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O abuso contra crianças e adolescentes é cada vez mais evidente na sociedade. Em Londrina, na 6ª Vara Criminal, correm 550 ações penais sobre crimes praticados contra este público, sendo que deles, 90% estão relacionados aos crimes sexuais.  No Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria) em Londrina, são 1.000 inquéritos instaurados de algum crime contra a criança ou adolescente e outros 600 boletins de ocorrência foram feitos e que precisam ser investigados.

Os números foram divulgados na quinta-feira (17), na Câmara Municipal de Londrina na cerimônia foi alusiva ao 18 de maio: Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Participaram vereadores, autoridades do judiciário, Guarda Municipal, professores, estudantes e representantes da sociedade.

Para o presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente, do Idoso e da Pessoa com Deficiência (Criai) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o deputado estadual Cobra Repórter (PSD), que esteve representado no evento, “a situação é muito preocupante e providências devem ser tomadas, mas, principalmente, é preciso trabalhar na prevenção. Uma ferramenta é o serviço Disque 100. Ele é gratuito, ininterrupto e sigiloso”.

Prevenção foi a principal tônica dos palestrantes no evento. A representante da Guarda Municipal, Cássia Munhoz, ressaltou a importância da atenção à criança e ao adolescente dentro de casa, onde é preciso ter diálogo, uma privacidade vigiada e cuidado com a internet. "Os pais precisam dar atenção aos filhos que muitas vezes ficam trancados horas dentro de um quarto na internet. Há casos ainda de desaparecimentos em que os pais sequer sabem que roupa a criança estava", alertou.

Esta situação foi confirmada pela presidente do Conselho Municipal da Criança e Adolescente, Rejane Romangnoli. Ela ressaltou ainda que o abusador, em sua maioria, é uma pessoa muito próxima, como parente, amigo ou vizinho. Esta informação foi reforçada pelo promotor da 6ª Criminal de Londrina, Ronaldo Costa Braga, que apresentou alguns números.

Segundo ele, 65% dos atos sexuais contra crianças são praticados por pessoas da família e 70% por pessoas conhecidas, fazendo com que os casos deixem de ser denunciados. "Em todo Brasil, de 2011 a 2017, cerca de 190 mil casos de abusos foram notificados na rede pública municipal de saúde. E isso é somente 10% dos casos", lamentou o promotor.

A juíza da 6ª criminal de Londrina, Zilda Romero, relatou a dificuldade de julgar estes casos, pois, na maioria das vezes, o abusador é um parente ou pessoa próxima da família. "É muito delicado, não podemos errar", disse. Ela reforçou ainda a importância do atendimento psicológico à família e à criança.

Para o deputado Cobra Repórter é preciso reforçar também os mecanismos de denúncias e investigação. Ele se comprometeu em buscar formas para dar mais suporte ao Nucria de Londrina, que hoje conta somente com uma delegada e não tem sequer escrivão ou investigador.

"Sabemos que muitos casos de abusos ainda não são relatados. É preciso ampliar os mecanismos de prevenção com campanhas de orientação, incentivar as denúncias e dar mais suporte para investigação e punição. Como presidente da Criai, podem contar com o meu apoio", afirmou Cobra Repórter.

O evento na Câmara de Vereadores foi promovido pelas comissões de Defesa dos Direitos do Nascituro, da Criança, do Adolescente e da Juventude e de Direitos Humanos e Defesa da Cidadania. Os vereadores Junior Santos Rosa e Tio Douglas também ajudaram na organização.

Meire Bicudo/Asimp

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