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Primeiro Levantamento Rápido do Índice Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) do ano ficou em 1,7%. Totalidade dos focos foi encontrada nos quintais das residências

A combinação de calor e maior quantidade de chuvas associada ao descuido da população principalmente em relação ao material reciclável deixado nos quintais resultaram no aumento da infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya em Ibiporã neste início de 2020.

Dados do primeiro Levantamento Rápido do Índice Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) , divulgado na terça-feira (14) pelo Setor de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, aponta um índice de infestação de 1,7% -  acima do limite preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de até 1%. Isto quer dizer, que de cada 100 imóveis visitados pelos agentes de endemias, 1,7 apresentavam criadouros do vetor. O índice é um pouco superior ao último LIRAa realizado em novembro, que foi de 1%, mas bem inferior ao registrado em janeiro do ano passado – 3,6%. "Tradicionalmente os percentuais sobem no início do ano devido à combinação de calor e chuvas constantes, o que facilita a proliferação do mosquito”, aponta o coordenador do Setor de Endemias, Aldemar Galassi.

O Ministério da Saúde preconiza que municípios com índice inferior a 1% estão em condições satisfatórias, de 1% a 3,9% é considerado situação de alerta, e superior a 4% há risco de surto de dengue. Com os resultados do LIRAa, os agentes de endemias elaborarão estudos e planejamento que orientarão os trabalhos nas áreas mais afetadas da cidade.

O levantamento foi realizado entre os dias 6 e 11 de janeiro. Foram visitados 900 imóveis – 5% do total – em todas as regiões da cidade. Segundo Galassi, 100% dos criadouros do Aedes aegypti foram encontrados nos quintais dos imóveis, principalmente em materiais recicláveis, tais como copos e garrafas, além de bebedouros de animais, o que indica que a população está deixando a água acumular nesses recipientes, tornando-os ambientes ideais para a rápida reprodução do mosquito. “O calor e a chuva fazem o ciclo do mosquito ficar ainda mais rápido; entre o ovo depositado pela fêmea do mosquito, à transformação em larva e, depois em mosquito, o período é de apenas cinco dias. Basta deixar água parada acumulada para que ele se prolifere”, alerta o coordenador.

O coordenador ressalta que todos devem fazer a sua parte para que Ibiporã não enfrente novamente uma epidemia da doença. “A eliminação da dengue depende, principalmente, da mudança de hábitos e atitudes. A limpeza dos jardins, varandas e qualquer espaço aberto deve ocorrer, no mínimo, a cada sete dias. Em 10 minutos já é possível eliminar os criadouros. Onde tem água parada pode ter dengue e a doença pode matar. Quem viaja nesta época do ano deve redobrar os cuidados para evitar o avanço da doença, tanto no seu imóvel, que ficará desabitado, como na casa eventualmente alugada para a temporada”, lembra Galassi. Manter a caixa d´água limpa e totalmente tampada, as calhas livres de entupimentos, cuidar com o descarte do lixo e manter as tampas dos vasos sanitários abaixadas são algumas das orientações.

Ações do poder público

O governo municipal segue com ações contínuas de prevenção e combate à dengue, tais como ciclos de tratamento e remoção dos criadouros em 100% do território; trabalho de recuperação das casas vazias aos sábados; bloqueio de casos, “Bota Fora” (programa da Prefeitura que recolhe móveis, eletrodomésticos e entulhos em pequenas quantidades em toda a cidade), limpeza de fundos de vale, trabalhos educativos em escolas, empresas e igrejas e capacitação dos servidores de saúde para melhor notificação, diagnóstico e tratamento da doença.

Segundo Galassi, um dos inibidores do mosquito adulto, o inseticida Malathiol, continua indisponível. “O Brasil está desabastecido do inseticida desde maio de 2019 por causa de uma grande quantidade de produtos vencidos e com problemas de qualidade decorrentes de alterações químicas em sua formulação. A Bayer, produtora do inseticida, já recolheu 105 mil litros do produto vendido ao Ministério da Saúde. O MS, por sua vez, adquiriu um novo produto adulticida (Cielo), mas a previsão de entrega é até fevereiro.

Números da dengue em Ibiporã

Conforme levantamento realizado pelo Setor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, no período epidemiológico de 28 de julho de 2018 a 14 de janeiro de 2020, foram notificados 749 casos de dengue em Ibiporã, sendo 67 positivos, todos autóctones, ou seja, contraídos no próprio município. Dos casos confirmados, 11 são dengue com sinal de alarme e um grave. Somente nas duas primeiras do ano, foram notificados 142 casos. Por enquanto, nenhum caso de dengue foi confirmado este ano. De acordo com Galassi, os registros apontam que a taxa de incidência da dengue em Ibiporã é de 128,03 casos a cada 100 mil habitantes, o que coloca o município em situação de alerta para uma epidemia da doença. A epidemia é confirmada depois que a cidade aponta, proporcionalmente, mais de 300 casos por 100 mil habitantes.

Os números são bem superiores aos registrados no mesmo período do ano passado. De julho de 2018 a março de 2019 foram 19 casos de dengue. No período epidemiológico anterior - de 29 de julho de 2018 a 27 de julho de 2019, foram notificados 3.053 casos de dengue em Ibiporã, sendo 1.369 positivos. Duas mortes foram registradas no período - um homem de 80 anos e uma mulher de 54. Dois casos de febre chikungunya (autóctone – contraído no próprio município) também foram diagnosticados ano passado em Ibiporã. “Temos a circulação dos subtipos 1 e 2 da doença. Pessoas infectadas por subtipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais graves da dengue”, alerta a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Vanessa Luquini.

Sintomas

A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que aos primeiros sintomas de dengue (febre alta, dores articulares, musculares e de cabeça, manchas avermelhadas na pele e indisposição), e chikungunya (febre, dor de cabeça, mal estar, dores pelo corpo e muita dor nas juntas) a pessoa se dirija à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência para que o diagnóstico inicial e a notificação sejam feitos. Normalmente, os sinais de alarme ocorrem entre o terceiro e quinto dia, esse é o chamado período crítico para dengue. Tratado com hidratação e medicação sintomática corretamente, a maioria dos casos evolui para cura.

Faça a sua parte!!!!!

Prevenir é a melhor forma de evitar a dengue, zika e chikungunya. A maior parte dos focos do mosquito está nos domicílios, assim, as medidas preventivas envolvem o próprio quintal e também os dos vizinhos. É simples e rápido combater o Aedes aegypti. Siga essas dicas:

Garrafas PET e de vidro: As garrafas devem ser embaladas e descartadas corretamente na lixeira, em local coberto ou de boca para baixo;

Lajes: Não deixe água acumular nas lajes. Mantenha-as sempre secas;

Ralos: Tampe os ralos com telas ou mantenha-os vedados, principalmente os que estão fora de uso;

Vasos sanitários: Deixe a tampa sempre fechada ou vede com plástico;

Piscinas: Mantenha a piscina sempre limpa. Use cloro para tratar a água e o filtro periodicamente;

Coletor de água da geladeira e ar-condicionado: Atrás da geladeira existe um coletor de água. Lave-o uma vez por semana, assim como as bandejas do ar-condicionado;

Calhas: Limpe e nivele. Mantenha-as sempre sem folhas e materiais que possam impedir a passagem da água;

Cacos de vidros nos muros: Vede com cimento ou quebre todos os cacos que possam acumular água;

Baldes e vasos de plantas vazios: Guarde-os em local coberto, com a boca para baixo;

Plantas que acumulam água: Evite ter bromélias e outras plantas que acumulam água, ou retire semanalmente a água das folhas;

Suporte de garrafão de água mineral: Lave-o sempre quando fizer a troca. Mantenha vedado quando não estiver em uso;

Falhas nos rebocos: Conserte e nivele toda imperfeição em pisos e locais que possam acumular água;

Caixas de água, cisternas e poços: Mantenha-os fechados e vedados. Tampe com tela aqueles que não têm tampa própria;

Tonéis e depósitos de água: Mantenha-os vedados. Os que não têm tampa devem ser escovados e cobertos com tela;

Objetos que acumulam água: Coloque num saco plástico, feche bem e jogue corretamente no lixo;

Vasilhas para animais: Os potes com água para animais devem ser muito bem lavados com água corrente e sabão no mínimo duas vezes por semana;

Pratinhos de vasos de plantas: Mantenha-os limpos e coloque areia até a borda;

Objetos d’água decorativos: Mantenha-os sempre limpos com água tratada com cloro ou encha-os com areia. Crie peixes, pois eles se alimentam das larvas do mosquito;

Lixo, entulho e pneus velhos: Entulho e lixo devem ser descartados corretamente. Guarde os pneus em local coberto ou faça furos para não acumular água;

Lixeira dentro e fora de casa: Mantenha a lixeira tampada e protegida da chuva. Feche bem o saco plástico.

Caroline Vicentini/NCPMI

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