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Em uma iniciativa inédita, o Governo do Estado e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Estado do Paraná (Senar) vão promover pesquisas para desenvolvimento de novas tecnologias de conservação do solo no Estado. Uma chamada pública no valor de R$ 12 milhões, do Programa Paranaense de Apoio à Agropesquisa e Formação Aplicada em Rede, vai financiar projetos nos próximos quatro anos para redução de perdas em solos causadas pela erosão e manejo inadequado. O prazo para entrega das propostas online vai até a próxima terça-feira (16). A documentação impressa deve ser entregue até 26 de maio e o resultado será divulgado a partir de 23 de junho. 

O projeto é o primeiro do País a trabalhar em rede, com a participação do governo, de universidades, entidades representativas e institutos de pesquisa ligados à iniciativa privada. Do total de R$ 12 milhões previstos no edital, R$ 6 milhões virão do Senar. O restante será dividido entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, com R$ 4 milhões, e a Fundação Araucária (R$ 2 milhões).

Os estudos serão desenvolvidos em sete regiões – Campos Gerais, Formações Ponta Grossa e Furnas, Centro-Sul, Sudoeste, Norte, Noroeste e Oeste. Além do diagnóstico da situação atual e desenvolvimento de novas tecnologias, os resultados vão compor boletins semestrais e, ao final, um manual de boas práticas de manejo para cada região. 

Criada em 2015, a Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada tem como objetivo incentivar a inovação e a pesquisa científica e tecnológica para o agronegócio no Estado. A rede envolve mais de 4 mil pesquisadores de universidades e instituições de pesquisas, entre doutores e mestres na área científica.

De acordo com o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, a ideia é resgatar e difundir as práticas conservacionistas de solo e água. “Além da questão ambiental, queremos melhorar o nível de negócio, melhorando a capacidade produtiva das lavouras”, diz.

A conservação inadequada do solo é uma das principais ameaças, no futuro, à alta produtividade das lavouras do Estado. O Paraná é o maior produtor de grãos e de carnes do País e deve bater mais um recorde de produtividade em soja e milho nessa safra. 

“Algumas regiões do Estado vêm sofrendo com a erosão provocada pelo tipo de mecanização, mais pesada, e plantio direto de baixa qualidade. Não é um problema generalizado, mas exige atenção”, diz Ortigara.

De acordo com Werner Hermann Meyer Júnior, secretário executivo da Rede Paranaense de Agropesquisa e representante do Senar, estima-se que a má conservação de solo já provoque perdas de US$ 150 por hectare por ano em algumas regiões do Paraná. “O produtor tem que ver a conservação do meio ambiente como uma questão econômica também, que vai aumentar produtividade e reduzir custos no futuro”, afirma.

Ele lembra que o fenômeno El Nino, verificado em 2015 e 2016, por exemplo, gerou impactos erosivos significativos nas lavouras do Paraná por meio do excesso de chuvas. “Daí a importância de acharmos respostas para controle do processo erosivo nos próximos anos”, diz. 

O secretário da Agricultura lembra que estimular a pesquisa é um dos pilares do Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná (Prosolo), que inclui ainda a formação de profissionais para desenvolver bons planos de conservação e ações diretas com agricultores. “A pesquisa é importante para criar indicadores e diagnóstico e desenvolver soluções para o futuro”, diz.

ESFORÇO CONJUNTO - De acordo com o diretor científico da Fundação Araucária, Nilceu Jacob Deitos, a novidade dessa chamada pública é que, pela primeira vez, haverá um esforço conjunto entre academia e mercado para criar soluções com o objetivo de diminuir os problemas nas lavouras do Estado. “A organização dos projetos envolve uma complexidade maior, mas teremos resultados muito melhores”, diz. 

AEN

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