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Não há dúvidas de que a mulher está cada vez mais presente ocupando cargos e postos importantes no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. Dados do Ministério do Trabalho apontam que, de 2007 a 2016, a ocupação feminina em postos formais de emprego subiu de 40,8% para 44% no país. Um paradoxo conflitante com o percentual de mulheres: de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas representam 51,03% da população. No mês que se celebra o Dia Internacional da Mulher (8 de março), é preciso olhar para frente e para o que ainda há por se fazer.

“Apesar dos avanços, a mulher ainda tem um longo caminho pela frente para ser igualmente reconhecida, tal qual os homens, por sua competência e eficácia. Seja como mãe, como trabalhadora, como qualquer ocupação que tenha”, ressalta o médico psiquiatra Júlio Dutra, presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ). De acordo com o psiquiatra, a construção social do papel da mulher está muito ligado às épocas. “Antigamente, alguns costumes e práticas eram inaceitáveis, como o divórcio e o uso da pílula anticoncepcional. Hoje, isso é diferente.”

Para o especialista, não é bom nenhum dos extremos: nem aquele que glorifica a hipermasculinidade tampouco o que idolatra a mulher mártir que se sacrifica, submissa ao homem. “Na sociedade contemporânea em que vivemos, os papeis são divididos não conforme o gênero, mas, de acordo com a necessidade de cada família ou de cada núcleo familiar”, explica. Segundo Júlio Dutra, é importante demonstrar, no processo de socialização e no convívio social, principalmente no mercado de trabalho, que não existe “coisa de homem ou coisa de mulher”.

O que precisa ser desmistificada é a ideia de que a mulher é a única responsável pelos afazeres domésticos. “Em muitas configurações familiares, a mulher acumula as funções do trabalho e de casa, incluindo a materna, o que a sobrecarrega. O homem também precisa contribuir. E, no mercado de trabalho, as mulheres continuam ganhando menos que os homens, o que também não está correto”, diz. A desigualdade salarial chega a 20,5% no Brasil.

Há muitos desafios pela frente, apesar dos tantos avanços. “Nós, psiquiatras, acreditamos que lutar pela valorização da mulher contribui para a solubilidade da saúde mental social, o que mantém um equilíbrio entre os gêneros e uma convivência harmônica. Se outrora foi necessário lutar por direitos, hoje é preciso combater o pensamento machista, melhorar os salários das mulheres e permitir um direito efetivo delas sobre o próprio corpo, a partir de uma nova e necessária liberdade individual”, avalia o psiquiatra.

Fábio Luporini/Asimp

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