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Todos nós podemos ouvi-los. Logo cedo com o nascer do sol, o canto da manhã. Basta que abramos a janela, sintamos as primeiras brisas e digamos cheios de força, bom dia vida. Mesmo que o sol esteja escondido na neblina saberá responder na sua luz com a força para o resto de nosso dia, quem sabe nos trazendo o sorriso que em algum momento foi negado. O canto da tarde, já chega com mais preguiça e cansado, como se fosse uma sonolenta e teimosa melodia de uma sinfonia qualquer. Suas notas soam depois como se corressem um paraíso tropical. Começam a preparar o final de tarde que nos levará para qualquer lugar, até mesmo para casa. Sejam quais forem os resultados do dia. Já o canto da noite, nos leva a um sofá, a um bom papo, as reflexões dos cantos anteriores no displicente preparo para o carinho da madrugada. No canto desta, sentimos suas notas de carinho, descanso em seu regaço, com os sonhos que nos promete a cada dia. Não importa a estação do ano, vamos sentir seu calor tomando conta de nosso corpo e nossa alma. Porque afinal de contas, é o canto do amor. Agora só nos cabe saber esquecer os cantos de hoje, porque os do novo amanhecer, da nova tarde, noite e madrugada, serão outros. Quem sabe acompanhados até pelo tilintar das pérolas de uma garoa na nossa vidraça, novos alentos inspirados pelo sussurro da brisa. Serão sempre novos cantos, novos tons e sons. E tudo porque assim como os sons e os cantos, o amor e a vida também se renovam. E sempre, mesmo que insistamos em dizer que jamais os ouvimos, teremos os quatro cantos do dia.

Antonio Jorge Rettenmaier, escritor, cronista e palestrante.
Esta coluna está em mais de 90 jornais impressos e eletrônicos do Brasil e Exterior. Contatos ajrs010@gmail.com
 

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