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Francisco atribuiu crise ambiental à má contabilidade e corrupção de interesses; o Pontífice recomendou investimentos em energia limpa

Na tarde de ontem, 27, o Papa Francisco foi à Casina Pio IV, sede da Academia das Ciências Sociais do Vaticano, para discursar aos participantes da conferência sobre “Mudanças Climáticas e Novas Evidências da Ciência, Engenharia e Política”.

O Pontífice encontrou e agradeceu a política e diplomata equatoriana María Fernanda Espinosa Garcés, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, e os Ministros da Economia de diferentes nações que estão discutindo este tema de grande importância para a humanidade e para toda a Criação.

“Aparentemente, em nosso tempo, lucros e perdas são mais valorizados do que vidas e mortes, e o patrimônio líquido de uma empresa tem precedência sobre o valor infinito da humanidade. Vocês estão aqui para refletir sobre a forma de remediar esta crise profunda, causada pela confusão de nossas contas morais com nossas contas financeiras; para ajudar a deter uma crise que está levando o mundo ao desastre”, iniciou o Santo Padre.

Lembrando aos líderes financeiros o compromisso assumido pelos governos em alcançar as metas dos “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e o Acordo Climático de Paris”, o Papa alertou que investimentos em combustíveis fósseis continuam a crescer, apesar de os cientistas dizerem que devem permanecer no subsolo.

Francisco sublinhou a diminuição do investimento em energia limpa pelo segundo ano consecutivo, e reforçou que os especialistas repetidamente apontam os benefícios da energia do vento, do sol e da água para o ambiente humano: “Continuamos a percorrer estradas antigas porque estamos presos entre nossa má contabilidade e a corrupção de interesses. Continuamos a considerar e a contar como lucro aquilo que ameaça a nossa própria sobrevivência”.

Na sequência, o Papa mencionou dados da pesquisa científica que revela que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, uma das principais causas do aquecimento global relacionado às atividades humanas, chegou a 415 partes por milhão, o nível mais alto já registrado.

“Em todo o mundo vemos ondas de calor, secas, incêndios florestais, inundações e outros fenômenos meteorológicos extremos, a subida do nível do mar, o surgimento de doenças e de outros problemas que são apenas uma advertência severa de algo muito pior que pode vir a acontecer, se não agirmos com urgência”, alertou o Santo Padre.

Uma recomendação específica do Papa às lideranças é que atuem com prudência e responsabilidade nas economias, para realmente satisfazer as necessidades humanas, promover a dignidade humana, ajudar os pobres e libertar a sociedade da idolatria do dinheiro, que gera sofrimento: “Estamos diante uma questão de cálculo, o cálculo de salvar o nosso mundo da indiferença e da idolatria do dinheiro”.

Terminando, o Santo Padre disse esperar que se alcance um plano comum que esteja em harmonia com a ciência do clima, com a nova engenharia da energia limpa e, sobretudo, com a ética da dignidade humana. Segundo o Pontífice somente a misericórdia de Deus permite que a humanidade corrija seu caminho antes que seja tarde demais.

(Vatican News - Canção Nova)

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