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Prefeito João Coloniezi promoveu encontro entre proprietário, representantes da comunidade, autoridades religiosas e vereadores visando buscar entendimento entre as partes

A situação da posse do terreno onde está construída a capela São Bento, localizada na estrada das Três Figueiras (às margens do Contorno Norte – PR862), próximo à divisa com Londrina, foi discutida no último dia 22, no gabinete do prefeito de Ibiporã, João Coloniezi, entre representantes da comunidade, autoridades religiosas, Mitra Arquidiocesana de Londrina, proprietário do terreno e Poderes Executivo e Legislativo do Município.

O terreno onde a capela foi construída localiza-se em uma propriedade privada, que teria sido vendida há alguns anos para um empresário de Londrina. A contenda agravou-se porque o proprietário da área autorizou a demolição dos dois salões paroquiais que eram utilizados para atividades religiosas e sociais. A comunidade teme que tanto a capela de madeira, construída pelos pioneiros entre 1955 e 1956, como a de alvenaria, edificada nos anos 90, venham abaixo. “Estamos muito tristes, nos sentindo invadidos. Há 61 anos a comunidade se movimentou e ergueu a capela, ainda de madeira. Anos mais tarde, nos mobilizamos novamente para construir uma maior, de tijolos. A nossa história precisa ser respeitada!”, reivindicou o padre Giorgio Pedemonte.

O empresário informou que a matrícula do imóvel não indica com exatidão a existência da capela. Durante a reunião, ele assegurou que nunca pensou em demoli-la, pois valoriza a tradição local. Já os galpões, segundo o imobiliarista, estavam abandonados e virando um mocó. O empresário chegou a propor a doação de mais de 2 mil m² em área anexa à capela, mas a comunidade a rejeitou.

O Município também possui no local uma área de 1.400 m². Contudo, o registro do imóvel, realizado em 1957, foi feito no município de Sertanópolis, visto que em Ibiporã não existia cartório de registro de imóveis. A Prefeitura acrescenta que está abrindo matrícula em Ibiporã para registrar este terreno. “O problema é que não existe um documento comprovando a doação ou cessão daquela área para a Igreja. O que existe é uma documentação da Loteadora Beltrão, datada de 1949. Por outro lado,  a Mitra de Londrina, responsável pela preservação das igrejas da região, já teria condições de uso do espaço por usucapião (modo de aquisição pela sua posse pacífica)”, explica o prefeito.

A Prefeitura Municipal de Ibiporã reitera que reconhece o valor histórico e sentimental que a comunidade Três Figueiras sustenta pelo espaço religioso. “O nosso posicionamento é a favor dos munícipes, evidentemente. Ficamos consternados com a forma com que as coisas estão acontecendo. Há alguns dias o Ministério Público inquiriu o Município e a Mitra para que se manifestem a respeito da área pública. Não só Ibiporã mas Londrina também possui área pública naquela região, que vem sendo valorizada nos últimos anos. São questões de difícil solução, mas que estamos intermediando para que se chegue a um termo comum”, expôs João Coloniezi.

Na oportunidade, o secretário de Cultura e Turismo, Agnaldo Adélio, sugeriu aos vereadores presentes que seja criada uma lei específica de tombamento visando à proteção dos imóveis de caráter histórico existentes em Ibiporã.

Ao final da reunião, ficou acordado que a comunidade das Três Figueiras fará uma contraproposta ao proprietário do terreno.

Capela São Bento

A primeira igreja, em madeira, foi construída pelos sitiantes que chegaram às Três Figueiras no início dos anos 40 para trabalhar nas lavouras de café. A inauguração da capela ocorreu no dia 21 de março de 1956, sendo a primeira missa celebrada pelo pároco de Ibiporã, padre Leone Gervasoni. Nos anos 90, a comunidade se mobilizou novamente para construir uma igreja em alvenaria.

A história da Capela São Bento foi revisitada recentemente por meio do projeto “Circuito das Capelas - Projeto de recuperação da memória de Ibiporã, realizado pela Prefeitura Municipal e desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e Museu Histórico e de Artes de Ibiporã (MHAI).

O projeto foi realizado entre os anos de 2014 e 2016, visitando e divulgando as 24 capelas espalhadas pela área rural e pelos bairros, com grande aceitação e participação por parte da comunidade local.

Asimp/PMI

Foto: Caroline Vicentini/NCS/PMI/Divulgação

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