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Fala Sério! 18/03/2010  10h20

No trem da vida...

Passamos a vida anexando mais e mais vagões na nossa composição... Cada um deles trazendo gente e coisas, momentos e fatos que formam nosso passado que sem saber só bem no futuro vamos olhar e ver, saber e sentir.

Não importa o número de vagões que consigamos arrastar a cada ano que anexamos às nossas vidas, cada um deles terá tanto coisa diferente que torna difícil qual deles o mais bonito, o melhor, o mais completo, ou qual deles gostaríamos de ter esquecido pelo caminho mesmo que se saiba que isto jamais seria possível.

No trem da vida também podemos contar as quadras e ruas que corremos com nossos passos, e depois de alguns milhares de quilômetros, de nada adianta reclamar daquela tropeçada em uma pedra solta na calçada, nem de um possível respingar de barro em nossas roupas, por um pisar em uma laje solta e alagada. Assim com no trem que passou por túneis escuros deixando nossos vagões por alguns segundos às escuras, também teremos passado por becos escuros por falta da uma lâmpada numa noite de temporal.

Podemos simplificar ainda mais as coisas se colocarmos no trem de nossas vidas a simples casa onde moramos, porque cada um de seus cantos vai trazer sempre o passado. Poderemos encontrar na mesa de refeições também a presença de uma cadeira vazia, a sobra ou a falta de um prato que ali deveria estar e não está mais. Na sala poderá até estar tombado ou sem foto alguma aquele porta-retratos, mas ele deixará sobre um móvel qualquer a marca de sua base, como que querendo perguntar... Para onde foi?

No trem da vida, do último vagão poderemos olhar na curva a locomotiva encabeçando a procissão de risos e lágrimas, tristezas e alegrias, e sentir que o mais importante é deixar mesmo que cada um dos gestos ou palavras se perca na fumaça que se espraia no tempo, mesmo que maldosos alguns muitos de seus chumaços acabem formando rostos e faces, paisagens e lugares que muitas vezes tentamos esconder debaixo do tapete da sala por talvez não termos sabido pedir ou dar o perdão.

Mas nada disso importa, porque do último vagão do trem da vida devemos lembrar de que se sofremos ou choramos, o importante são as emoções que vivemos.

Mas se o trem apitar agora porque está passando uma ponte sobre o rio, aproveite e da última janela de seu quem sabe último vagão, se livre das mágoas e desilusões, e se deixe levar pelas curvas até que se sinta que agora, de alma lavada.

E não adianta adiar, porque nós ainda estamos no trem na vida!

Antonio Jorge Rettenmaier, Escritor, Cronista e Palestrante, membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes. Esta Coluna está em mais de setenta jornais impressos e eletrônicos do Brasil e Exterior.

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