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Índice de infestação do Aedes aegypti subiu para 5,4% em Londrina; ações de combate continuam em todas as regiões

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) divulgou, ontem (25), o resultado do 4º e último Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) de 2018. O balanço foi apresentado durante a reunião do Comitê Municipal de Mobilização contra o Aedes aegypti, realizada no Hospital do Câncer de Londrina (HCL). De acordo com o estudo, Londrina está hoje com índice de Infestação Predial de 5,4%, dado estatístico que coloca o município em situação de risco de epidemia de dengue. Conforme a classificação estabelecida pelo Ministério da Saúde, são englobadas nesta faixa as localidades que estão acima do índice de 3,9%.

O quadro atual demonstra que, a cada 100 imóveis vistoriados na cidade, foram encontrados focos do Aedes em mais de cinco. No 4º levantamento, realizado de 15 a 19 de outubro, o Município inspecionou 9.942 imóveis em 217 localidades da área urbana, tendo encontrado focos do mosquito em 507 destes. As vistorias abrangeram espaços residenciais e comerciais, áreas de construções e terrenos baldios. Cerca de 170 agentes de endemias e do Ministério da Saúde participaram das ações.

Em comparação ao levantamento anterior, divulgado no final de julho, houve aumento de mais de três vezes no volume de infestação avaliado. Na ocasião, a cidade estava com índice de infestação de 1,6%, sendo que as condições satisfatórias preconizadas pelo governo federal incluem os municípios que estão abaixo da marca de 1% no LIRAa.

Mais de 70% dos focos do mosquito encontrados nos imóveis vistoriados no último LIRAa do ano são provenientes da soma dos criadouros identificados em depósitos móveis (vasos, pratos, frascos com plantas, bebedouros de animais, entre outros), e de lixo, incluindo recipientes plásticos, garrafas e latas.

O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, explicou que o resultado é visto com preocupação, pois coloca a cidade em risco de uma possível epidemia de dengue. “A partir de agora vamos desenvolver um Plano de Ação, junto aos agentes de endemias e a sociedade civil organizada, para que consigamos manter os casos de dengue dentro de um parâmetro aceitável. Por enquanto estamos com apenas 22 casos confirmados, mas não podemos descuidar”, salientou.

Machado falou ainda sobre a importância da conscientização dos cidadãos, visto que a maior parte dos criadouros foram encontrados dentro das casas. “Pedimos para as pessoas ficarem atentas, vistoriando suas casas e quintais pelo menos duas vezes por semana, com atenção especial a lugares que podem se tornar criadouros como vasos de plantas, bebedouros de animais, ralos, calhas, entre outros, pois só assim conseguiremos evitar uma epidemia de dengue na cidade”, frisou.

A diretora de Vigilância em Saúde da SMS, Sônia Fernandes, alertou que a tendência da infestação é piorar, devido a projeção de um verão quente e chuvoso, sob influência do fenômenos El Niño. “Tivemos as piores epidemias de dengue no Brasil e em Londrina nesta época, por isso é importante o envolvimento de toda a sociedade no combate ao mosquito. Nós já iniciamos os trabalhos com as agentes de endemias nos bairros com maior infestação, mas enquanto as pessoas não se conscientizarem, individualmente, e não eliminarem os potenciais criadouros de dentro das casas, não conseguiremos uma ação efetiva”, apontou.

Por regiões

As áreas da cidade mais infestadas pelo Aedes aegypti, segundo o índice aferido no 4º LIRAa, são as regiões sul (7,31%), centro (6,66%), norte (5,70%), oeste (4,74%) e leste (3,81%). Com relação às sublocalidades mais afetadas, o primeiro lugar fica dividido, com índice de infestação de 33,33% para cada, entre o Parque Comercial Quati, na região central, e a área das Chácaras São Miguel, perto do Conjunto Cafezal, na região sul. Entre as dez principais áreas com infestação estão os bairros Santiago, Maria Cecília, Chefe Newton, Padovani, Bandeirantes, Itapoá, Vila Nova e Vivi Xavier.

Dengue em números

A Secretaria Municipal de Saúde informou que, desde o início de 2018 até o momento, foram notificados 2.219 casos de dengue em Londrina. Deste total, ficam em 22 os casos confirmados e 1.992 os descartados. Outros 222 estão em fase de andamento, com análises laboratoriais a serem concluídas.

Prevenção e combate

Como forma de conscientizar e mobilizar a população londrinense no combate ao Aedes aegypti, o setor de Endemias do Município, junto a parceiros da cidade, continua desenvolvendo uma série de atividades contemplando todas as regiões.  Após a realização do 3º LIRAa, vários trabalhos foram feitos nos meses de agosto e setembro deste ano.

Foram realizadas várias palestras e exposições com o tema endemias em locais como empresas, escolas municipais e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), mercados, praças e espaços públicos. Além disso, reuniões e mutirões educativos chegaram a diferentes bairros para levar informações aos moradores e reforçar a importância dos cuidados necessários para a prevenção e combate da proliferação de doenças.

O setor de Endemias ainda esteve presente em feiras de saúde, exposições e limpezas, que incluíram espaços como o assentamento Eli Vive, no distrito de Lerroville, e um acampamento indígena localizado na região central. Em setembro, foi realizado o “Dia D” de combate ao Aedes no Terminal Central de Londrina. Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de todas as regiões somaram esforços para fortalecer os trabalhos em suas áreas de abrangência.

Outras ações mais recentes já ocorreram logo depois do término dos trabalhos do 4º LIRAa, entre elas uma palestra para uma empresa na região oeste, uma exposição sobre endemias em um laboratório de imagens da área central, e participação no evento Tarobá no seu Bairro, na região sul. Também foram colocadas faixas educativas nos cemitérios municipais São Pedro, Jardim da Saudade, Padre Anchieta, João XXIII e São Paulo, para o Dia de Finados, que será celebrado em 2 de novembro.

Renan Oliveira e Dayane Albuquerque/NCPML

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