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Ele assume o ministério da Justiça em momento de crise. O novo governo não se aguenta em si mesmo e precisa de alguém com personalidade forte e que inspire o cumprimento da lei. Há um tiroteio político no Brasil e ninguém sabe exatamente para onde ir, ou onde vai terminar. A oposição não se conforma em ter sido alijada do poder de forma tão abrupta e alega que há uma inconstitucionalidade no processo. O novo ministro exige do governo que assine um documento que lhe dá uma verdadeira carta branca para agir no pandemônio que assola o pais. Para isso se esforça para organizar o sistema de segurança pública e intervenção nas regiões que necessitam o apoio do governo central. Contudo há forte oposição das elites políticas locais que querem mais ajuda do governo para consolidar seu domínio. Afinal ninguém quer abrir mão do poder nem que seja necessário compor uma aliança para enfrentar o governo central. Dar um passo atrás é permitir que o adversário avance, uma vez que em política não há espaço livre. Qualquer espaço  é sempre ocupado.

Para manter a ordem é necessário a formação de uma força nacional capaz de intervir nas regiões onde a polícia local não consegue manter a ordem. O ministro é responsável pela criação da Guarda Nacional e por sua imediata atuação. O Rio de Janeiro é a principal preocupação do novo governo. Não há segurança nas ruas e ninguém consegue assegurar que quem sai de casa para trabalhar pela manhã, vai voltar no final da tarde. Por isso o ministro da justiça organiza uma ação que visa identificar os líderes dos assaltos e revoltas e não se intimida quando encontra líderes políticos da oposição envolvidos com ele. O perfil de um homem severo, que ri muito pouco e parece sempre estar preocupado com algum assunto. É a própria imagem de austeridade do governo. Isto infunde confiança na população que sabia  que ninguém ficaria fora do alcance da lei e se houvesse resistência com a guarda comandada pessoalmente pelo ministro da justiça. A guarda intervém em várias regiões do Brasil e  busca de consolidar o novo governo. Contra isso nem as elites regionais podem ser contra.

Diante do bombardeio que sofre de alas políticas radicais o ministro da justiça redige uma carta de renúncia. O gesto causa um grande impacto no meio político e pela primeira vez a população sai nas ruas para protestar. Sua passagem pelo governo dura um pouco mais de um ano. Ele acusa o governo de não cumprir o que tinha prometido. O temor geral é que o combate à corrupção e os desmandos dos poderosos voltem atrás  como nos velhos tempos. Ele defende a substituição do trabalho escravo pelo assalariado o que aguça ainda mais a ira dos latifundiários. Mudança no ensino fundamental e reorganização da alfândega, sem a qual o  governo não consegue reunir dinheiro para se bancar. Diogo Antonio Feijó é um homem tarimbado e sabe que o governo da regência trina permanente não vai se consolidar. É uma meia sola entre a abdicação do imperador e a minoridade do seu sucessor. Um longo período previsto de pelo menos dez anos, uma vez que o herdeiro do trono era apenas uma criança. O sistema imperial corre risco haja vista que há movimentos republicanos em gestação em várias regiões e eles querem o federalismo, ou seja a repartição do poder central entre as províncias. Se vai voltar ao poder executivo ninguém é capaz de avaliar.

Heródoto Barbeiro é editor chefe e âncora  do Jornal da Record News em multiplataforma.  hbarbeiro@recordtv.com.br  - www.herodoto.com.br

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