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Objetivo é qualificar 105 futuros egressos do sistema prisional para facilitar a reintegração social e inserção no mercado de trabalho

Na próxima quinta-feira (26), 31 apenados da Penitenciária Estadual de Londrina II (PEL II), que integram a primeira turma de um projeto pioneiro de formação profissional e empreendedorismo com foco na reintegração social e inserção no mercado de trabalho, poderão comemorar a formatura. Além de ofertar cursos profissionalizantes, o programa trabalha aspectos comportamentais e psicológicos e, ainda, auxilia os participantes a se formalizarem como Microempreendedor Individual (MEI) e aprenderem a fazer a gestão do próprio negócio.

O diretor da PEL II, Emerson das Chagas, diz que o formato do programa é inédito no Brasil e a ideia surgiu a partir de uma conversa com um procurador do Ministério Público do Trabalho. Os recursos para a formação de 105 futuros egressos do sistema prisional nos próximos meses serão custeados com o valor arrecadado de uma multa trabalhista. “A intenção é que os detentos possam atuar como autônomos”, conta. Outro diferencial do projeto é que os participantes receberão um kit de ferramentas necessário para o trabalho. “Vão sair daqui equipados, com conhecimento e empresa aberta. A expectativa é enorme”, destaca.

Podem participar do programa as pessoas privadas de liberdade com previsão de alcance da progressão para o regime semiaberto mais próxima, entre seis meses e um ano, desde que não tenham vínculo com facções criminosas, não respondam por crimes hediondos e tenham bom comportamento na unidade. Os cursos profissionalizantes são conduzidos pelo Senai nas áreas de construção civil, elétrica predial e refrigeração, e informática. O apoio psicológico é oferecido pela própria PEL II com o auxílio de estudantes do curso de Psicologia da Faculdade Pitágoras, e o trabalho voltado ao empreendedorismo é feito pelo Sebrae/PR.

Chagas conta que Londrina é pioneira na iniciativa e que o projeto piloto poderá ser difundido para o Brasil todo. “O objetivo é que, no futuro, tenhamos recursos financeiros específicos para dar continuidade ao programa”, explica. Para as capacitações foi necessário adaptar e equipar duas salas dentro da penitenciária, uma traz os equipamentos de informática e a outra foi transformada em oficina para as atividades práticas dos cursos. Segundo Chagas, as aulas ocorrem de segunda a quinta-feira, das 8h às 17h. Nas sextas é feito o trabalho com a equipe de psicologia, que aborda conceitos da justiça restaurativa, entendimento do trabalho, hierarquias, atuação em equipe, apresentação pessoal.

O coordenador de educação profissional e tecnológica do Senai Londrina, Victor Cunha, diz que os cursos foram adaptados para atender as necessidades da penitenciária. O principal desafio, além de criar um ambiente pedagógico dentro da unidade, foi levar os insumos para os cursos, como materiais de construção e quadro elétrico, por exemplo. “Não existe formação profissional sem prática”, comenta. Os cursos possuem duração de 398 horas a 418 horas. Cunha considera bem-sucedida a formação da primeira turma e antecipa que a segunda começa em 23 de agosto.

Comportamento empreendedor, gestão do negócio e formalização do MEI estão entre os temas trabalhados pelo Sebrae/PR dentro do projeto. A consultora Liciana Pedroso considera o programa inovador, pois abrange a formação profissional, os aspectos comportamentais para a reinserção na sociedade e no mercado, e dá condições para que os apenados deixem o sistema com conhecimento, equipamentos e chances reais de trabalho, seja como funcionário de uma empresa ou como autônomo. “As turmas serão acompanhadas por dois anos pela PEL II para que possamos avaliar os resultados”, lembra.

Asimp/Sebrae/PR

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