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Já se sabe, há bastante tempo, que separar lixo descartável de orgânico só traz vantagens para o meio ambiente, para evitar doenças, além de gerar renda para quem trabalha como coletor de material reciclável. Também não é novidade para ninguém que é incorreto descartar agulhas, seringas e outros instrumentos utilizados por profissionais da saúde em lixo comum.  Mas poucos conhecem os malefícios de tal atitude para o meio ambiente e para quem manipula o lixo. Por isso, os deputados Dr. Batista (DEM) e Ademar Traiano (PSDB) decidiram criar uma lei para conscientizar a sociedade. É a Lei estadual nº 20.130/2020, que institui a Semana Estadual de Conscientização do Descarte Correto do Lixo Gerado no Tratamento do Diabetes e outras doenças, que deverá acontecer todos os anos na primeira semana de março. “Como muitos diabéticos utilizam esse tipo de material diariamente e em casa, os pacientes e seus familiares são os principais focos dessa conscientização, que foi uma sugestão de entidades da área da saúde”, afirma Dr. Batista, presidente da Comissão de Saúde Pública da Assembleia Legislativa do Paraná.

Uma das entidades é a Associação SEMPR Amigos, que é um serviço de referência em Endocrinologia e Metabologia ligado ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, que, com o apoio da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Endocrinologia Regional Paraná (SBEM-PR), Associação Paranaense de Hepatologia (APH) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica ABESO), instituiu a campanha permanente “Agulha no lixo é um perigo!”.

 “Claro que a campanha deve ser permanente, mas ter uma data para conscientizar toda a sociedade anualmente, só traz benefícios para pacientes, meio ambiente e a população como um todo”, lembra o co-autor da lei, o deputado Traiano, presidente da Assembleia Legislativa.

Como a legislação é do ano passado, que foi marcado pelo isolamento social, e que se estendeu para 2021, a programação para a Semana também precisou seguir as orientações das autoridades sanitárias. “Vamos intensificar a divulgação em nossos canais de informação, como sites e redes sociais e também estender a campanha para outros pacientes que necessitam utilizar agulhas, como por exemplo, os que fazem tratamento para o crescimento, cujo hormônio é injetável”, explica a médica endocrinologista Daniele Tokars Zaninelli, presidente da Associação SEMPR Amigos, que em 2020. participou do Grande Expediente da Sessão Plenária, detalhando a importância de conscientizar a população e da ampliação da campanha sobre o descarte adequado de perfurocortantes (especialmente agulhas) usados no tratamento do diabetes e de outras doenças crônicas.

O objetivo de se conscientizar é envolver cada vez mais especialidades médicas, como por exemplo, infectologia, hepatologia, ginecologia e reprodução humana, endocrinologia, pediatria e reumatologia.  “O descarte inadequado de agulhas usadas no tratamento do diabetes e de outras doenças pode contaminar o meio ambiente e ferir gravemente quem trabalha com o lixo. Há ainda a possibilidade da transmissão de doenças como hepatites e HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana).  Por isso, nunca se deve jogar seringas, agulhas, canetas e lancetas – instrumentos usados para fazer exames – no lixo comum”, reforça.

Como funciona no Paraná

A campanha também deve ser reforçada nos canais da Secretaria de Saúde do Estado (SESA-PR), onde os pacientes cadastrados nas farmácias das 22 Regionais de Saúde já são orientados pelos farmacêuticos, quando passam pelo serviço de primeiro atendimento, quanto ao descarte correto dos insumos referentes ao tratamento do diabetes (agulhas, lancetas, canetas e tiras).  Uma orientação, segundo a SESA, que é padronizada e que consta da “Ficha de Apoio à Consulta Farmacêutica”, que auxilia o farmacêutico quanto às principais orientações que devem ser repassadas aos usuários, tais como: objetivo do tratamento, modo de usar, armazenamento, reações adversas e descarte.

Na rotina da maior farmácia sob gestão do Estado, em Curitiba, o material dos pacientes cadastrados é recolhido e depois tem a destinação correta.  A unidade de saúde também tem o papel de orientar os pacientes.

Diabetes

A Sociedade Brasileira de Diabetes aponta que 16,8 milhões de pessoas vivem no Brasil com a doença, e que pelo menos 1 milhão façam uso de agulhas.  A maior parte faz tratamento com insulina e/ou outros medicamentos injetáveis.

Considerando que as agulhas devem ter uso único, e alguns pacientes chegam a precisar de quatro a cinco injeções ao dia, além de realizar automonitoramento até sete vezes ao dia, pode-se imaginar quanto material perfurocortante com potencial contaminante – composto por agulhas, lancetas, fitas reativas e insumos usados na bomba de infusão de insulina – é produzido diariamente.

Os pacientes com diabetes insulinodependente provavelmente são os responsáveis pela produção do maior volume desse tipo de material, lembrando que esta é uma condição vitalícia que requer cuidados ininterruptos. Um agravante é a associação entre diabetes mellitus e hepatite B, hepatite C e HIV.

O coletor adequado deve apresentar as seguintes caraterísticas: material inquebrável, com paredes rígidas e resistentes à perfuração ou vazamento e abertura larga o suficiente para o depósito de materiais sem acidentes. A tampa deve oferecer boa vedação.  É importante que depois de preenchido, o coletor seja entregue em uma Unidade Básica de Saúde, para tratamento e destino adequados.

O diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo.

ALEP

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