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Integrantes da Comissão Especial das Clínicas Psiquiátricas conheceram modelo que prioriza a atenção básica aos pacientes, com o objetivo de diminuir internações

Em visita a Maringá na última sexta-feira (30), os vereadores Vilson Bittencourt (PSB) e Eduardo Tominaga (DEM), respectivamente presidente e membro da Comissão Especial (CE) de Acompanhamento das Clínicas Psiquiátricas de Londrina, conheceram a atual estrutura de atendimento em saúde mental daquele município. Instalada no início de março, após denúncias do Ministério Público (MP) sobre irregularidades no atendimento prestado pela Clínica Psiquiátrica de Londrina (CPL) e da Villa Normanda, instituições com as quais a prefeitura de Londrina mantém convênio, a CE está na fase final dos trabalhos e, além de investigar falhas na fiscalização das instituições, deverá também apresentar alternativas de melhorias nos serviços públicos oferecidos aos pacientes atendidos na cidade, com problemas de saúde mental.

Em Maringá os vereadores londrinenses conheceram o Hospital Psiquiátrico de Maringá, o Hospital Municipal e o Complexo Maringaense de Saúde Mental, que concentra três Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Inaugurado em 2015, o atendimento prestado no Complexo de Saúde Mental e nos seis polos de psiquiatria para média e baixa complexidade são peça-chave de um modelo que promove a diminuição das internações psiquiátricas naquela cidade.

Participação da família

“A municipalização do serviço, por meio do investimento na atenção básica e na integração entre os Caps podem oferecer uma boa resolutividade, como vimos em Maringá. A gente percebe que o internamento, que é algo extremamente traumático para o paciente e sua família, deve ser apenas para aqueles casos em que não há outra solução”, afirma o vereador Vilson Bittencourt, lembrando que o modelo de atendimento preconizado nos Caps permite a participação da família como um item importante do tratamento.

Também o vereador Eduardo Tominaga se mostrou satisfeito com o que viu em Maringá. Para ele, a visita confirmou que é preciso adotar um novo olhar para o modelo de atendimento em saúde mental. “Fiquei otimista ao perceber que, com uma boa estrutura organizacional, é possível transformar o modelo de atendimento, identificando o que de fato é melhor para o paciente e colocando-o em um hospital psiquiátrico só em última instância”, defende.

Lógica manicomial

De acordo com a gerente de Saúde Mental da secretaria municipal de Saúde de Maringá, Maria Heloísa Cella, os dispositivos criados para dar mais opções de tratamento, como as residências terapêuticas e o atendimento 24 horas no Caps III, onde são disponibilizados 12 leitos de acolhimento aos pacientes com transtornos mentais e dependência química em crise, diminuíram sensivelmente o número de internações em hospitais. “Mesmo os pacientes cronificados, quando nas residências terapêuticas e devidamente medicados e tratados, raramente precisam de internação. Quanto mais fortalecemos a rede de atenção básica, menos encaminhamos para o hospital psiquiátrico. É preciso desconstruir a nossa lógica manicomial, embora muitas vezes internar seja o caminho mais fácil”, diz a gerente, que recebeu os vereadores ao lado do secretário de Saúde, Jair Francisco Pestana Biatto.

É por esta razão que na mais antiga instituição de atendimento a doentes mentais do município, o número de internados maringaenses caiu drasticamente, cerca de 20% nos últimos quatro anos. O Hospital Psiquiátrico de Maringá, fundado em 1962 e registrado como empresa filantrópica, oferece 266 leitos (sendo 252 para atendimento pelo Sistema Único de Saúde), sendo a média de ocupação de 95%, com predominância de pacientes oriundos das várias regiões do Estado, inclusive de Londrina.  A instituição conta com 170 funcionários para atendimento de homens, mulheres e adolescentes. Ao apresentarem a estrutura aos vereadores, o diretor técnico clínico do hospital, Paulo Vecchi Abdala, e o diretor administrativo, Luiz Boligon, lembraram que uma importante medida para viabilizar o serviço são as parcerias e convênios com as instituições de ensino superior e técnico, instaladas no município.

Asimp/CML

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