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Foto: Pixabay

Um carma, uma benção, uma vocação. Jogar como goleiro pode ser tudo isso, mas é, principalmente, a melhor tradução para dedicação. Entre os mais talentosos, alguns são folclóricos, outros extravagantes, uns poucos goleadores, mas em comum a destreza, a habilidade e a incrível força mental.

Se você não o viu jogar e alguém contar do que ele era capaz, é bem provável que você não acredite. José René Higuita Zapata, El Louco, jogou quase toda a sua carreira na Colômbia, seu país natal. Higuita não se parecia com um goleiro, pelo menos não com os goleiros mais talentosos, em geral, discretos e comedidos.

Cabelos logos e cacheados, uniformes extravagantes e declarações polêmicas, fizeram dele um dos jogadores mais irreverentes da história. Mas era goleiro e de seleção, sendo um dos destaques da Colômbia na copa de 1990. Depois de uma primeira fase irrepreensível, a Colômbia caiu diante de Camarões, e justamente numa falha de Higuita. Como de costume, Higuita saiu jogando tentou driblar o craque camaronês Roger Milla, perdeu a bola, tomou o gol e arrumou as malas para casa. Em 1995, protagonizou uma das defesas mais impressionantes da história.

Num dado momento do jogo amistoso contra a Inglaterra, Higuita projeta o corpo para a frente, salta e com os pés por detrás da cabeça faz a defesa. Não bastasse, também era artilheiro, foram 41 gols assinalados, sendo o sexto maior goleiro artilheiro da história do futebol.

Ao contrário do folclórico Higuita, Gilmar dos Santos Neves era o goleiro clássico, sempre sereno e discreto, talvez fosse um padrão à época, mas a tranquilidade de Gilmar sempre impressionou. Jogou profissionalmente por longos vinte e quatro anos. Foram apenas três clubes entre 1945 e 1969, Jabaquara, Corinthians e Santos.

Defendeu a seleção durante dezesseis anos (1953/1969), sendo o único goleiro bicampeão mundial (1958 e 1962) pela seleção brasileira. Gilmar foi campeão de tudo, paulista, brasileiro, Libertadores, bicampeão mundial pelo Santos. Único brasileiro entre os vinte melhores goleiros do século XX, segundo a IFFHS.

Se há vocação no futebol, certamente Rodolfo Rodriguez é um vocacionado. O uruguaio nascido em 1956, na capital Montevidéu, é um exemplo claro de um atleta que nasceu predestinado a se tornar um dos maiores goleiros de todo os tempos.

Começou sua carreira no Cerro e logo se transferiu para o Nacional, clube que defendeu entre 1976 e 1984, quando teve seu passe comprado pelo Santos Futebol Clube. Na época, o clube praiano desembolsou 120 mil dólares pelo jogador uruguaio, soma considerada alta para um goleiro. Na Vila, Rodolfo continuou a trilhar seu caminho de conquistas e defesas impressionantes. A célebre sequência de defesas – cinco verdadeiros milagres, contra o América de Rio Preto, foram eternizadas em 18 de julho de 2010, na primeira Defesa de Placa. Rodolfo Rodriguez jogou pelo Santos até 1988, quando foi negociado com o Sporting de Portugal. Defendeu ainda a Portuguesas de Desportos e o Bahia. Jogou pela seleção uruguaia entre 1975 e 1986.

José Luis Félix Chilavert González, ou simplesmente, Chilavert (27 de julho de 1965), é o maior goleiro de todos os tempos do futebol paraguaio, e um dos mais talentosos do mundo. Chilavert sempre foi um líder em campo, transmitindo positividade e segurança. Seu senso de colocação impressionava, raramente saltava para interceptar a bola. São notórias as confusões e polêmicas entre o goleiro, torcedores, jogadores e imprensa, mas muito mais notória foi sua habilidade como goleiro artilheiro. Ao longo da carreira assinalou 67 tentos, aposentando-se como o maior goleiro artilheiro da história. Seria superado por um tal Rogério Ceni. Um dos maiores goleiros do mundo, Chilavert é hoje comentarista e, como explica a imprensa, frequentemente declara seu desejo de tornar-se presidente do Paraguai.

131 gols. Estes foram os gols marcados por Rogério Ceni. Sim, ele era goleiro e dos melhores. Ceni nasceu em 1973, na cidade de Pato Branco (PR), mas logo sua família mudou para a cidade de Sinop, estado de Mato Grosso, onde começou sua carreira.

Em 1990, veio para o São Paulo Futebol Clube, de onde só sairia aposentado em 2015. Entre 1996 e 2006, foi convocado sucessivas vezes para a seleção, contudo nunca foi titular absoluto. Pelo clube paulistano, Ceni conquistou tudo que um atleta pode sonhar, além de notabilizar-se pelos 131 gols marcados entre pênaltis e faltas, tornando-se o maior goleiro artilheiro de todos os tempos no mundo, foram inúmeros títulos, ressaltando-se brasileiros, Libertadores, mundiais interclubes.

Pela seleção foi pentacampeão em 2002. Foram diversas honrarias individuais, destacando-se a de melhor goleiro da América do Sul (IFFHS), 2005, 2006 e 2007, e goleiro ideal da América do Sul (El País, Uruguai), 2005 e 2006. Um gigante.

Muitos outros incríveis goleiros merecem ser destacados no futebol latino-americano. A exemplo de Jorge Campos, o mexicano dos uniformes supercoloridos e 1 metro e setenta de altura, mas que se tornou o maior goleiro mexicano de todos os tempos e um dos mais talentosos do mundo, Taffarel que jogou três copas do mundo pelo Brasil, 1990, 1994 (tetra) e 1998, e que atualmente é treinador de goleiros da seleção, Émerson Leão, inegavelmente, um dos mais talentosos na sua posição. Mas sobre estes e outros que estão por aí, agora mesmo, encantando o mundo com as suas defesas ou com os seus gols, falaremos de uma próxima vez.

Este conteúdo é uma colaboração de Sergio Rocha

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