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Além desse encontro, população poderá assistir ao debate com as integrantes do movimento EIG, que falarão sobre violência e religião

Nesta quinta-feira (23), às 19 horas, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de Londrina (SMPM) vai realizar um bate-papo com a professora doutora do Departamento de Direito Público da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Claudete Canezin. O encontro será aberto ao público através da página no Instagram da SMPM (@sec.mulherlondrina).

Segundo a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Liange Doy Fernandes, o Núcleo Maria da Penha do Paraná (NUMAPE) é um dos maiores parceiros da pasta, especialmente voltado ao serviços prestado no apoio ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM). “Nós só podemos fazer orientação jurídica. Então, todos os encaminhamentos necessários ao efetivo acesso à justiça da mulher, que é vítima de violência, é encaminhado ao NUMAPE. Eles fazem todo o atendimento humanizado a essa mulher, ingressam com as ações judiciais e fazem todo o acompanhamento necessário para que ela saiba que não está sozinha e consiga romper com o ciclo da violência”, explicou.

Claudete Canezin foi a responsável pela implantação do primeiro Núcleo Maria da Penha do Paraná, no ano de 2013. Como advogada e professora do Departamento de Direito Público da UEL, conseguiu difundir a experiência do NUMAPE londrinense para todo o estado do Paraná. Com isso, o governo estadual transformou o núcleo de proteção jurídica e psicológica às vítimas de violência doméstica em um programa desenvolvido nas demais universidades estaduais do Paraná. Atualmente, 10 delas contam com o programa.

Para falar sobre ele e os serviços que existem em Londrina de ajuda as vítimas de violência doméstica, a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Liange Doy Fernandes, fará a mediação da conversa. Para se ter uma ideia, de acordo com os dados do NUMAPE, juntos, os 10 Núcleos Maria da Penha espalhados pelo Paraná realizaram, até julho de 2019, 21 mil atendimentos. Entre os serviços prestados estão atendimentos pedagógicos, jurídicos, psicológicos, realização de audiências, ações socioeducativas, sociais e pedidos de decretação de medida cautelar e medidas protetivas de urgência.

O NUMAPE é um dos serviços de atendimento às vítimas de violência e faz parte das estratégias de enfrentamento à violência doméstica, familiar e sexual ocorridas em Londrina. Além dela, o Município conta com uma gama de serviços disponíveis na rede de enfrentamento, como Centro de Referência no Atendimento à Mulher (CAM), que funciona de segunda a sexta, das 8h30 às 12h30 e das 13h30 às 17h30, na Avenida Santos Dumont, 408; a Delegacia da Mulher (Rua Almirante Barroso, 107, Vila Brasil), 3322-1633; Delegacia Plantão da Polícia (Avenida Santos Dumont, 422), 3378-3000; Plantão Casa Abrigo e Patrulha Maria da Penha (Ligue 153); o Programa Rosa Viva (atendimento emergencial de violência sexual de meninas com idade acima de 12 anos e mulheres), funcionamento 24h por dia); assim como a 6ª Vara Criminal (Vara Maria da Penha), entre outros.

Religião e Violência

Ainda nesta quinta-feira (23), os interessados poderão debater um tema delicado e importantíssimo, que é “A violência contra a mulher em contextos religiosos”. O encontro será em formato de live, como o anterior. Ele será transmitido ao vivo, a partir das 17 horas, no Instagram da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (@sec.mulherlondrina). A convidada é a teóloga e pesquisadora, Vanessa Carvalho, integrante da Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG).

Carvalho explicou, de acordo com levantamentos, como os realizados pelo IBGE, que a maioria da população brasileira se autodenomina cristã, alcançando a cifra de 65% da população. Fato que impacta diretamente nas consequências e ações de tomada de decisão daquelas que sofrem com a violência. “Muitas das mulheres, que estão em situação de violência, são mulheres de fé. Esse é o grande pilar que justifica nosso interesse e trabalho, para nos alinharmos e pensarmos com essa lente: de que a sociedade civil e os serviços de atendimento precisam se atentar às mulheres vítimas de violência que se autodenominam cristãs”, disse a teóloga.

O coletivo atua como parceiro no combate à violência, dentro da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica, Familiar e Sexual de Londrina, voltado especificamente para o contexto religioso. Através dele já foram realizadas diversas campanhas, como a do “Laço Branco: homens pelo fim do feminicídio”; Meu corpo, minha fé; Roda sobre Masculinidade Tóxica, com o promotor de Justiça, Ronaldo Costa Braga, da Vara Maria da Penha; e o Teologia é Coisa de Mulher: diálogos sobre uma fé pública.

A intenção da SMPM e do EIG é trazer o debate sobre fé e violência, visto que muitas das vítimas que chegam aos serviços de entrada à rede, como o CAM, a Casa Abrigo, ou na Secretaria da Mulher são mulheres inseridas no contexto elucidado acima. “Muitas das atendidas são mulheres que estão dentro do contexto religioso, patriarcal e androcêntrico, onde a violência acaba sendo reforçada pelo discurso do ‘perdão sim, denúncia não’. Então, nosso trabalho é pela não romantização da violência. Acreditamos que a denúncia vem em primeiro lugar e não podemos mais permitir essas narrativas de retrocesso em pleno século 21”, finalizou a pesquisadora do coletivo.

NCPML

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