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No Dia Mundial da Alimentação, Francisco enviou uma mensagem ao diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura

Vergonhosa, assim o Papa definiu a condição de milhões de pessoas no mundo que não têm o que comer. Ontem, 16, celebrou o Dia Mundial da Alimentação, que este ano coincide com os 75 anos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Para esta ocasião, o Papa Francisco enviou uma mensagem ao diretor-geral da instituição, Qu Dongyu, dirigida também a todos os membros que a compõem.

Comentando o tema escolhido para 2020 “Cultivar, nutrir e preservar juntos. As nossas ações são o nosso futuro”, o Santo Padre ressaltou a necessidade de agir conjuntamente e com firme propósito para gerar iniciativas que melhorem o meio ambiente. “No decorrer desses 75 anos, a FAO aprendeu que não é suficiente produzir alimento, mas é preciso também garantir sistemas alimentares que sejam sustentáveis e ofereçam dietas saudáveis e acessíveis a todos. Em outras palavras, trata-se de adotar soluções inovadoras que possam transformar o modo em que produzimos e consumimos os alimentos”.

Vergonha

Para o Pontífice, nestes tempos se vive contradições: “de um lado, somos testemunhas de um progresso sem precedentes em vários campos da ciência; de outro, o mundo enfrenta múltiplas crises humanitárias, com um aumento do número de pessoas que lutam contra a fome e que a pandemia está agravando”. Francisco então fez um apelo à responsabilidade:

“Para a humanidade, a fome não é só uma tragédia, mas também uma vergonha. Em grande parte, é provocada por uma distribuição desigual dos frutos da terra, à qual se acrescentam a falta de investimentos no setor agrícola, as consequências das mudanças climáticas e o aumento dos conflitos em várias regiões do planeta. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Diante desta realidade, não podemos permanecer insensíveis ou paralisados. Somos todos responsáveis.” O Papa reforça a necessidade de políticas e ações concretas, pois as “discussões dialéticas ou ideológicas” afastam homens e mulheres do objetivo de erradicar a fome e permitem que muitos continuem a morrer por falta de alimento.

O Pontífice propôs novamente a sugestão já avançada pelo Papa São Paulo VI na Popularium progressio e contida na encíclica Fratelli tutti, isto é, a criação de um “Fundo mundial” para eliminar definitivamente a fome com o dinheiro usado em armas e em outras despesas militares. Francisco encerrou sua mensagem fazendo votos de que a atividade da FAO seja sempre mais incisiva e fecunda, de modo que todos “possamos viver dignamente, com respeito e amor”.

Afronta

Em sintonia com o Papa Francisco, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “em um mundo de fartura, é uma afronta grave que centenas de milhões de pessoas vão para a cama com fome todas as noites”.  Atualmente, 690 milhões de pessoas não têm o que comer. Ao mesmo tempo, mais de 3 bilhões de pessoas não têm dinheiro para fazer uma dieta saudável.

Guterres lembra ainda a entrega do Prêmio Nobel da Paz deste ano ao Programa Mundial de Alimentos, PAM, e os 75 anos da FAO, afirmando que a comunidade internacional deve aproveitar a data para “intensificar os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.” O secretário-geral convocou para setembro do próximo ano, à margem da Assembleia Geral, uma Cúpula de Sistemas Alimentares para inspirar ações rumo aos Objetivos.

Vatican News

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