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Gastronomia 23/01/2014  11h12

Terapia na cozinha

O que pode ser mais relaxante depois de um dia de trabalho duro do que preparar um jantar especial? Cada vez mais aumenta o número de pessoas que buscam a gastronomia como uma terapia. Gente que aproveita o tempo livre para encarar o desafio de preparar uma nova receita e consegue relaxar mergulhando no mundo dos pesos, medidas, ingredientes e utensílios de cozinha.

 
A realidade mostra um paradoxo: quanto mais se come fora de casa, mais se valoriza a comida caseira. Pesquisas atuais mostram que nos EUA 50% da população faz as refeições fora de casa; no Brasil este número já chega aos 40%. E talvez seja essa exatamente a explicação para a crescente conotação da gastronomia como um hobby: “O estilo de vida atual desagregou muito as famílias, então a comida virou uma maneira de você recriar reuniões familiares e de amigos. O fato é que a comida marca as pessoas, muitas vezes mais do que a conversa”, diz o chef Marcello Sokolowski, professor do curso de Gastronomia da Unopar.
 
Mas essa é apenas uma das razões. “O prazer de fazer alguma coisa, normalmente para os outros, e finalizar. Muitas coisas na vida demoram para serem realizadas mas a comida você começa e termina no ato”, acrescenta Marcello. “O prazer de estar junto e comer é uma coisa espiritual”, observa. “Além disso, o próprio fato de ser uma atividade que exige atenção e precisão acaba sendo o segredo para fazer a gente tirar a cabeça do trabalho”, aponta o professor.
 
Finalmente, o grande prazer da gastronomia é alimentar – e não apenas dar de comer. Ela é o contraponto exato para uma sociedade fast-food em que a comida pronta ganha cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados e nos estômagos. Só os EUA lançam por ano 17 mil novos produtos alimentícios industrializados. Comida que precisa de conservante, sódio, corante e muitos outros aditivos químicos. “Quando a gente prepara um prato artesanalmente nós evitamos tudo isso e ainda usamos ingredientes da melhor qualidade. É claro que o sabor fica diferente e que o prazer também é muito maior”, diz Marcello.
 
Dicas para os principiantes
 
A criatividade, tão aliada à culinária, é outro fator prazeroso mas também pode causar muita frustração. Marcello ensina que é preciso primeiro dominar a receita para depois criar alguma variação. E aqui vai a primeira dica para os iniciantes nessa aventura: fazer várias vezes o mesmo prato. “A criatividade vem do estudo. Escolha algo que você gosta e repita várias vezes. Só depois de ter certeza que acertou é que você deve começar a mudar a receita”, explica. Mas atenção: essa dica não vale para a confeitaria. De modo geral as sobremesas e principalmente os bolos têm receitas que precisam ser seguidas à risca.
 
Livrinho de receitas
 
E por falar em receita, a quantidade e variedade de opções é uma faca de dois gumes (o trocadilho é irresistível, nesse caso): a era digital proporciona a facilidade de obter receitas do mundo todo para praticamente qualquer tipo de comida com apenas um clique; mas muitas vezes deixa os cozinheiros na dúvida sobre qual delas escolher. A segunda dica do chef Marcello é montar um arquivo pessoal: “Quem gosta de cozinhar tem que ter aquele velho caderninho que as vovós tinham com receitas já testadas e aprovadas. E na hora de procurar receitas novas, vale a pena checar a fonte. Muitas receitas da internet resultam em desastres na cozinha”, garante.
 
Se foi isso que aconteceu com o seu prato, não desista. Marcello garante que ele mesmo já jogou muita comida fora. “Na cozinha profissional a gente não pode deixar cair o padrão. Não tem essa de reaproveitar; deu errado, joga fora”. O que não vale é desistir já que uma das “graças” dessa terapia é justamente o desafio. “Minha avó era ucraniana e fazia coisas deliciosas. Ela nunca me passou as receitas, fui aprendendo pelo teste e experiência. Joguei fora muitos pirogues e até hoje eu tento fazer o pepino em conserva que ela fazia e não consigo”, conta Marcello. “Mas uma hora eu acerto”, promete.
 
A importância dos ingredientes
 
A terceira dica é saber comprar. “Ninguém chega em casa, abre a geladeira e resolve fazer um jantar especial com os restos que encontra. A gastronomia exige planejamento e organização. Selecionar os ingredientes, ter um fornecedor de confiança, é assim que você consegue um padrão de qualidade”, aponta o professor. Ele confessa que é fiel até à marca de farinha e fermento: “Cada farinha dá um tipo de textura para a massa, assim como cada marca de feijão faz um determinado caldo”.
 
O essencial para começar
 
Embora as cozinhas modernas sejam super equipadas e cheias de novidades tecnológicas, Marcello fez uma lista do básico para quem quer começar a dar as primeiras pitadas:
 
2 facas (uma de cozinha e outra menor para os legumes);
1 tábua de acrílico ou plástico;
1 liquidificador;
2 panelas (uma grande e outra pequena);
1 frigideira de teflon.
“Isso é o suficiente para começar a cozinhar e depois a gente vai comprando coisas sem parar”, brinca.
 
Homenagem para Londrina
 
 
 
 
O professor da Unopar é londrinense mas morou muitos anos no litoral e gosta muito do mar. Talvez por isso a especialidade dele sejam receitas com peixes e frutos do mar. Uma das criações do professor é justamente o peixe primavera, uma receita para homenagear a cidade onde nasceu e que leva molho de manga para lembrar o amarelo das acácias e ipês que colorem as ruas de Londrina nesta época do ano. A outra é um frango com molho de uísque, bebida muito apreciada pelos ingleses que colonizaram a região.
 
Uma das receitas favoritas do chef é também à base de peixe. Aprenda esse jeito simples e gostoso de preparar a tainha:
 
Tainha assada
 
“A pesca da tainha é um ritual maravilhoso que acontece no começo do inverno. É só escolher uma tainha de bom tamanho, fresca, tirar a barrigada e assar no forno ou na churrasqueira, inteira, com as escamas. Elas vão proteger a carne. Quando o assado estiver pronto, faça um molho com sal, azeite e shoyu e coloque por cima. É fácil de comer, a espinha, pele e escamas saem inteiras. É um peixe barato e essa receita preserva o sabor da carne, que é bem peculiar”.
 
Phoenix Finardi/Asimp/Unopar
 

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