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Com o carinho e atenção das famílias acolhedoras, crianças de Londrina têm conseguido superar barreiras

Com o objetivo de colaborar com o desenvolvimento social, moral, físico, cognitivo e educacional de crianças e adolescentes que foram afastados do convívio com suas famílias de origem, oito grupos familiares de Londrina estão inscritos para participar do Programa Família Acolhedora.

O número parece baixo à primeira vista, mas já pode ser considerado um avanço. Isso porque, o programa foi regulamentado, em Londrina, há apenas nove meses, por meio do decreto municipal nº 1.392, de dezembro de 2017. Já passaram por ele, quatro crianças, que tiveram a reinserção no berço familiar e, atualmente, outras quatro, que têm entre zero e 6 anos de idade, e estão sob os cuidados de famílias acolhedoras. Ao todo, oito famílias estão habilitadas no programa.

Com o carinho e a atenção dessas pessoas, as crianças acolhidas recebem os cuidados que os pais ou responsáveis deveriam ter dado mas que, por diversos motivos, não conseguiram. As crianças são afastadas do convívio familiar por sofrerem desproteção grave ou situações de violência, ambas comprovadas pelo poder judiciário. Por isso, cabe às famílias acolhedoras prestarem atendimento de guarda ao menor, dando-lhes educação digna, moradia, higiene, alimentação e cuidados afetivos.

Segundo a psicóloga do programa, Márcia Tokita, o acolhimento é importante para as famílias e principalmente às crianças, pois é um momento de ressignificação, em que, através de um serviço individualizado, o acolhido se sentirá amado e cuidado por um núcleo menor de pessoas. “Isso faz uma grande diferença e percebemos a evolução enorme daqueles que precisam do cuidado, porque existem questões que são mais difíceis de serem trabalhadas no contexto institucional do que no familiar. No acolhimento, a criança ressignifica os papéis sociais de pai, mãe e filho, aprende o que é ser amada, cuidada e o que é amar e cuidar do outro também.”.

Para que as famílias consigam acolher, não basta apenas a vontade de fazê-lo; é preciso passar por uma avaliação com a equipe do programa, que é composta por psicólogas e assistentes sociais. Isso porque as famílias precisam saber da grande importância que exercem na formação da criança, porém não podem ter a vontade de adotá-la.

A diretora de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Joseane Nogueira, explicou que há a impossibilidade da adoção, pois é preciso respeitar a fila de interessados e cadastrados para adotar uma criança no Município, assim como existe a possibilidade de a criança voltar ao seio familiar de origem, se ficar comprovado, ao Poder Judiciário, que houve a superação da situação que afastou o menor.

Para isso, a cada três meses, as famílias e as crianças acolhidas são avaliadas por uma equipe multidisciplinar. Os profissionais visitam a casa, a escola e os projetos nos quais a criança está inscrita, conversam com o acolhido, seus amigos e com a família que presta o atendimento. Qualquer criança de zero a menor de 18 anos pode ser acolhida. O acolhimento familiar de maior período na cidade, até o momento, foi de nove meses de duração.

Por meio do programa, cada família pode ficar responsável por uma criança por vez, exceto quando são grupos de irmãos, pois estes não podem ser separados durante o processo. Para ajudar nos cuidados com a criança, cada família recebe, mensalmente, um salário mínimo destinado pela Prefeitura. “A família será uma madrinha da criança e poderá acompanhá-la por toda a vida, mas precisa saber que ali é uma passagem temporária, onde ela receberá atenção e cuidado, até que volte ao convívio com sua família permanente, seja a de origem ou com a adotante”, explicou a diretora.

Além disso, durante todo o processo, a equipe multidisciplinar da Assistência Social mantém a família acolhedora informada sobre a situação da criança, assim a informa sobre o período do desacolhimento, para que tudo ocorra conforme o plano de trabalho norteador dos cuidados. “Quem dá o tom é a criança, mas nós trabalhamos em conjunto, para que ela entenda que o período de desacolhimento é um período de alegria, porque isso indica que tudo deu certo, que o sofrimento que deu causa ao acolhimento acabou e que, agora, ela pode ir para sua família permanente”, finalizou a psicóloga.

Mesmo depois de ser encaminhada à família permanente, a criança ou o adolescente será acompanhado diretamente pelos profissionais da Assistência Social durante seis meses, assim como seus familiares. Estes profissionais e os do Poder Judiciário elaboram relatórios multidisciplinares sobre a reintegração familiar e os encaminham à autoridade competente.

O serviço de acolhimento familiar segue o preconizado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Aqueles que desejarem se tornar uma família acolhedora devem entrar em contato com a Diretoria de Proteção Social Especial, na Secretaria Municipal de Assistência Social, pelo telefone (43) 3378-0589, de segunda a sexta-feira ou pessoalmente na Avenida Rio de Janeiro, 1.288, centro.  Também é possível obter mais informações sobre os requisitos para participar e a ficha de inscrição pelo e-mail acolhimento.familiar@londrina.pr.gov.br, no site https://familiacolhedora.wordpress.com/ e na página do programa no Facebook https://www.facebook.com/familiacolhedoralondrina/.

Ana Paula Hedler/NC/PML

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