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Em 2018, foram atendidos mais de 700 usuários em 67 grupos; serviço integra a Política Nacional de Controle do Tabaco

Para conscientizar cada vez mais a sociedade sobre os danos causados pelo tabagismo, o dia 29 de agosto foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Desde a criação da lei federal 7.488, em 1986, a data é marcada por ações e campanhas relacionadas ao tema. Em Londrina, o combate contra o fumo abrange, principalmente, os grupos de tratamento realizados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), nas Unidades Básicas (UBSs).

Em 2018, foram realizados 67 grupos na rede pública de saúde, incluindo três que foram ofertados pelo governo do Estado, no Hospital de Clínicas da UEL. Mais de 700 pacientes participaram, sendo 311 mulheres e 425 homens. Dentre este total de usuários, três eram menores de idade, e a grande maioria, 571, pertence a faixa etária de 18 a 60 anos. Outros 165 usuários participantes dos grupos possuíam 60 anos ou mais.

Segundo a coordenadora em Saúde do Adulto da SMS, Juliana Marques, o usuário que deseja parar de fumar pode procurar a UBS mais próxima de sua residência e manifestar o interesse em participar dos grupos de tratamento. “Como o tabagismo é considerado fator de risco para várias doenças, como as cardiovasculares, pulmonares, diabetes, é importante parar de fumar para diminuir o risco de adoecer. Ou seja, o tabagismo é um problema de saúde coletiva”, enfatizou.

Os grupos de tratamento para quem quer parar de fumar integram a Política Nacional de Controle do Tabaco no Brasil. Em 2019, a campanha do Ministério da Saúde tem como tema “Tabaco ou saúde pulmonar – o uso do narguilé”, já que o cachimbo de origem oriental é frequentemente utilizado por grupos de jovens, com a falsa alegação de ser menos nocivo que o cigarro, por utilizar água. “O narguilé é um produto derivado do tabaco, que contém nicotina e é tão prejudicial quanto os demais, como o cigarro e o cachimbo tradicional. Inclusive, os estudos mostram que uma hora de narguilé equivale ao uso de 100 cigarros”, comentou Juliana.

A participação nos grupos das UBSs pode ser espontânea, ou mediante avaliação e indicação da equipe de Saúde. “No início dos encontros, é feita uma avaliação clínica que levanta todo o histórico do paciente, suas doenças anteriores, e verifica quais seus hábitos de vida. Também aplicamos um questionário para avaliar o grau de dependência da nicotina, para avaliar a necessidade, ou não, da medicação. Finalizada esta etapa, é marcado o primeiro encontro, que é comandado e liderado por um ou dois profissionais capacitados”, detalhou a coordenadora.

Os grupos contemplam quatro sessões presenciais. A primeira, aborda o tema Entender por que se fuma e como isso afeta a saúde; a segunda, Os primeiros dias sem fumar; a terceira, Como vencer os obstáculos para permanecer sem fumar e, por fim, Benefícios obtidos após parar de fumar. “Ao final, esses usuários continuam sendo acompanhados em encontros de manutenção, quinzenais e mensais, e que prosseguem enquanto a equipe observar a necessidade dos pacientes. Essa continuidade do grupo, em geral, vai abordar como se manter sem o tabaco”, explicou Juliana.

Perfil dos usuários

A coordenadora da UBS do Vila Nova, Heloisa Seiko Matsuo Shimabukuro, é enfermeira com capacitação em antitabagismo. Ela contou que a maioria dos usuários que procura pelo tratamento tem como motivação a própria saúde. “Muitas pessoas já têm alguma complicação pulmonar, cardíaca ou por câncer. Alguns relatam que perderam familiares recentemente com doenças devido ao tabagismo, ficam com medo e querem parar de fumar. Outros relatam que querem por causa dos filhos, pois os mesmos pedem e incentivam para que parem”, informou.

Assim como a maioria dos fumantes, os usuários que participam do tratamento na rede municipal de saúde são majoritariamente homens. “Pelos dados do Instituto Nacional de Câncer, a população masculina fuma mais. Na nossa experiência, eles procuram mais pelo tratamento, e conseguem parar com mais facilidade que as mulheres”, comentou Heloisa.

Dentre as principais dificuldades enfrentadas pelos usuários que começam a parar de fumar, estão a recaída e a desistência do tratamento, motivadas por diversos fatores de fundo emocional. “Muitos voltam a fumar no primeiro ano após tratamento, e relatam que a ansiedade e nervosismo são as grandes causas. Por isso, o grupo é importante, pois nas reuniões eles conseguem dividir essas questões, além do apoio e incentivo entre os próprios participantes”, acrescentou a enfermeira.

Para os novos integrantes e demais usuários que queiram deixar o hábito de fumar, Heloísa elencou algumas dicas importantes. “Tomar água, fazer alguma atividade física e de lazer, para ocupar a mente e não ficar pensando no cigarro é um dos métodos. Sempre oriento que, quando der vontade de fumar, não pegue o cigarro e faça outra coisa, para driblar o cérebro. A fissura dura menos que cinco minutos. Se conseguir ficar sem fumar nesse período, ela virá com cada vez menos frequência e será menos forte, até sumir. Depois de duas semanas conseguirá facilmente dizer não ao cigarro”, ressaltou.

Novo fôlego

A agente comunitária de Saúde (ACS) Mônica Nampo, de 44 anos, participou, em 2014, do grupo de tratamento oferecido na UBS do Eldorado. Na época, mesmo sem o interesse em abandonar o vício, frequentou as sessões motivada pela equipe médica da unidade onde trabalhava, e até mesmo, por curiosidade. “Fui escutando os depoimentos de outras pessoas do grupo, que estavam há um mês ou dois sem fumar. E o médico me cobrou uma data para deixar o cigarro, eu disse que seria em 1º de janeiro, mas não consegui. Parei somente no dia seguinte”, confessou.

Mônica passou com tratamento medicamentoso ofertado pela UBS, durante um mês. E desde então, não voltou a fumar. “Antes sentia falta de ar e dificuldade de subir escadas, me cansava rápido. O fôlego melhorou muito e tenho mais disposição. O olfato mudou também, e hoje tenho horror ao cheiro de cigarro. Até para o meu trabalho como ACS, que preciso andar bastante, com muitas subidas, facilitou e é bem mais fácil de fazer”, comemorou.

NCPML

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