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A Bacia do Rio Tibagi, que banha 41 municípios desde os Campos Gerais até a foz no Rio Paranapanema, em Primeiro de Maio, terá classificação classe 1, classe 2 e pequenos trechos em classe 3 – que juntos somarão cerca de 7% de toda a bacia. Com esta nova reclassificação dentro da Resolução do Conama 357/2005, a Bacia do Rio Tibagi terá uma água considerada de qualidade para uso de lazer e, principalmente, para consumo humano.

A decisão foi tomada no último dia 17, durante reunião do Comitê em Castro. O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tibagi (CBHT), professor Galdino Andrade, anunciou oficialmente esta conquista durante o 13º Encontro de Educadores Ambientais da Bacia do Rio Tibagi (Copati), em Londrina.

A discussão sobre a possibilidade de reclassificação do Rio Tibagi teve início no primeiro semestre de 2015, durante reunião do CBHT em Londrina. Nela, o objetivo era classificar o rio para classe 4, mascarado de subclasses 4ª, 4B e 4C, permitindo desta forma que recebesse todo tipo de carga de efluentes, tornando-o praticamente morto, idêntico ao Rio Tietê que corta a cidade de São Paulo (SP).

Segundo Galdino Andrade, pouco mais de 90% dos cursos d’água do Rio Tibagi deverão ser readequados à classe 2. “O restante será classe 3. São alguns trechos após o lançamento de tratamento de esgoto por conta da ineficiência e baixa diluição do esgoto lançado à natureza”, explicou.

Galdino comemorou o resultado, salientando que, no caso de Londrina, por exemplo, ribeirões como o Quati e o Lindoia, que recebem dejetos de esgoto, serão reclassificados como classe 3. “Isso significa muito, pois teremos o retorno de peixes, de qualidade da água, de uso para lazer e recreação. O rio virá com boa qualidade de água, não estando morto para a comunidade e meio ambiente”, salientou.

Em defesa do Tibagi

À época dos debates, o Deputado Federal Marcelo realizou um pronunciamento enfático na Câmara dos Deputados na defesa da manutenção do Rio Tibagi saudável e em condições de uso, além da defesa de recuperação das áreas já degradadas. Ele salientou, à época, que esta mudança de classe iria tornar um rio altamente saudável em um rio morto.

Ele também encaminhou ofício para o Governador Beto Richa e para a diretoria da Sanepar, empresa de saneamento de água e esgoto – autora do pedido de reclassificação – para que mantivesse a Bacia do Rio Tibagi dentro das classes 2 e 3, garantindo a qualidade das águas e, consequentemente, da vida humana, animal e vegetal do seu entorno.  Este pedido do deputado foi considerado um dos pontos que levou ao governo paranaense a voltar atrás na reclassificação do rio.

Rio Tibagi

A Bacia Hidrográfica do Rio Tibagi é considerada uma das mais importantes do Brasil pelos seus aspectos econômicos, físicos, biológicos e hidrológicos. A sua riqueza e a diversidade de espécies são comparáveis às de regiões tradicionalmente consideradas de alta biodiversidade como a Amazônia.

O Rio Tibagi possui 550 quilômetros de extensão, enquanto que a bacia abrange 49 municípios e aproximadamente 1,9 milhão de habitantes. Ocupa 13% do território paranaense, ou seja 25.239 quilômetros quadrados de área.

A sua biodiversidade contempla 114 espécies diferentes de peixes, 475 de aves, 57 de mamíferos, 48 espécies de répteis, 600 espécies de árvores e um centro de convergência de espécies animais e vegetais para toda a América Latina.

Classificação do CONAMA

A Resolução do Conama 357/2005 classifica os rios brasileiros de 1 a 4. As classes especiais são 1 até 2, sendo consideradas como melhor qualidade enquanto que as demais com indicadores piores. Estes indicadores para classificação nas classes são parâmetros de qualidade de água (concentração de substâncias) que caracterizam diferentes fontes de contaminação.

Hoje, o Rio Tietê, dentro de São Paulo (SP), é considerado Classe 4, ou seja, está morto, sem vida e inviável para o consumo humano de suas águas ou, até mesmo, o uso para lazer e recreação.

Alexandre Sanches Vicente/Asimp

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