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Suicídio infantil? Isso é possível? Infelizmente sim. Nos últimos 10 anos, observa-se um aumento de 40% de casos de suicídios infantil e pré-adolescente no Brasil. A boa noticia é que 90% dos casos, segundo a OMS, podem ser evitados.

Antes, vamos compreender melhor algumas questões. O desenvolvimento humano passa por várias fases. Até os 7 anos, o ser humano apresenta o que chamamos de pensamento mágico, ou seja, dominado pela imaginação, pelos desejos e fantasias. Com isso, a ideia de morte é mais limitada, e a incidência de ideação suicida, nessa fase, é bem mais difícil e mais rara. Aos 8 anos, começamos a compreender melhor nossas emoções, e é justamente a partir daí que a ideação suicida pode mostrar seus primeiros indícios. Entretanto, é importante ressaltar que as fases de desenvolvimento variam entre os indivíduos, porque cada ser humano é único; então, é necessário estarmos sempre atentos.

O que causa o suicídio infantil? Quais são os sinais?

Tendemos a pensar assim: como pode uma criança pensar em suicídio? Ela não tem capacidade de conseguir isso. A maior questão aqui é que a criança, muitas vezes, começa a dar os primeiros sinais e o desejo de morte vai crescendo até chegar à adolescência, ou até surgir uma oportunidade. Ou pensamos assim: o que falta a essa criança? Ela tem tudo! Tem muito mais do que eu tinha na idade dela. Porém, vivemos um mundo de muito estresse e muitas exigências, e a criança não está livre disso.

As muitas exigências geram, muitas vezes, o sentimento de frustração, porque a criança pode se sentir incapaz de não corresponder ao que se espera dela. O estresse leva à ansiedade, o que pode levar à depressão, à desesperança. É justamente a desesperança que precisa ser o maior ponto de atenção. É preciso estar atento aos sinais de que a criança considera o seu problema como indissolúvel, não há possibilidade de melhorar a sua vida.

Não é frescura

A depressão infantil é uma realidade poucas vezes diagnosticada, isso porque, na maioria das vezes, não se presta atenção aos sinais que a criança vai apresentando, por se considerar uma fase ou birra, algo passageiro ou uma forma de chamar a atenção.

O pensamento suicida não está diretamente relacionado às doenças mentais como esquizofrenia, paranoia entre outros. Porém, em sua maioria, apresentam sinais de depressão ou transtornos como a bipolaridade. Por isso mesmo, a genética também pode ser um fator de risco, principalmente quando se tem um histórico familiar de suicídio.

Outros fatores de risco, além dos já apresentados acima, são depressão, estresse e pressão interna; é importante citar outros como dificuldade de interação social, Bullying, abuso infantil, uso de álcool e drogas na família e o acesso a instrumentos que possam facilitar a tentativa de suicidar-se.

Quero concluir lembrando que 90% dos casos podem ser evitados. O mais importante em tudo isso é estarmos atentos às falas sobre a morte ou outros sinais como tristeza prolongada, mudanças de comportamento, agressividade e irritabilidade. Em qualquer sinal, é importante conversar com a criança e observar se os sinais permanecem por um mês; neste caso, recomenda-se uma avaliação de um profissional.

Esse é um tema que precisamos conhecer mais fundo. Não podemos ignorar algo tão profundo, que atormenta as nossas crianças e adolescentes. Ao mesmo tempo, esgotar todas as reflexões ou até mesmo compreender todos os fatores num pequeno texto é impossível. Por isso mesmo, em breve voltaremos a falar sobre esse tema, aprofundando-o em outros aspectos.

Manuela Melo - Neuropsicóloga e Psicóloga Clínica, Manuela Melo cursou MBA em Gestão de Pessoas. Membro da Comunidade Canção Nova por 20 anos, hoje a psicóloga atua em Recife e Surubim, ambas cidades do Estado de Pernambuco, onde ela reside atualmente. Contato: manuelamelocn@gmail.com

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