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Assembleia Legislativa do Estado do Paraná
Londrina 28/12/2020  10h46

Londrina Verde

Por Wilton Mitsuo Miwa

A princípio, o projeto Londrina Verde nasceu de forma despretensiosa, consistindo numa ideia bastante simples: fotografar as árvores da cidade. Afinal, como não se encantar com os Ipês, Flaboyants, Sibipirunas, Aroeiras e outras árvores mais, principalmente quando carregadas deflores e irradiando cores vibrantes. Sem esquecer das árvores que, apesar de não florirem, nem por isso são menos majestosas, como as Perobas, Figueiras, Araucárias e tantas outras. Enfim, Londrina abriga uma infinidade de espécies de árvores que ao longo do ano, além de colorirem a paisagem, alegram o dia a dia dos londrinenses. Sem esquecer da qualidade do ar e de temperaturas mais amenas que a arborização nos proporciona. 

No entanto, quando as árvores se tornam objeto de estudo é natural acabar esbarrando em certos problemas que nem mesmo os mais desatentos deixariam de perceber, diria ser impossível não enxergar. Me refiro às podas que são realizadas no intuito de abrir caminho na copa das árvores para dar passagem aos fios da rede elétrica. Entendo ser um mau necessário, mas também fica claro que, por vezes, essas podas são realizadas de forma pouco racional. Se prestarmos atenção, testemunharemos mutilações grotescas. Londrina, por ser uma das cidades mais arborizadas do Brasil, faz com que esse problema se torne ainda mais perceptível.

Foi quando entendi que seria deslealde minha parte mostrar somente o lado bonito da história e ignorar a parte feia. E foi a partir daí que o projeto foi se transformando, ganhando outra dimensão e adquirindo maior consciência ambiental. Seguiria fotografando e exaltando o belo, mas sem deixar de lado a crítica. Por isso a sugestão da implementação da rede elétrica subterrânea em oposição à rede elétrica aérea. Apesar de custoso, trata-se de uma tendência mundial e Londrina poderia dar um passo à frente. Não tenho dúvida que as cidades do futuro seguirão esse caminho.

Obviamente, quando se fala em arborização, não poderia deixar de fora os parques, reservas de proteção ambiental e os inúmeros fundos de vale que a cidade abriga. Assim como toda a problemática que ocorre nesses espaços. Como sempre, a recorrente depredação da natureza. 

Fotograficamente falando, ficou claro desde o início que o maior desafio seria fotografar os fundos de vale. Alguns fundos de vale apresentam uma vegetação bastante densa, não permitindo um enquadramento adequado das paisagens por não possuir espaço para recuo ou para uma mudança de ângulo que seja mais favorável par a composição das imagens. Uma dificuldade bastante previsível, tendo sido comprovada na prática. No entanto, pela grande quantidade de fundos de vales que o município apresenta e com uma certa persistência, foi possível produzir imagens bastante satisfatórias. Apesar de conhecer bem a cidade de Londrina, explorar os fundos de vale foi uma experiência nova para mim e admito que fiquei bastante surpreso com as descobertas. Diante disso, além de paisagens que são habituais aos olhos do cidadão pé vermelho, o projeto também apresenta paisagens que acredito serem desconhecidas da grande maioria do publico londrinense.

Seria difícil quantificar com precisão o número de fotografias que foram realizadas durante o projeto. Até mesmo porque, com excessão dos fundos de vale, parte desse processo já vem sendo construído ao longo de anos. Mas não seria exagero estimar algo em torno de 1.000 imagens devidamente pré-selecionadas e editadas. E exposição fotográfica virtual está disponível no YouTube, sendo composta de 91 imagens acompanhadas de locução. Também será realizada uma exposição física na Biblioteca Pública de Londrina, composta de 20 fotografias devidamente emolduradas. Mas, devido à pandemia, não há previsão de quando a exposição possa ocorrer.

Para desenvolver a parte textual do projeto foram realizadas diversas entrevistas. Na verdade, seria mais correto chamar de bate papo, conversas informais com frequentadores das áreas verdes da cidade, assim como pessoas que residem nas proximidades desses locais.

Seria pertinente mencionar que também conversei com pessoas que residem dentro dos fundos de vale. No entanto, por questões óbvias, muitas pessoas mostram-se receosas com um projeto que de uma certa maneira poderia expô-las. Uma vez que a ocupação desses espaços é sabidamente proibida. E mesmo algumas intervenções muitíssimo bem intencionadas e realizadas por moradores dos arredores desses fundos de vale no intuito de preservar e enfeitar esses locais são realizadas de forma irregular ou ilegal. Alguns desses moradores ignoram a existência de tais proibições, enquanto outros simplesmente desprezam o poder público, pois acreditam que a espera por atitudes por parte das esferas responsáveis é em vão.  

Ainda sobre os fundos de vale, foi uma grande surpresa descobrir que a mais bela horta comunitária em fundo de vale que encontrei está a uma quadra de distância dos domínios do município de Londrina, situada no bairro Novo Bandeirantes, já no município de Cambé. Quisera poder arrastar a linha fronteiriça com as mãos, como quem puxa a sardinha para o seu lado. É preciso exaltar o belo exemplo dado pela cidade vizinha. Apesar de Londrina possuir hortas comunitárias em fundos de vale, nada se compara a Cambé que já desenvolve esse tipo de iniciativa há muito tempo. Segundo informações obtidas, a horta comunitária em questão já existe há 37 anos e beneficia 47 famílias. Em Londrina, embora existam hortas comunitárias em alguns fundos de vales, estas, são bastante pequenas e contemplam um número bastante reduzido de famílias beneficiadas se comparado ao exemplo do município de Cambé. Está na hora de Londrina aprender com os seus vizinhos. É possível preservar esses fundos de vale e ainda fazer uso racional desses espaços em prol da comunidade de forma mais abrangente e mais efetiva. 

No geral, fiquei bastante satisfeito com o resultado da produção fotográfica. Mas lamento não poder fornecer ao público um maior número de informações que, acredito, poderiam melhor ilustrar a narrativa do projeto. Apenas como exemplo, tenho muita curiosidade em saber qual a área total ou aproximada das áreas verdes da cidade de Londrina em quilômetros quadrados ou hectares. Um cálculo geral, englobando a Mata dos Godoy, Bosque Central, Jardim Botânico, Parque Arthur Thomas, Lago Igapó, Marco Zero, entre outros. Além dos já citados fundos de vale, não somente na área urbana, mas também da nossa impressionante zona rural. Acredito se tratar de uma métrica interessante e pertinente, mas que não consegui obter em nenhum órgão do município.

Para assistir ao projeto na íntegra acesse: https://www.youtube.com/watch?v=o6SPtSxDgQw ou insira LONDRINA VERDE na barra de busca do YouTube.

Patrocínio do PROMIC.

Transcrição de áudio do youtube

Londrina é uma linda e prospera cidade, jovem e encantadora. Ostenta um crescimento vertiginoso, concretizado nos alicerces de uma história rica e inspiradora. Uma das cidades do interior mais acolhedoras do Brasil. No entanto, vamos ignorar os seus inúmeros atributos econômicos e sociais e focar o nosso olhar num aspecto não menos importante. 

Num passado recente Londrina ficou conhecida como a capital mundial do café. A atividade trouxe tanta riqueza para o estado que a cultura do café passou a ser chamada de ouro verde.

Nos dias atuais o ouro verde ainda existe, mas nem tanto por conta da bebida que continua imperando nas mesas e no paladar de todo Brasil e mundo afora. Hoje, o ouro verde está espalhado pelas ruas. São as árvores. Londrina é uma das cidades mais arborizadas do Brasil.

Londrina ainda possui uma infinidade de parques e reservas, sendo palco de atividades culturais e esportivas. Um convite à diversão e ao lazer com a família em paisagens deslumbrantes. 

E se parece pouco, Londrina também é uma das cidades que mais possui fundos de vale no Brasil. Apesar da falta de um estudo sobre a impressionante e rica zona rural, dentro da cidade são mais de 80 rios urbanos que costuram o município numa enorme colcha de retalhos de áreas verdes intercaladas aos bairros, um imenso patrimônio natural.

São verdadeiros santuários entrelaçados à zona urbana, reduzindo a temperatura ambiente dessas áreas privilegiadas em cerca de três graus centígrados, deixando o ar mais fresco, reduzindo problemas respiratórios provenientes da poluição e evitando enchentes e alagamentos, uma vez que esses fundos de vale são fundamentais para escoar a água das chuvas.

Em alguns desses fundos de vale existem atividades de subsistência como hortas comunitárias, mas praticadas de forma racional e que auxiliam no sustento de muitas famílias.

Muitos desses paraísos verdes de Londrina abrigam árvores imponentes. É impossível não ficar impressionado e até mesmo comovido com a grandeza da natureza. Esses santuários são abrigos naturais que protegem uma infinidade de aves, insetos e animais.

Trata-se de uma riqueza de valor incalculável que proporciona bem estar, melhorando a qualidade de vida de toda a população. No entanto, é triste perceber que também existem problemas. Se por um lado a própria comunidade se empenha para manter e preservar esses locais, também existe uma parcela da sociedade caminhando na contra-mão.

Infelizmente, muitos fundos de vales são criminosamente utilizados para o descarte de lixo. Além de degradar a natureza o acúmulo de lixo provoca o assoreamento dos córregos e riachos, impossibilitando o escoamento da água das chuvas, gerando alagamentos e resultando em transtornos e prejuízos para toda a população.

Também se faz necessário chamar a atenção do poder público para outro problema. É preciso aprender a fazer diferente. Seria bastante oportuno pensar numa alternativa mais inteligente e sustentável, como a rede elétrica subterrânea, sem a necessidade de postes e cabos de energia atravessando a copa das árvores. Em muitos países, o emaranhado de postes e fios elétricos a mutilar árvores já é considerada uma tecnologia arcaica e estúpida. É preciso investir nessa transição, implementando a rede elétrica subterrânea em oposição à rede elétrica aérea. A natureza agradece.

Enfim, precisamos voltar nossos olhos às áreas verdes da cidade. O vermelho tão característico da terra fértil de Londrina, por mais orgulho que tenhamos, nada vale sem a existência, manutenção e preservação do verde.

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