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A  psiquiatra Alessandra Diehl elogia iniciativa da prefeitura no que diz respeito à proibição de dispositivos para fumar que favorecem a contaminação pelo novo Coronavírus

O prefeito de Londrina Marcelo Belinati proibiu, na última semana, o uso de aparelhos fumígenos ou similares em locais públicos e privados, como tabacarias e lounges. A medida está no decreto nº 602 e quem descumpri-la está sujeito a multa. Por ser passado de boca em boca, o aparelho torna-se um potencial transmissor de Coronavírus. Nas residências, sem o uso compartilhado, o aparelho é permitido.

Para a psiquiatra Alessandra Diehl, especialista em dependência química e vice-presidente da ABEAD (Associação Brasileira sobre Estudos do Álcool e Outras Drogas), a inciativa da prefeitura coloca Londrina na vanguarda no que diz respeito às políticas públicas ao uso de substâncias. “O prefeito está atento as novas necessidades de adaptação das cidades nesse novo cenário de saúde pública e social por conta da Covid-19”, comenta Alessandra.

A psiquiatra acrescenta que essa mudança assegura o direito à saúde de todos – fumantes e fumantes passivos.  Isso porque, as complicações da Covid-19, que levam à letalidade, estão relacionadas a problemas pulmonares: um dos órgãos do corpo humano mais afetados pelo tabagismo em suas variadas formas. “Além disso, existe uma associação muito forte com relação à vulnerabilidade dos consumidores de tabaco, além dos dispositivos de tabaco aquecido, como o narguilé e o crack, à infecção pelo novo Coronavírus.  Todas as drogas lícitas e ilícitas fumadas acabam por predispor a maior vulnerabilidade à doença, como já indicam pesquisas científicas em andamento”, relata Alessandra.

Conforme ela, na China, 52,9% dos homens fumam, em contraste com apenas 2,4% das mulheres. Os dados emergentes do COVID-19 provenientes naquele país podem ajudar a determinar se essa disparidade está contribuindo para a maior mortalidade observada nos homens em comparação às mulheres nos casos de óbitos em relação ao novo Coronavírus. “Tendo em vista essas informações, o apoio social da população, entendendo que essa é uma medida protetiva, é fundamental para que o decreto curitibano tenha êxito. Cabe a própria população fazer uma pressão social para que as pessoas não fumem em ambientes públicos e privados. Isso terá um impacto positivo, principalmente entre os jovens, que são os maiores consumidores de vaping e narguilé. A força da legislação pode diminuir riscos nessa faixa etária”, acredita a vice-presidente da ABEAD.

Vale lembrar que o vaping, por si só, já prejudica a saúde dos pulmões. Ainda não se sabe se pode levar à DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), mas evidências recentes sugerem que a exposição a aerossóis de cigarros eletrônicos danifica as células do pulmão e diminui a capacidade de responder à infecção da Covid-19 com aumento dos danos aos tecidos e a progressiva resposta inflamatória.

Giovana Chiquim/Asimp

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