Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.
Assembleia Legislativa do Estado do Paraná

Cerimônia de abertura teve como tema "A representatividade da mulher nos espaços de poder" e tratou também de violência doméstica

A Câmara Municipal de Londrina (CML) realizou ontem (9) a solenidade de abertura da programação que ocorrerá ao longo de todo o mês de março em referência ao Dia Internacional da Mulher (8 de março). A cerimônia, realizada durante a sessão ordinária, teve como tema "A representatividade da mulher nos espaços de poder" e contou com a presença de três convidadas que ocupam cargos de liderança em Londrina: a presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, Rosalina Baptista; a juíza Zilda Romero, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Liange Doy Fernandes.

A magistrada Zilda Romero lembrou das angústias adicionais trazidas às mulheres durante a pandemia de covid-19 e apresentou dados que demonstram a importância da luta pela igualdade de gênero e que colocam em risco as conquistas femininas. Segundo Romero, há mais de 100 mil ações judiciais sobre violência doméstica tramitando no Paraná. "Só em 2020, foram 40 mil novas ações de violência doméstica no Paraná. Além disso, há 36 mil vítimas no estado com medidas protetivas de urgência que determinam, por exemplo, o afastamento do agressor do lar e a proibição de se aproximar da vítima", pontuou. Ainda conforme a juíza, 211 mulheres foram vítimas de feminicídio no Paraná em 2020. Apenas nos dois primeiros meses de 2021, já foram 38 feminicídios.

"Apesar desta data, em que as mulheres recebem tantas homenagens, tenho que trazer esses dados tristes, porque é uma oportunidade de conscientização, de sensibilização. Aqui na comarca de Londrina temos 4 mil mulheres com medidas protetivas de urgência. A boa notícia é que, por um convênio do Tribunal de Justiça com a Prefeitura, conseguimos implantar na nossa comarca o botão do pânico físico para essas mulheres, que são atendidas pela Guarda Municipal", afirmou Zilda Romero.

Presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, Rosalina Baptista ressaltou a importância do trabalho daquelas que estão em cargos de poder na luta por melhores condições de vida para todas. "A violência doméstica, a violência social, o desemprego, o que isso traz para a vida da mulher? [...] De que forma vamos melhorar essa situação? Só dando as mãos umas às outras", disse. Baptista também solicitou apoio das vereadoras para garantir recursos ao Fundo Municipal dos Direitos das Mulheres (FMDM). Criado pela lei municipal nº 12.465/2016, o fundo tem o objetivo de dar suporte financeiro a programas e ações de promoção dos direitos das mulheres.

A secretária municipal de Políticas para Mulheres, Liange Doy Fernandes, lembrou dos serviços oferecidos pela pasta às mulheres vítimas de violência, como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM), que presta atendimentos psicossociais e jurídicos, e a Casa Abrigo Canto de Dália. "A mulher que precisar desse abrigo pode entrar a qualquer momento se ela estiver em iminente risco de morte ou grave ameaça decorrente de violência doméstica", ressaltou.

Participação feminina

As vereadoras da Câmara de Londrina destacaram a importância da representatividade feminina na política. "Ao longo de tantos anos estamos buscando voz, representatividade perante a sociedade. E eu, como mulher, mãe e hoje parlamentar, não poderia deixar de exaltar a importância da representação feminina na política, trazer ênfase para esse longo processo marcado por diversas lutas e oprimido pelo pensamento que assolou a sociedade até meados do século XX de que lugar de mulher não é na política", afirmou a vereadora Mara Boca Aberta (Pros).

No Brasil, o direito ao voto pelas mulheres foi conquistado em 1932, mas não de forma plena. Na época, as mulheres casadas precisavam da autorização do marido para votar, enquanto as solteiras e viúvas deveriam ter renda própria para exercer sua cidadania. Em 1934, as restrições ao voto feminino foram eliminadas, e por fim, em 1946 ele se tornou obrigatório. Hoje as mulheres ocupam 15% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 14,8% dos cargos no Senado. Em Londrina, pela primeira vez foram eleitas sete vereadoras, maior bancada feminina da história do Legislativo Londrinense, que tinha até então o recorde de três mulheres eleitas em uma mesma legislatura.

A programação alusiva ao Dia da Mulher prossegue até o fim de março na Câmara de Londrina. Confira o cronograma:

11/03 (quinta-feira)

16h30 – Sessão ordinária com participação da presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcia Mocelin Manfrin.

16/03 (terça-feira)

16h30 – Sessão ordinária com participação de Marina Stuchi, pesquisadora sobre feminismo e violência contra a mulher.

18/03 (quinta-feira)

16h30 – Sessão ordinária com participação da deputada federal Luiza Canziani (PTB).

19/03 (sexta-feira)

16h – Reunião temática com o tema "Mulheres na liderança: alcançando um futuro igual em um mundo de Covid-19″.

23/03 (terça-feira)

16h30 – Sessão ordinária com participação da presidente do Conselho da Mulher Empresária da Acil, Marisol Chiesa.

30/03 (terça-feira)

16h30 – Sessão ordinária com participação da presidente do Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial, Fiama Heloisa.

Marcela Campos/Asimp

Comentários:

Seja o primeiro a comentar!


Deixe seu comentário:

Aceita receber as novidades do Jornal União em seu e-mail?
* todos os campos são obrigatórios