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Durante a sessão desta terça, parlamentares fizeram nove minutos de silêncio em homenagem a George Floyd

No início da sessão de ontem (9), os vereadores e a vereadora de Londrina fizeram nove minutos de silêncio em homenagem a George Floyd, ex-segurança negro morto no dia 25 de maio, durante uma abordagem policial na cidade de Minneapolis, Estados Unidos. Nove minutos foi o tempo aproximado em que Floyd teve o pescoço pressionado pelo joelho de um policial, antes de morrer. “Essa homenagem prestada pela Câmara de Londrina também se estende para tantos outros negros inocentes mortos em comunidades e nos rincões do Brasil. Recebam o nosso respeito”, afirmou o presidente do Legislativo Municipal, Ailton Nantes (PP).

Após os minutos de silêncio, os parlamentares se manifestaram. José Roque Neto (PSB) afirmou que ainda sofre preconceito no dia a dia, quando vai a locais onde não é reconhecido. “Eu percebo quando chego num supermercado. Os olhos do segurança veem para onde você vai, para onde vem. Ainda que veladamente a gente sente alguma coisa na pele e na alma. Já fui discriminado muitas vezes por ter essa pele marrom”, desabafou.

O vereador Professor Rony (PTB) afirmou que o Brasil sofre um retrocesso nas políticas públicas em relação às minorias e defendeu maior apoio das autoridades. “São nove minutos de silêncio para refletimos no nosso país o atraso que foi a escravidão. Muito pouco se tem feito para tentar dirimir as diferenças que foram postas pelo período da escravidão”, argumentou.

Junior Santos Rosa (Republicanos) citou Martin Luther King, pastor negro norte-americano e liderança dos movimentos pelos direitos civis nos EUA, assassinado em 1968. “O mundo deu um sinal de que não aceita mais essa questão da violência. Os Estados Unidos também chamam o mundo para uma reflexão. Temos tantas coisas que podemos conversar acerca desta temática. Como disse Martin Luther King, ‘não nos calaremos’. Não aceitamos a violência contra negros nem contra qualquer outra pessoa. Se queremos justiça para conosco, devemos pensar em justiça para o próximo”, defendeu.

A morte do menino negro Miguel, que caiu de um apartamento em Recife, também foi lembrada pelo vereador Amauri Cardoso (PSDB), que afirmou que vivencia o racismo no cotidiano. “Eu falo porque sou pai de filhos negros e fui casado com uma mulher negra. Sei muito bem como as pessoas olhavam para minha esposa e como, ainda hoje, olham para os meus filhos quando eles chegam. Falo isso porque sinto na alma. Desde o início os criei para enfrentar isso. Acredito que precisamos, mais do que nunca, parar com essa tolice que existe na nossa sociedade. O Brasil é um país preconceituoso e racista. Precisamos enfrentar isso com urgência”, destacou.

Pastor Gerson Araújo (PSDB) reafirmou que o racismo, muitas vezes, é manifestado de forma jocosa e fez uma reflexão. “A gente nunca matou um negro pisando na garganta dele, mas quantas vezes, até na base da brincadeira, se comete algum tipo de racismo? Então, eu me coloco junto das demais pessoas [no movimento contra o racismo]”, concluiu.

O vereador Madureira (PTB) lembrou que o racismo também se manifesta pelo menosprezo não só aos negros, mas também a pessoas de outras etnias. “É muito importante relembrarmos com sentimentos desse caso dos EUA e reforçar para nossos filhos que todo o tipo de ofensa a qualquer etnia é racismo”, afirmou.

Guilherme Belinati (PP) afirmou que se solidariza com as vítimas de racismo e defendeu atitudes contrárias ao preconceito. “A gente tem que começar fazendo a diferença onde a gente mora. Quem não defende que se acabe o preconceito está incentivando essas atitudes”, concluiu.

Asimp/CML

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