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Trabalho valoriza preservação da obra, assinada por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi na década de 50; espaço é um dos marcos arquitetônicos, culturais e históricos da cidade

O projeto “Antiga Casa da Criança: proteção, conservação e promoção do patrimônio material”, elaborado pelo Município de Londrina, foi  indicado como um dos representantes do Paraná para a etapa nacional do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Em sua 31ª edição, a premiação é organizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e tem como objetivo valorizar e dar visibilidade às ações realizadas em prol da preservação do patrimônio cultural brasileiro.

Inscrito no prêmio pela Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto busca demonstrar como a ação de restauro da obra da antiga Casa da Criança, que compõe o acervo arquitetônico modernista londrinense assinado por Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, na década de 1950, foi importante para estabelecer medidas de proteção, conservação e promoção do patrimônio material significativo para a memória nacional.

No Paraná, foram analisados 14 projetos previamente habilitados, inscritos em duas categorias (Iniciativas de excelência no campo do Patrimônio Cultural Material; e Iniciativas de excelência no campo do Patrimônio Cultural imaterial), subdivididas em quatro segmentos (l - Entidades governamentais, II – Empresas e Fundações Privadas, III - Outras instituições sem fins lucrativos da sociedade civil organizada, IV - Pessoas Físicas  e representantes de  grupos  ou coletivos).

Uma comissão estadual formada por representantes de diferentes áreas culturais avaliou os trabalhos, e o projeto londrinense foi selecionado para a fase nacional do prêmio na categoria Iniciativas de Excelência no Campo do Patrimônio Cultural Material, dentro do segmento Entidades Governamentais. Outros três projetos rambém foram selecionados para representar o Paraná na etapa nacional. São eles o trabalho Arquivo (Giceli Portela Cunico de Oliveira), de Curitiba, na mesma categoria de Londrina; e os projetos da área de Patrimônio Cultural Imaterial: Benzedeiras de Ponta Grossa (Fundação Municipal de Cultura) e Folia do Divino Espírito Santo da Ilha dos Valadares, de Paranaguá (Associação de Cultura Popular Mandicuera).

O secretário municipal de Cultura, Caio Julio Cesaro, enfatizou a importância do reconhecimento que Londrina está recebendo pelo papel que o poder público atualmente desenvolve no sentido de preservar e valorizar o patrimônio público, além de oferecer serviços de qualidade no prédio, que foi restaurado e reaberto em 2016. “É uma grande alegria ver nossa cidade ganhando destaque no cenário estadual e nacional com prestígio a este trabalho essencial de cuidar de um patrimônio material tão importante para a história de Londrina. Após vários anos sem uso, por problemas de conservação a alterações estruturais ao longo do tempo, a obra foi revitalizada pela Prefeitura e acabou se tornou o primeiro bem de Londrina tombado pelo Patrimônio Municipal”, destacou.

Segundo Caio, hoje o local novamente preserva as características e atrativos do projeto arquitetônico original e recebe a população de braços abertos, todos os dias, no centro de Londrina. “O prédio atualmente abriga a sede da Secretaria de Cultura, a Biblioteca Infantil, um solário e um auditório, entre outros setores para fomentar a cultura e a arte, recebendo visitas de muitos estudantes universitários, arquitetos, professores, pesquisadores e da comunidade em geral. Esse reconhecimento do público e de instituições importantes como o Iphan valoriza ainda mais o espaço”, acrescentou.

De acordo com a diretora de Patrimônio Artístico e Histórico-Cultural do Município, Solange Batigliana, desde sua reinauguração, em abril de 2016, o prédio da antiga Casa da Criança já recebeu a visita de milhares de pessoas, voltando a se consolidar como um equipamento de serviços e estímulo à educação patrimonial e histórica de Londrina. “A cidade tem três obras importantes projetadas por Vilanova Artigas e, recentemente, voltou a contar com duas delas, que são a própria Casa da Criança e o Cine Teatro Ouro Verde, além de ter à disposição o Museu de Arte. Isso demonstra a valorização das ações de preservação e incentivo à fruição de espaços como estes, que envolve o dever do poder público”, frisou.

Histórico

A Casa da Criança foi projetada pelo arquiteto Vilanova Artigas e pelo engenheiro Carlos Cascaldi, em 1953, e inaugurada em 1955 como uma instituição de assistência destinada ao amparo e proteção da criança e da mulher gestante. O espaço atendeu as crianças londrinenses até o final da década de 1960. Em janeiro de 1970, o prédio passou a abrigar a Biblioteca Pública Municipal, ligada então à Secretaria Municipal de Educação e Cultura. A partir de 1992, tornou-se sede da Secretaria Municipal de Cultura e, ao longo dos anos, o prédio sofreu diversas alterações em sua estrutura, que acabaram descaracterizando o projeto original, incluindo intervenções como a construção de um novo pavimento e de uma cobertura na área do Solário. O projeto de restauro foi  elaborado pelos arquitetos Jussara Valentini e Roberto Martins, retornando assim a volumetria e sua conformação originais.

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Os projetos vencedores na etapa estadual do 31º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade agora serão analisados pela Comissão Nacional de Avaliação, que é formada pela presidente do Iphan e por 16 jurados que atuam nas áreas de preservação ou salvaguarda do Patrimônio Cultural. Em 2018, o Prêmio Rodrigo Melo Franco selecionará oito trabalhos representativos no campo do Patrimônio Cultural Brasileiro, sendo que cada vencedor receberá o valor de R$30 mil. O resultado final do concurso deverá ser divulgado até o dia 30 de agosto de 2018, no site do Iphan, pelo endereço http://portal.iphan.gov.br/ .

Promovido pelo Iphan, desde 1987, o prêmio prestigia, em caráter nacional, as ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro que, em razão da originalidade, vulto ou caráter exemplar, mereçam registro, divulgação e reconhecimento público. A premiação é oferecida, anualmente, a empresas, instituições e pessoas de todo o Brasil, e tem destacado, ao longo dos anos, a diversidade e a riqueza do Patrimônio Cultural Brasileiro (Material e Imaterial) em suas manifestações culturais, antigas e modernas curvas da arquitetura nacional ou em grandiosas paisagens arqueológicas e naturais.

Renan Oliveira/NC/PML

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