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 Por Rodrigo Gutuzo

Após vários anos atuando no futebol italiano, o zagueiro Emílson Cribari, 31 anos, está de volta ao futebol brasileiro. Revelado pelo Londrina, ele reforça o Cruzeiro para a disputa do Campeonato Brasileiro. O jogador, que estava no Napoli, da Itália, chega por indicação do técnico da equipe mineira, Joel Santana. Ele chega por empréstimo de um ano, com opção de renovação por mais um. O Cruzeiro comprou 50% dos direitos econômicos e federativos do atleta.

O zagueiro Emilson Cribari, ou “Fit”, como é conhecido por muitos desde as categorias de base do Londrina, é nascido em Cambará, e criado em Londrina, onde residem os pais do atleta, empresários no ramo de materiais para construção no "Grande Jardim Bandeirantes, região oeste da cidade. Ele é casado com a londrinense Thalita Purga, ex-atleta de taekwondo e formada em educação física. Ele foi revelado pelo Londrina e, logo aos 17 anos,  foi contratado pelo Empoli, da Itália, onde permaneceu por seis anos. Após rápida passagem pela Udinese, em 2004, chegou à Lazio no ano seguinte. Teve uma passagem pelo Siena e, por último, estava no Napoli, todos da Itália.

Cribari concedeu uma entrevista exclusiva para o Jornal União, onde fala sobre a sua volta para o futebol brasileiro. O zagueiro falou sobre adaptação, avaliou sua passagem pela Itália e revelou a esperança de brigar por uma vaga na Copa do Mundo de 2014, que será disputada no Brasil.

Como foi a vinda para o Cruzeiro?

Teve muita especulação, interesses concretos, mas até o Cruzeiro, não tinha negociado com nenhum clube. Interesse mesmo foi do Botafogo, Grêmio, Palmeiras uns três meses atrás. Mas, oficialmente, só o Cruzeiro. O resto foi sondagem, especulação, interesse, mas proposta mesmo só do Cruzeiro.

Mesmo longe do país tanto tempo, vários clubes de ponta tiveram interesse no seu futebol

Meu nome ainda tem pouca força no Brasil, ainda é muito desconhecido, mas o que falou mais alto foi o meu currículo, que acumulei durante esse anos na Itália. O Cruzeiro avaliou meu currículo, pegou informações com jogadores com o Maicon (latera-direito da Internazionale e da Seleção) e Sorín (ex-lateral argentino, ídolo no Cruzeiro), e isso foi fundamental para concretizar a negociação.

Como você avalia sua passagem pelo futebol italiano?

Eu fiquei muito feliz pela minha passagem na Itália. Até mesmo porque sai daqui de Londrina, com 17 anos, sem saber o ia ser. Saí literalmente com a “malinha” nas costas, 300 dólares no bolso que minha mãe arrumou. Conquistei o que conquistei, com muitos altos e baixos, fases boas e fases ruins, mas mesmo assim, como eu parti do nada, desconhecido aqui do Brasil, eu me considero uma pessoa que foi para fora e venceu.

E quanto a adaptação ao futebol brasileiro?

As diferenças são enormes. Já estou sentindo na pele. Até mesmo porque, a imprensa ficou me ligando e eu estou acostumado a manter uma linha na Europa, que eu não posso dar declaração sem autorização do clube. Eu falava isso para eles, pedi desculpa, não estou acostumado, não posso dar declaração sem autorização do clube, mas já estou acostumando com essa diferença. Mas, me sinto como um garoto que está começando a jogar futebol agora, com motivação. Aquilo que eu vinha perdendo nos últimos anos lá. Só que com uma bagagem muito grande. Vou precisar de um breve período de adaptação, mas creio que minha experiência vai valer.

Para quem não conhece seu futebol, quais seriam suas características como jogador?

Eu tenho características como zagueiro moderno. A característica do zagueiro brasileiro é mais de marcação, mais de simplicidade na hora de sair jogando, um futebol mais “feio”. É uma diferença. A torcida brasileira aplaude um bicão. Na Itália, um bicão é vaiado. Eu vou precisar conciliar essas duas coisas. Sou um jogador que atua mais limpo, que joga antecipando, tem muito forte o jogo aéreo. Não sou desleal e nem de dar bicão.

Você tem acompanhado o Cruzeiro recentemente?

O Cruzeiro é uma unanimidade quando se fala de estrutura, time que mantem uma regularidade de vitorias, nos campeonatos sempre briga para chegar aos títulos. Eu estava com minha passagem praticamente pronta para voltar ao Napoli. Só que a grandeza do Cruzeiro pesou. Assisti o jogo quarta-feira (dia 06 de julho, vitória por 2 a 0 sobre o Grêmio) e o time é muito forte. E tem o treinador que é uma garantia, que é o Joel Santana. Então, tem tudo para gente brigar pelo título.

O Joel Santana chegou ao clube recentemente. Chegar assim, praticamente no começo do trabalho do treinador, é melhor?

Não tem muita diferença. Tive muita sorte de encontrar um “papai” igual o Joel. Vou conversar ainda com ele, sobre adaptação, período que vou precisar para entrar em forma. Até mesmo porque quero aproveitar ao máximo essa oportunidade e jogar cada jogo como se fosse o último. Pode abrir portas para mim que nem imaginava mais que abriria em minha carreira.

Seu pensamento agora é permanecer no Brasil e encerrar a carreira por aqui?

Futebol a gente nunca sabe, mas tem coisas que na carreira vão cansando. Essas mudanças são muito desgastantes. Até brinquei com o presidente do Cruzeiro (Zezé Perrella) que fiquei quase sete horas fazendo exames médicos e espero que seja a última vez na minha carreira. Quero dizer que pretendo terminar aqui no Cruzeiro. Mas, futebol não tem como saber. Acontece de uma hora pra outra.

Com 31 anos, existe o pensamento em buscar uma vaga para Copa do Mundo em 2014? A volta para o Brasil é esse motivo?

É bem complicado. Eu sou muito otimista. É difícil dizer agora porque não sei o que me espera ainda. Posso falar isso daqui uns três ou quatro meses. Mas, a esperança é pouca, mas tenho.

Você já chegou a ser cotado em alguns momentos para ser convocado.

É. Tive um momento bom de 2005 a 2009 quando fiquei várias vezes perto da Seleção Brasileira. Mas neste momento, vejo a Seleção bem forte de zagueiros também.

Existiu cogitação para você naturalizar italiano e defender a seleção de lá. Como foi isso?

Foi em 2003. Eu estava estourando lá naquele período e, era muito novo, e recusei por telefone para o treinador (Giovanni) Trapattoni. Como tinha passaporte italiano. Recusei publicamente também, porque minha intenção e a esperança era de vestir a camisa da Seleção Brasileira. E, naquele momento, recusando publicamente, fechou para mim.

E se arrependeu depois?

Não. Isso é uma coisa que não me arrependi. Me arrependi de poucas coisas na Itália, mas isso não.

Disputar uma Liga dos Campeões da Europa é algo diferente para um jogador

A Champions League é o máximo para um jogador. É aquilo que todo jogador sonha. Inclusive conversando com o Hernanes e o André Dias, quando foram para lá, um dos objetivos deles irem para Europa era de disputar uma Champions League. Depois disso, só a Copa do Mundo. Tive a oportunidade de enfrentar o Real Madrid no Santiago Bernabéu. Foi o ápice da minha carreira na Itália.

O que o torcedor cruzeirense pode esperar de você?

Eu não brinco com o meu lado profissional não. Não sei como estão acostumados com o jogador, pensando que volta apenas para encerrar a carreira. Minha intenção não. Não voltei por dinheiro. Vim demonstrar meu valor ao futebol brasileiro e contribuir com o Cruzeiro para conquistar títulos. Camisa suada e 101% a cada jogo não irá faltar.

É claro que todo torcedor sempre perguntará se existe um pensamento de fechar a carreira no Londrina. Pensa no assunto?

Olha, o azul me traz muita sorte. Empoli, Napoli, Lázio e agora Cruzeiro. Quem sabe eu consiga. Depende muito. Estou bem entusiasmado. A estrutura atual é muito boa. Torcendo para que esse crescimento do time continue.

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