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Marina Stuchi lembrou que a participação das mulheres na vida política foi permitida há menos de cem anos no Brasil. Convite foi feito por Lu Oliveira

A atriz, roteirista e diretora de teatro Marina Stuchi, pesquisadora sobre feminismo e violência contra a mulher, participou da sessão ordinária de ontem (16) da Câmara Municipal de Londrina (CML). Durante a apresentação, Stuchi falou sobre o silenciamento das mulheres ao longo da história. O convite foi feito pela vereadora Lu Oliveira (PL), por meio do requerimento nº 56/2021, como parte da programação especial da CML relativa ao Dia Internacional da Mulher (8 de março).

Marina Stuchi afirmou que a agressão física é apenas uma das formas de violência contra as mulheres, ressaltando o impacto da violência simbólica, que é aquela que traz imposições sociais à população feminina. "Escolhi falar sobre violência simbólica, que pode parecer uma violência menor, uma vez que não deixa marcas físicas, mas é tão perniciosa quanto, porque acaba por legitimar os outros tipos de violências contra a mulher. […] Eu gostaria de trazer alguns números com relação à política no Brasil. O Brasil, durante todo o período republicano, teve apenas uma presidente mulher. No Paraná, tivemos apenas uma governadora, mas que não foi eleita diretamente. Londrina nunca teve uma prefeita. A Câmara de Londrina hoje conta com sete mulheres eleitas, face a 12 homens. Ou seja, os homens ocupam quase o dobro dos cargos, em uma cidade em que 52% da população é composta por mulheres. Se somos a maioria da população, por que temos tão pouca representatividade no meio político?", questionou.

A convidada lembrou que a participação das mulheres na vida política foi permitida há menos de cem anos no Brasil. Além de ressaltar essa herança histórica, Marina Stuchi chamou a atenção para situações de discriminação em ambientes majoritariamente masculinos, como críticas constantes à aparência e às roupas de mulheres que se dedicam a cargos eletivos. "Faz menos de cem anos que nós mulheres podemos votar. Quando foi concedido esse direito, em 1932, foi de maneira restrita. Só mulheres casadas e com permissão do marido podiam votar. Apenas em 1934 o voto feminino passou a ser previsto na Constituição", recordou. Ainda segundo ela, as mulheres ainda hoje precisam lidar com tentativas de deslegitimação de suas falas. "Quantas vezes vocês foram interrompidas por um homem quando falavam de um assunto que dominam e ele não? Ainda existe ênfase na autoridade da voz masculina. A opinião masculina parece ser mais embasada do que a nossa", afirmou.

A pesquisadora trouxe ainda dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública relacionados à violência contra a mulher. Conforme o levantamento, divulgado em 2019, uma mulher é estuprada a cada quatro minutos no Brasil, onde cerca de 98% das vítimas de estupro adultas são do sexo feminino. O país ocupa a 5ª posição no ranking mundial de feminicídio, com o assassinato de três mulheres por dia.

A vereadora Lenir de Assis (PT) agradeceu à convidada e afirmou que o Dia Internacional da Mulher não é uma celebração, mas uma data para refletir sobre a situação das mulheres. Mara Boca Aberta (Pros) lembrou que nesta semana (segunda-feira) o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a tese de legítima defesa da honra em crimes de feminicídio. A importância de debater a situação da mulher na sociedade e a representatividade feminina em espaços de poder foi ressaltada pelas vereadoras Daniele Ziober (PP), Prof.ª Flávia Cabral (PTB), Prof.ª Sonia Gimenez (PSB) e Lu Oliveira (PL). "A gente tem que começar de um jeito muito simples, motivando outras mulheres, mostrando que todas são capazes de ocupar a posição em que estamos hoje. […] Quem sabe um dia teremos uma representação de 50% na Câmara de Londrina? […] Até quando teremos que esconder a pele do nosso corpo, usar um blazer, um tailleur, para sermos ouvidas? São grandes barreiras que precisamos vencer no dia a dia", afirmou Lu Oliveira.

A programação alusiva ao Dia da Mulher prossegue até o fim de março na Câmara de Londrina.

Confira o cronograma:

18/03 (quinta-feira)

16h30 – Sessão ordinária com participação da deputada federal Luiza Canziani (PTB).

19/03 (sexta-feira)

16h – Reunião temática com o tema "Mulheres na liderança: alcançando um futuro igual em um mundo de Covid-19″.

23/03 (terça-feira)

16h30 – Sessão ordinária com participação da presidente do Conselho da Mulher Empresária da Acil, Marisol Chiesa.

30/03 (terça-feira)

16h30 – Sessão ordinária com participação da presidente do Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial, Fiama Heloisa.

Marcela Campos/Ascom/CML
 

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