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Autoridade lembrou que os negros trazidos ao Brasil foram filhos e filhas de reis e rainhas da África e que isso deve ser contado, para que conheçam sua história e origem

Na segunda-feira (16), o prefeito Marcelo Belinati recebeu, em seu gabinete, o príncipe da Nigéria e diretor-presidente do Centro Cultural Africano em São Paulo, Otunba Adekunle Aderonmu. Esta foi a primeira visita a cidade do norte paranaense feita pela autoridade nigeriana.

Durante a visita, o príncipe ressaltou que os negros trazidos ao Brasil, durante o período da escravidão, eram filhos e filhas de reis e rainhas na África e que, na maioria das vezes, isso não é contado aos descendentes que aqui vivem. Por isso, para ele, e preciso contar a história do negro para que eles e todo o povo conheçam a origem daqueles que hoje somam 54% da população brasileira.

“A intenção é que o negro se reconheça como filho e filha de reis e rainhas, porque isso aumenta a autoestima dos nossos irmãos e irmãs brasileiros que, às vezes, se sentem como filhos de escravos, por causa do preconceito racial e de sua cor. Com isso, eles se sentem menosprezados. Precisamos rever a história e mostrar quem eles são e que nosso país está com eles, para que eles se tornem cidadãos valorizados”, explicou Otunba.

Durante o encontro, o prefeito se propôs a estreitar os laços de amizade entre Londrina e Nigéria, assim como já acontece com cidades como Nishinomiya e Nago, no Japão, que são coirmãs de Londrina; Toledo que fica em Ohio, Estados Unidos; Leon, na República da Nicarágua; Guimarães em Portugal; Modena na Itália e com Zhenjiang, que fica na China.

A finalidade seria a promoção do conhecimento e do intercâmbio cultural da história e da cultura desse povo formador da população brasileira. “Nós nos sentimos muito honrados em recebê-lo aqui e vamos ampliar a parceria entre Londrina e Nigéria, no modelo que temos com outros países, como Japão, Estados Unidos e Portugal. É fundamental receber o príncipe pela missão que ele tem em prol do resgate da cultura da população negra e suas raízes, vencendo as barreiras do preconceito e estimulando a valorização do afrodescendente”, afirmou Marcelo.

A Nigéria

É o país com a maior população negra do mundo, e o Brasil está em segundo lugar nesse ranking, segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, onde quase 97 milhões de brasileiros se autodeclararam negros. Em Londrina, de acordo com a gestora de Políticas Públicas de Igualdade Racial, Fátima Beraldo, mais de 30% da população se autodeclara negra. E para tratar da origem do negro e sua história, a rede municipal de ensino vem aplicando as diretrizes propostas na Lei Federal nº 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que versa sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana, ressaltando a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira.

Segundo Beraldo, em Londrina já vem sendo desenvolvido um trabalho em rede, que pode atrair a vinda de um Instituto de Cultura Afro. “Na rede municipal de ensino tratamos a história e cultura afro, na vertente do enfrentamento e combate ao racismo, em todas as unidades escolares. Além disso, todos os professores, tanto municipais quanto estaduais, recebem formação continuada com os docentes da UEL e profissionais do Ministério Público do Paraná”, disse.

Otunba já viajou pelo Mato Grosso, Bahia, onde conheceu Salvador e por outras cidades do território nacional. “Gostei muito de conhecer a cidade, dessa recepção calorosa que o prefeito deu para nós e ele é um homem que já está trabalhando nessa questão do afro-brasileiro e nós africanos estamos trazendo a África para cá”, finalizou o príncipe.

Ontem (16), a autoridade retornou a São Paulo (SP), onde reside desde 1992 e é responsável pelo Centro Cultural Africano, na Barra Funda. A Nigéria e o Brasil têm laços estreitos por conta do petróleo, visto que a Petrobras trabalha na produção de petróleo no campo de Agbami, na Nigéria, por meio da plataforma flutuante de produção, estocagem e escoamento de petróleo e gás natural (FPSO).

Miss Beleza Negra

No último domingo (15), o príncipe da Nigéria participou do concurso Miss e Mister Beleza Negra 2019. A intenção foi elevar a autoestima da população negra, por meio da campanha de empoderamento da comunidade afro-residentes na cidade. Para uma das organizadoras e coordenadoras do Coletivo Black Divas, Dilza Carvalho, a iniciativa superou a expectativa que era de valorizar o menino e a menina negra, assim como os adultos.

NCPML

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