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Cerca de 300 pessoas participaram, na segunda-feira (19 de setembro), do II Encontro de Categorias de Base de Futebol. O evento, resultado de uma parceria do Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) com a Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes (Coordinfância) Federação Paranaense de Futebol, Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude de Curitiba, Secretaria do Esporte e do Turismo do Estado do Paraná e com os clubes profissionais de Curitiba, teve como objetivo discutir e esclarecer questões relacionadas à formação de jovens atletas, relação dos jovens com agentes e clubes e os direitos fundamentais da infância e adolescência.

A maior parte do público era formada por jovens entre 14 e 17 anos, que integram as categorias de base do Clube Atlético Paranaense, Coritiba Football Club, Paraná Clube e também da Sociedade Esportiva Renovicente. Também estiveram presentes estudantes de Educação Física, técnicos desportivos, representantes da Ordem do Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) e outros interessados no assunto, já que o evento foi aberto também ao público externo.

Bate-papo

Para abrir o evento, o jogador do Atlético Paranaense Paulo André foi entrevistado pelo jornalista Marcelo Fachinello e também foi questionado pela plateia. O zagueiro falou sobre sua experiência como jogador profissional, as dificuldades da profissão, carreira internacional e a importância do estudo para os jovens aspirantes a futebolistas. “O que eu poderia falar para vocês? O que eu gostaria de ouvir quando tinha sua idade? A verdade. Não é só jogar futebol”, disse ele a uma plateia atenta. “Vocês precisam conhecer o meio em que vivem, precisam estar atentos a direitos e deveres. E têm de saber a diferença entre ser e estar: hoje eu ‘estou’ jogador do Atlético, por exemplo. Mas o que eu ‘sou’ vai além. São meus valores, princípios e objetivos. Nunca se esqueçam disso.”

A segunda parte do evento foi o painel “Para ser um campeão – driblando os desafios da vida de atleta”, para a qual foram convidados os técnicos das categorias de base dos três principais times do Paraná. A mediação foi do ex-jogador Sérgio Prestes da Silva, o Serginho, que jogou no Esporte Clube Pinheiros (que, junto com o Colorado, originou o Paraná Clube). Durante quase uma hora, os coordenadores de base André Leite (Coritiba), Marcelo Vilhena (Atlético) e Marcos Matias (Paraná Clube) conversaram sobre a formação de atletas profissionais, importância de conciliar os estudos com os treinos e jogos, o convívio com jogadores profissionais e os desafios na vida do atleta. Um dos principais pontos abordados foi a dificuldade em conciliar o calendário de jogos com o calendário escolar, já que a maioria dos jogos acontece em período de aulas.

Direitos e deveres

A última atividade do Encontro foi uma palestra com o procurador do Trabalho e Coordenador Nacional da Coordinfância, Rafael Dias Marques. Atualmente procurador-chefe substituto da Procuradoria Regional do Trabalho da 8ª Região, com sede em Belém-PA, Marques foi responsável pela instituição da comissão do atleta – da qual a procuradora Regional do Trabalho no Paraná Cristiane Sbalqueiro Lopes, uma das idealizadoras do evento desta segunda-feira, faz parte. Essa comissão elaborou o manual “Formação Desportiva” para atuação dos procuradores do trabalho sobre o assunto. O programa desenvolvido pela comissão do atleta sobre o acompanhamento das condições de trabalho dos atletas em formação é um dos prioritários da Coordinfância, juntamente com o de aprendizagem e políticas públicas.

Marques destacou, em sua apresentação, a importância dos estudos e do conhecimento dos direitos e deveres para os jovens aspirantes à carreira de jogador de futebol. “Não desistam nunca do sonho de vocês. Mas estejam atentos às condições de trabalho e aos seus direitos. Caso percebam alguma irregularidade, não hesitem em denunciar ao Ministério Público do Trabalho”, comentou. As denúncias sobre irregularidades trabalhistas podem ser feitas pelo site do MPT-PR: https://peticionamento.prt9.mpt.mp.br/denuncia.

Para a procuradora do Trabalho Cristiane Sbalqueiro Lopes, o evento atingiu seu objetivo: integrar jovens e mantê-los atentos a questões que possam violar seus direitos.  “A melhor forma de prevenção contra a violação de direitos é a conscientização dos próprios sujeitos sobre o conteúdo e o alcance desses direitos”, disse.

Ascom/MPT/MP

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