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Ceres Battistelli/Asimp/ Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - PR
 
A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná está desenvolvendo o 1.º Diagnóstico Estadual das Iniciativas Municipais para o Enfrentamento das Mudanças Climáticas. Serão registradas a frequência de eventos climáticos e suas consequências sociais e ambientais para cada um dos 399 municípios paranaenses.

A iniciativa foi apresentada terça-feira (12), em Curitiba, no Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas Globais. O estudo consiste na criação de uma plataforma virtual, em que as administrações públicas municipais respondem a questionário curto sobre tipos de eventos climáticos ocorridos na região, suas consequências e ações realizadas para evitá-los.

O documento também inclui perguntas sobre as características das estações climáticas, se existem problemas de alagamentos, erosão, se há ocorrência de geadas, piora da qualidade do ar, redução ou perda de qualidade da água. O levantamento aborda ainda, a existência de coordenadoria municipal de Defesa Civil e de políticas públicas na área de saneamento ambiental e mudanças climáticas. Até agora, 83 municípios responderam ao questionário.

Planejamento
 
“Este levantamento vai auxiliar o Estado na criação de políticas públicas e ações específicas de acordo com a situação de cada cidade. É um trabalho que irá complementar o Programa de Fortalecimento da Gestão de Riscos e Desastres Naturais que está em andamento”, afirmou secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e presidente do Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas, Luiz Eduardo Cheida. 

A secretária executiva do Fórum de Mudanças Climáticas, Rosana Bara Castella, ressalta que os municípios podem ter acesso a plataforma pela internet, basta entrar em contato com a Secretaria do Meio Ambiente e solicitar a chave de acesso. O Fórum possui página própria na internet http://www.forumclima.pr.gov.br/ . “A participação dos gestores municipais ambientais para responder ao questionário é essencial para a finalização do estudo”, reforçou Rosana.

O chefe de divisão de educação e controle ambiental da Prefeitura de Piraquara, Valter Farfuso, respondeu ao questionário. “Estamos contribuindo com este estudo para que possamos trabalhar de forma conjunta e prever possíveis catástrofes nas cidades. Todos os municípios devem fazer a sua parte”.

Entre as informações que Farfuso incluiu no questionário estão a existência de 1.162 nascentese a frequência de alagamentos no bairro do Guarituba. “Estamos recebendo recursos e apoio da Cohapar para minimizar o problema dos alagamentos com a construção de galerias nas vias principais, mas ações ambientais também são importantes para conter as cheias do Rio Iraí”, informa Farfuso.

O coordenador de Mudanças Climáticas, da Secretaria do Meio Ambiente, Carlos Renato Garcez, ressaltou que este levantamento completa o inventário das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), que está sendo feito de forma setorizada. “Quanto maior for o detalhamento, mais ações poderemos sugerir para reduzir a emissão de gases na atmosfera e para que possamos mitigar os efeitos das mudanças climáticas”, explica Garcez.

Cenário
 
Durante o Fórum, o professor de Climatologia do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Wilson Flávio Feltrin Roseghini apresentou a síntese dos relatórios do Painel Internacional Governamental de Mudanças Climáticas (IPCC). “O relatório aponta que de 1983 até o ano de 2012 tivemos o período mais quente dos últimos 800 anos”, ressaltou Wilson Flávio. Ele também apresentou dados informando que as oscilações de temperatura do Oceano Pacífico deverão continuar até 2025.

Os últimos relatórios divulgados em 2013 pelo IPCC (AR5) e pelo Painel Brasileiro sobre Mudanças Climáticas (PBMC - RAN1) indicam que as mudanças verificadas no clima são reais e têm sua principal causa na alteração do balanço energético do Planeta, causada em especial pelo aumento das emissões de gases do efeito estufa.

O biólogo Deonilson Cardoso, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), apresentou nova plataforma on-line para gerenciamento de dados de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Brasil, desenvolvido pelo Observatório do Clima e que conta com o apoio da SPVS e da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza no Paraná. Os últimos dados oficiais eram de 2010, e o anterior, de 2005. O Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SEEG) divulga na internet os dados de emissão e irá atualizar os números a cada ano em cinco áreas: agropecuária, energia, mudanças de uso da terra, processos industriais e resíduos.

Já a chefe do departamento de Unidades de Conservação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Maria do Rocio Lacerda Rocha, falou aos integrantes do Fórum sobre a importância da conservação e da restauração da biodiversidade como alternativa ao mercado de carbono. Maria do Rocio é responsável pelo estudo que avaliou a fixação de carbono na floresta plantada existente no Parque Estadual do Monge, na Lapa. “A recuperação da floresta nativa em ambiente degradado reiniciará um processo de fixação de carbono florestal e promoverá a reabilitação dos solos orgânicos típicos das regiões de altitude. O estudo é um subsídio à discussão da inserção da biodiversidade no mercado de carbono”", explica Maria do Rocio.

Outros temas
 
Durante a reunião o secretário, Luiz Eduardo Cheida, apresentou ao Fórum a revisão da nova resolução do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) sobre padrões de emissões atmosféricas para fontes fixas no Estado. Um grupo de trabalho do Fórum terá 15 dias para avaliar a resolução e encaminhar à Secretaria. Os integrantes do Fórum também aprovaram uma Moção de Pesar aos familiares das vítimas do tufão Haiyan, que atingiu as Filipinas deixando mais de 10 mil mortos. Também foi aprovada Moção de Apoio ao povo filipino.
 

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