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Função deles é essencial na luta contra a dengue, que tem se alastrado por todo o país; mesmo durante a pandemia o serviço prosseguiu com mudanças na rotina

Vera Lúcia de Souza, 57 anos, agente de endemias do município há 12 anos, sai todos os dias para trabalhar no combate à dengue. Ela faz orientações de porta em porta, informando os cidadãos sobre aos cuidados necessários para evitar a proliferação do Aedes aegypti, vetor da dengue e de outras doenças. Um trabalho fundamental, e porque não dizer heroico, no combate ao avanço desta doença, que tem se alastrado por todo o Brasil e que, muitas vezes, é fatal.

Assim como ela, outros 237 agentes de endemias, servidores do Município, e 57 contratados por meio de Teste Seletivo, se dedicam ao ofício todos os dias. O trabalho, por ser essencial, não parou em Londrina, mesmo durante a pandemia do novo coronavírus. Contudo, houve algumas mudanças na rotina, para manter a integridade física tanto dos profissionais, quanto dos cidadãos visitados pelos agentes.

Lyonel Martinez, da Gerência de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, explicou que antes da pandemia, além da orientação sobre os cuidados, os agentes faziam vistorias nas casas e quintais dos moradores, a procura dos focos do mosquito Aedes aegypti e eliminação dos criadouros. Agora, respeitando os critérios de prevenção ao coronavírus, os agentes abordam os moradores apenas no portão, respeitando uma distância mínima de dois metros entre os profissionais e as pessoas. Todos os agentes receberam os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras de proteção e álcool em gel 70%.

“Os profissionais que se enquadram dentro do grupo de risco para o coronavírus não estão trabalhando em campo, eles foram readaptados para outras funções, por exemplo para a área administrativa, a fim de preservar a saúde deles”, contou.

A agente Vera Lucia disse que além das orientações sobre a dengue, que incluem os sintomas da doença, meios de prevenção, os cuidados necessários para evitar o acúmulo de água em recipientes, e os locais de referência para atendimentos dos casos de dengue na região oeste, localidade em que ela atua, os agentes aproveitam as visitas para orientar os moradores sobre o coronavírus.

“Informamos quais as unidades de referência para o coronavírus, a importância de ter os cuidados básicos, como lavar as mãos e usar o álcool em gel com frequência. Com relação à dengue, frisamos sobre os sintomas, prevenção, pedimos para eles aproveitarem a quarentena para vistoriar seus quintais com frequência, observando se há acumulo de água em locais como calhas, vasos de plantas, lonas, baldes, entre outros. Estamos sendo bem recebidos pelos moradores, todos estão aceitando muito bem o nosso trabalho, mesmo neste período. Ao final da visita, se tocarmos no portão ou nas campainhas, usamos o álcool em gel entre uma visita e outra”, apontou.

O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, agradeceu o trabalho dos agentes de combate às endemias, em nome da cidade, e enfatizou que o serviço deles é fundamental para salvar vidas. “O avanço dos casos de dengue é uma realidade em todo o país e não é diferente em Londrina. Por isso, o trabalho dos agentes é essencial e não pode parar mesmo durante a pandemia. Estamos tomando todos os cuidados e precauções para evitar que estes trabalhadores sejam infectados pelo vírus. Além do trabalho de porta em porta, o municio de Londrina tem realizado uma série de ações de combate à dengue, como os mutirões Bota Fora Unidos Contra a Dengue aos sábados, que faz retirada de materiais inservíveis que podem acumular água, além de atividades educativas, entre outras inúmeras ações”, afirmou.

Machado ressaltou ainda que todo o trabalho do Município não será suficiente se a população não tomar os devidos cuidados, visto que 1º Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) de 2020, divulgado em janeiro, apontou que 90% dos focos do Aedes têm ação direta da pessoas, pois foram encontrados dentro das casas ou jogados em terrenos baldios. “Por isso é fundamental que a comunidade se mantenha vigilante no combate à dengue, eliminado possíveis criadouros, não jogando lixos e outros materiais em locais inadequados, e retirando os objetos que podem acumular água dos locais abertos, que podem receber água da chuva, por exemplo, servindo de criadouros para o Aedes”, alertou.

Dados

O último boletim semanal com as novas informações a respeito dos casos de dengue na cidade, divulgado ontem (2), apontam que, do início do ano até agora, Londrina está com 19.755 notificações relacionadas à doença e 7.696 casos confirmados até o momento. Outros 4.079 foram descartados e 9.880 estão sendo analisados, aguardando o resultado de exames laboratoriais. Não houve nenhuma confirmação de caso positivo nas duas últimas semanas avaliadas, e a quantidade de notificações também caiu, de 62 para 11. No entanto, foram computados dois óbitos a mais em relação ao último boletim, divulgado semana passada, totalizando agora 13 mortes por dengue no município. Outros 12 falecimentos estão sob investigação e quatro foram descartados.

NCPML

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