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Instalados há nove meses, pontos de coleta têm recebido um bom volume de material reciclável das áreas rurais. Taxa de mistura de lixo é menor que na cidade
 
Ibiporã é uma cidade reconhecida nacionalmente por suas práticas sustentáveis. Após a consolidação da coleta seletiva na zona urbana, com 100% dos domicílios atendidos pela programação de separação do lixo, o prefeito José Maria ordenou que o serviço fosse ofertado, também, a comunidade rural, assim o município começa a viver uma experiência bem sucedida de destinação correta do lixo reciclável na zona rural.
 
Desde junho do ano passado os agricultores contam com 10 pontos de coleta de material reaproveitável, localizados em capelas ou comunidades rurais: Três Figueiras, Guarani, Boa Esperança, Saltinho, Recanto Pescador, Barra do Jacutinga, Poço Bonito, Engenho de Ferro, Barreirão e São Pedro. O serviço é ofertado pela Administração Municipal, através do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae).
 
A operacionalização segue um cronograma específico e a coleta é realizada todas as sextas-feiras. "Porém, onde houver a demanda, o Samae não medirá esforços para realizar a coleta, basta que seja feita uma comunicação oficial e nossa equipe fará uma visita técnica ao local para avaliar a demanda. Em se constatando a necessidade faremos a coleta", explica o diretor presidente do Samae, Claudio Buzeti.
 
Segundo o diretor de Meio Ambiente da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente (SAAMA), Diógenes Magri, uma média de 8.850 litros de resíduos recicláveis têm sido coletados mensalmente na zona rural do município. "É um volume significativo. Não esperávamos esta adesão dos moradores em tão pouco tempo", revela Magri. O gasto mensal do município com a coleta de material reciclável na zona rural é de R$3.500.
 
Outro dado positivo, aponta Magri, é a disciplina dos agricultores na separação do lixo. "A taxa de rejeito misturado ao reciclável corresponde a 1,46% do total recolhido. O orgânico está em 0,75%. Já na zona urbana, a taxa de mistura é de 20% do material reciclável no rejeito e de 12% de orgânico no rejeito", afirma o diretor de Meio Ambiente. Ao misturar lixo orgânico com o reciclável, o material se contamina e perde sua qualidade e valor, diminuindo a classificação. Por isso, é fundamental que o cidadão jogue o lixo no compartimento correto.
 
Além de oportunizar melhor qualidade de vida ao morador do campo, a prática também colabora com o meio ambiente. Este material, segundo diretor de limpeza do Samae, Miguel Gardini, seria queimado a céu aberto, liberando para a atmosfera gases prejudiciais ao meio ambiente e aos seres humanos, se não houvesse a coleta. O lixo despejado irregularmente também oferece risco aos animais, que ao ingeri-lo podem até morrer, além de ajudar na proliferação de insetos vetores de doença, como a dengue. Outra prática irregular, explica Diógenes Magri, é o descarte do material reciclável dentro das caixas de contenção de água das estradas, podendo contaminar os corpos hídricos. "O mesmo cuidado que se tem com a separação do lixo na cidade deve se ter no campo", enfatiza o diretor de Meio Ambiente.
 
A experiência do Samae de Ibiporã com a implantação da coleta seletiva na zona rural será apresentada no XVIII Exposição de Experiências Municipais em Saneamento, de 4 a 9 de maio, em Uberlândia-MG. Este é um evento da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae).
 
Consciência Ambiental
 
Uma das principais entusiastas do programa, a mentora do Grupo Mulher Atual e instrutora de Turismo Rural do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Devanilde Alves Arias, já está percebendo a mudança na paisagem e nos hábitos dos moradores da zona rural. "Na região da Boa Esperança, Água das Abóboras, Água dos Cágados, as estradas estão limpas. Muitas mulheres confeccionaram recipientes em bambu para separar o lixo domiciliar. Um vizinho contagia o outro com a iniciativa, e percebo não somente uma conscientização sobre a importância da destinação correta dos resíduos, como uma cultura de redução do lixo, com a adoção, por exemplo, de materiais mais duráveis", revela Devanilde.
 
Acostumada a separar o lixo doméstico, a produtora rural Romilda Aparecida Conradi  de Meira ressalta que a instalação dos pontos de coleta nas capelas rurais facilita a organização do recolhimento periódico dos recicláveis. Os moradores vão à missa no final de semana e já aproveitam para trazer os sacos de lixo. Não precisamos nos deslocar até Ibiporã para descartar o material", comenta.
 
O casal Aldemircio Aparecido Fiori e Maria Maestro Fiori também dá exemplo de educação ambiental.  Embalagens são lavadas e os cacos de vidro cuidadosamente embalados para não machucar os coletores de lixo. "A gaiola é grande e bem localizada. Já descartei espuma e até um tapete velho lá. Eu e meus vizinhos fazemos questão de manter os nossos quintais limpos", afirma a produtora rural.
 
No entanto, revela o casal, embora menos frequente, ainda acontece o despejo irregular de lixo à beira das rodovias e carreadores, principalmente por parte dos moradores da zona urbana. "As pessoas acham que por ser zona rural não serão flagrados, porém, a atitude é criminosa, degrada o meio ambiente. Não adianta apenas o poder público fazer a sua parte, todos temos que preservar a natureza", comentam.
 
Qualquer constatação de crimes ambientais deve ser informada à Secretaria de Meio Ambiente ou à Polícia Militar, pelo telefones 190 ou 3178-8400 ou diogenes@ibipora.pr.gov.br
 
Programa de Separação de Lixo
 
Desde 2009 Ibiporã possui um programa de separação de lixo que propõe aos moradores que separem os resíduos em três partes: Reciclável, Orgânico (para virar compostagem) e Rejeitos visando diminuir o volume no Aterro Sanitário Municipal. No final de 2012 a cidade conquistou o primeiro lugar no 4º Prêmio Melhores Práticas da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), do Ministério do Meio Ambiente, que premia as melhores práticas de sustentabilidade em uma administração pública.
 
Ibiporã produz diariamente 49,9 toneladas de lixo das quais 34,3 são de resíduos orgânicos, 3,6 de rejeitos e 12 toneladas de material reciclável.
 
Separe corretamente o lixo:
 
REJEITOS - fraldas, papel higiênico, absorventes, papéis sujos e tudo que não puder ser reutilizado ou reciclado.
 
LIXO RECICLÁVEL - papel, papelão, embalagens, latas, plásticos, garrafas pet, Tetrapak, vidro, cacos de vidro embalados e demais resíduos passíveis de reciclagem. Nunca deposite embalagens de agrotóxicos nos pontos de coleta.
 
LIXO ORGÂNICO - composto por restos de comida, cascas de frutas, verduras e sobras de alimentos que, através do processo de compostagem, irão virar adubo.
 
Caroline Vicentini – Núcleo de Comunicação Social – PMI
 

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