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Esta pergunta pode ser feita por algum desatento ouvinte, mas sentido duro ela tem quando vinda de alguém que sente sua verdade ameaçada, ou seu ato julgado negativo. Há também aqueles que se fazem de tontos especialmente quando você lhes pede um dinheiro emprestado e ele faz de conta de que não ouviu e tendo certeza de que você não vai repetir o pedido, e acabar o assunto com um “deixa prá lá”.

Que alívio não?

Às vezes até você se sente depois mais aliviado de eles não terem o ouvido, do que aqueles que se fazem de surdos.

Na roda de amigos na mesa de um bar, quem resolve chorar as mágoas e cortar o barato, sempre vai ouvir essa pergunta. E é bom você deixar prá lá mesmo.

E não adianta deixar passar por seu pensamento de que foram chatos com você, de quem é surdo não deve ir à missa, e outras coisas mais.

Você sempre irá ouvir “O que foi que você disse?”

Se por acaso você disse alguma coisa enquanto sua mulher estiver assistindo a novela e ela lhe fizer essa pergunta, esqueça! Você não conseguirá ficar tão bravo com ela quanto ela com você se lhe fizer alguma coisa durante um jogo de futebol. Aí sim o bicho poderá pegar, porque afinal de contas o futebol não é como uma novela onde os autores e atores, imitam a vida.

Pensando bem, se a gente lembrar os primeiros tempos de namoro, muitas e muitas vezes se repetiu de ambos os lados esta pergunta, sempre alguém de fazendo de desentendido.

O que foi que você disse?

Se for ao calor de uma discussão, é a busca da confirmação de que não se ouviu mal, e não se quer acreditar que nos tenham dito aquilo. E aí, bom... Aí ou alguém vai ficar mesmo sem saber o que lhe foi dito, vai custar a engolir o que ouviu, ou alguém vai ter medo de repetir. É daí que surge o gozado “É isso mesmo que você ouviu!” Se ouviu, já foi dito... E se não entendeu mesmo, deixa assim, que é melhor. Para que repetir? E não adianta que lhes gritem, “Repita se for capaz! Repita se tiver coragem!”

São poucos os que o fazem, especialmente se o dito é melhor ficar pelo não dito.

A propósito de tudo isso, o que foi que você disse?

Não disse, só pensou.

Tudo bem.

Mas duvido que alguém tenha tido necessidade de repetir um pedido de casamento porque lhe perguntaram... O que foi que você disse?

Antonio Jorge Rettenmaier, Escritor, Cronista e Palestrante, membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes. Esta coluna está em setenta jornais impressos e eletrônicos do Brasil e Exterior.

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