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Ciclo de palestras traz para debate o papel dos Cuidados Paliativos como garantia de qualidade de vida e dignidade

O conceito de cuidados paliativos ainda é pouco compreendido pela sociedade e, às vezes, também por parte dos profissionais de saúde, gerando a falta de atendimento adequado a pacientes com diagnósticos de doenças ameaçadoras da vida. Para esmiuçar o conceito e aplicabilidade, a OAB-Londrina, por meio da comissão de Bioética e Biodireito, realiza o I Ciclo de Palestras Bioética e Cuidados Paliativos nos próximos dias 13 e 14 de outubro.

Durante os dois dias, serão realizadas oito palestras, sempre a partir das 19h, e transmitidas pelo Canal da ESA-PR no YouTube.

A coordenadora da comissão, Franciane Campos, explica que o objetivo maior do evento é trazer conhecimento de qualidade sobre Cuidados Paliativos, uma vez que a sociedade, de forma geral, tem uma ideia equivocada da abordagem. “O conceito de cuidados paliativos não está atrelado à morte e sim ao de garantir qualidade de vida aos pacientes e familiares que receberam diagnóstico de doenças ameaçadoras da continuidade da vida. O que queremos mostrar à sociedade é que Cuidados Paliativos são um direito humano, não um favor. “É obrigação do poder público garantir dignidade para as pessoas segundo suas próprias percepções”, informa Franciane Campos.

Segundo destaca,  o ser humano é um ser biopsicossocial e espiritual, assim, o acesso é global, o tratamento  foca na pessoa e não na doença -  daí se dá a importância na habilidade de comunicação e respeito à vontade do paciente. “Uma pessoa nem sempre será curada, mas sempre poderá ser cuidada”, observa e acrescenta que os cuidados também se estendem à família do paciente.

Cenário difícil

Franciane Campos classifica como caótico o cenário no Brasil, hoje, quando se fala em Cuidados Paliativos, principalmente, pela falta de profissionais capacitados. “Fazer cuidados paliativos demanda conhecimento técnico, não é apenas ouvir o paciente e pegar na mão dele”. Segundo ela, o sudeste é a região onde se concentra o maior número de serviços especializados e isso se dá por meio de gestores visionários, que compreendem a importância da abordagem dos Cuidados Paliativos. “Na nossa região, temos serviços altamente especializados (oncológico), e outros iniciando, mas precisamos de muito mais se quisermos alcançar toda a população que necessita desta abordagem com foco no controle dos sintomas, qualidade de vida e maior autonomia do paciente. Em outras regiões do país, como norte e nordeste, a realidade é distinta, ou seja, o cenário é catastrófico”, analisa.

De acordo com ela, os estudantes da área da saúde não recebem formação sobre Cuidados Paliativos, e uma das lutas é fazer com que o MEC entenda a necessidade de se instituir o ensino obrigatório no currículo dos cursos.

Ela alerta que muitas vezes os profissionais se sentem receosos com a prática dos cuidados paliativos configurar omissão, mas diz ela, vale lembrar, omissão de assistência inútil é irrelevante para o direito. Os profissionais de saúde devem se atentar para a prática da distanásia - que é o prolongamento da vida biológica por meio de terapêuticas fúteis e desnecessárias, causando  sofrimento ao paciente, que além de infração ética, pode configurar crime.

Programação

Participam do ciclo de palestras, na primeira noite: médico Luís Fernando Rodrigues, especialista em cuidados paliativos, com o tema “Cuidados paliativos: situação atual e os avanços obtidos”;  médica Madalena de Faria Sampaio, especialista em Medicina de Família e Comunidade, com o tema “Objetivos do tratamento e o papel do controle dos sintomas na ótica dos cuidados paliativos”;  médico José Eduardo de Siqueira, professor do Curso de Mestrado em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, líder e membro de vários grupos de pesquisa, com o tema “Bases bioéticas dos cuidados paliativos”;  advogada Rita de Cássia Tarifa Espolador, com o tema “Sobre planejar o futuro: algumas questões envolvendo as diretivas antecipadas de vontade”. A mediação será de Franciane Campos e Lucas Guimarães Pieri.

Na segunda noite, participam: médico Marcos Lapa, especialista na área, com o tema “Cuidados de fim de vida: suspender ou não introduzir”; juiz José Henrique Rodrigues Torres, com o tema “Cuidados paliativos como abordagem inibidora da prática da distanásia”; Deputada Luísa Canziani, com o tema “Comprometimento político e social com os cuidados paliativos”; e a médica Ana Claudia Quintana Arantes, com o tema A obrigatoriedade do ensino dos Cuidados Paliativos nas graduações em saúde.” Os moderadores serão Edvania Godoy Barbeta e Franciane Campos.

As inscrições podem ser feitas pelo link: https://forms.gle/bAiYE8xYJp9j4G8w7

Benê Bianchi/Asimp

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