que o preguiçoso sequer levantasse as vistas para olhar.

Podemos pensar no que uma criança imaginaria. Se fosse menina, um carrinho ou casinha de bonecas com seu instinto maternal. E se fosse menino um carrinho de mão ou quem sabe já preparando um futuro ocioso, um carrinho de lomba.

O dono de uma loja faria novos e belos balcões enquanto o agiota, uma bela e grande escrivaninha para sobre ela negociar.

Já o homem cansado deve estar sonhando com uma bela cadeira de balanço para cochilar, ou quem sabe uma linda bengala e forte para poder passear. Já a dona de casa, quem sabe uma bela tábua de bater bife, uma cristaleira nova e, quantos desejos mais...

Posso apostar que o boêmio pensaria em um violão com som macio para suas serestas, enquanto sua mulher quem sabe, num belo rolo de massas para sua chegada de madrugada.

Não dá para esquecer daqueles que fariam um grande baú para esconder suas mazelas, traições, mentiras e maldades, como se ali pudessem ser sepultados. Por sorte, teríamos também os românticos que fariam pequenas e coloridas caixas de recordações para guardar seus sonhos, alegrias e lágrimas de felicidade, bem protegidas do mundo cá de fora.

Agora, querem saber o que faria se me dessem uma árvore?

Bem. De alguns galhos faria um livro para guardar minhas palavras, sem esquecer de poupar outros tantos para que me dessem frutos e uma bela sombra para descansar. Em seu belo tronco, iria me recostar e sonhar.

Duvidam?

Me dêem uma árvore...

E vocês?

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante, membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes. Esta coluna está em mais de oitenta jornais impressos e eletrônicos no Brasil e Exterior. Obrigado à todos que têm enviado emails(ajrs010@gmail.com) e pudemos responder com o maior carinho.

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