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De acordo com o primeiro LIRAa do ano, cidade registra infestação de 7,7%. Índice classifica o município como em risco de epidemia da doença, conforme classificação do Ministério da Saúde

Londrina Unida Contra a Dengue. Esse é o slogan da campanha de mobilização contra a doença, que foi ontem, 22, pelo prefeito Marcelo Belinati e pelo secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, no auditório do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da UEL. O lançamento ocorreu simultaneamente com a divulgação do 1º Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) de 2020, pela equipe da Saúde do município, que detectou que 85% dos focos de larvas do mosquito Aedes egypti estão dentro de imóveis dos londrinenses.  “O Aedes mata e é bom que fique claro que ele é criado por nós, homens e mulheres, quando não tomamos um cuidado exemplar dentro das nossas próprias casas, para proteger nossa família”, afirmou o prefeito.

A campanha foi lançada com o apoio de representantes da sociedade civil organizada, com objetivo de conter o avanço da dengue no município, visto que Londrina já registra, do início de 2020 até agora, 1.047 casos notificados da doença. Destes, 64 foram confirmados, 98 descartados e 885 ainda estão em andamento, aguardando o resultado de exames laboratoriais. Também há duas mortes em investigação. No mesmo período em 2019, foram contabilizadas 375 notificações relacionadas a dengue, com 43 casos confirmados.

Durante o lançamento, a diretora de vigilância em Saúde, Sônia Fernandes, apresentou os dados do LIRAa, que registram infestação de 7,7%, que coloca a cidade em situação de risco de epidemia, conforme classificação do Ministério da Saúde. O índice é bem maior do que o apontado no último LIRAa de 2019, divulgado em outubro, o qual indicou uma infestação predial de 2,0%. A equipe da Endemias vistoriou, para elaboração do LIRAa, 10.483 imóveis, de 6 a 11 de janeiro. Deste total, foram encontrados focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e outras doenças, em 809 imóveis, sendo a maior parte, 714 deles (88%), dentro das residências, e 95 (12%) em terrenos baldios.

Com relação aos criadouros, a maior parte foi encontrada em depósitos móveis (43%), como vasos, pratos e frascos com plantas e bebedouros de animais; seguido por lixos, como recipientes plásticos, garrafas e latas (32,3%); pneus e outros materiais rodantes (7,7%); depósito ao nível do solo, como barril e tanque (7,4%); depósitos fixos, que incluem calhas, lajes, ralos, sanitários em desuso (6,9%); e depósitos naturais, como buracos em árvores, bromélias (2,1%).

A região norte foi a que apresentou maior número de focos do mosquito, com 9,11%; seguida pelo centro, com 9,0%; leste, com 7,53%; sul, com 7,19% e oeste, com 5,97%. O LIRAa também apontou o Top 10, com as piores localidades em relação à infestação do Aedes aegypti. São elas: Nossa Senhora Aparecida, região norte (33,33%); Jockey Club, oeste (30,43%); Vila Yara, centro (30%); Água das Pedras, leste (28,57%); Jardim Hedy, oeste (25%); Parque Maria Estela, norte (23,53%); Hilda Mandarino, norte (22,58%); Residencial Cristal, sul (22,22%); Alexandre Urbanas, leste (21,05%); e Jardim Dom Vicente, norte (20%).

O prefeito Marcelo Belinati enfatizou que a principal mensagem que deve ser transmitida para toda a população, é que se não houver a união de todos, Londrina terá uma epidemia de dengue. “Quase 90% dos focos estão dentro das casas das pessoas, ou seja, a cada 10 lugares que contém focos do mosquito, nove estão nas residências. Por isso eu peço que toda a cidade se una nesta luta, pois a prefeitura tem cerca de 10 mil servidores para 600 mil habitantes. Por isso precisamos que cada cidadão um vistorie as suas casas e quintais, retirando todos os objetos que podem acumular água e fazendo a eliminação dos criadouros que venham a encontrar, para que possamos vencer esta doença”, disse.

O prefeito esclareceu ainda que a prefeitura tem feito todos os esforços para melhorar este cenário e também preparou uma retaguarda, no sentido de atender as pessoas que eventualmente tenham dengue, ampliando horário de unidades de saúde nas regiões mais preocupantes, aumentando o estoque de medicamentos e colocando mais médicos para atender nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS).

O secretário Felippe Machado disse que Londrina, assim como outras cidades do Paraná, está em estado de alerta máximo para uma possível epidemia. “O Paraná registra 5.000% de casos a mais do que no mesmo período do ano passado. Em Londrina, todos os indicadores nos dão indícios de que é possível termos uma epidemia na cidade, por isso estamos fazendo esta mobilização, para que as ações sejam feitas agora. “É importante salientar que mesmo com as inúmeras medidas que serão realizadas pelo poder público, não será possível conter o avanço da doença caso as pessoas não se conscientizem do problema, já que os números apontam que 97,9% dos focos têm ação direta das pessoas, pois encontram-se dentro casas ou em lixos jogados em fundos de vale, ruas e terreno baldios”, frisou.

Ações

Além das medidas já realizadas durante todo o ano pela equipe da Endemias, diversas ações serão adotadas para tentar conter o avanço da doença na cidade: de prevenção, com um amplo mutirão de limpeza em todos os bairros da cidade, começando por aqueles que têm maior necessidade, como a região leste (Marabá, Ideal, Meton, Pindorama, Felicidade e Novo Amparo). Nesta região, os agentes devem fazer a vistoria e limpeza em 5 mil residências, além de fundos de vale.

O trabalho também será feito em bairros da região norte e naqueles que forem identificados com risco de evolução. As ações incluem ainda pedido de caminhão fumacê, quando houver o inseticida fornecido pelo Governo Federal, e ações de mobilização social e ampliação da assistência aos pacientes.

Com relação a medidas de atendimento, a Prefeitura está ampliando o estoques de insumos necessários para atendimento a uma possível epidemia; aumentando o horário de realização de exames laboratoriais de retaguarda para dengue; e vai ampliar o horário de atendimento, até as 23 horas, da UBS da Vila Ricardo a partir de hoje (23), definida por critério epidemiológico. Os profissionais da rede também estão sendo capacitados para o enfrentamento de uma possível epidemia.

Ainda pela campanha Londrina Unida contra a Dengue, já foram realizadas outras atividades, como mobilização com os servidores da Prefeitura, para que cada servidor se sinta responsável por vistoriar o próprio local de trabalho em relação a possíveis criadouros do mosquito e levar para suas casas os mesmos cuidados. Houve também divulgação de novos protocolos de assistência e procedimentos sobre a dengue para coordenadores das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e dos Pronto Atendimentos.

NCPML

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